Vale Sagrado, muito além de Machu Picchu | parte 2

Comecei a contar aqui sobre a minha viagem ao Peru – já expliquei como foram os seis primeiros dias. Continuo, hoje, do sétimo dia!

Pedra dos 12 Ângulos

Dia 7

Reservamos o dia após conhecer Machu Picchu, e voltar de Águas Calientes, para descansar e curtir Cusco. Já estávamos habituados à cidade, sem medo do tal soroche, mas precisávamos relaxar um pouco depois de muita correria.

Caminhamos por pontos conhecidos da cidade, como a Pedra dos 12 Ângulos, o Templo do Sol, igrejas, e museus. Vimos tudo o que dava para ver na cidade usando o Boleto Turístico. Encerramos a noite na Plaza das Armas, que se tornou nosso habitat natural. Aproveitamos o tempo livre, também, para planejar como seriam os próximos dias.

Templo do Sol

Dia 8

No dia que voltamos de Águas Calientes, depois de chegar no hotel, decidimos que o melhor seria combinar novamente com o taxista/guia da Responsible um passeio pelo Vale. O Hugo, nosso primeiro guia, já havia dado essa ideia, então ficamos animados. Decidimos um roteiro, mas não conseguimos fechar com o Hugo. Combinamos com o Miguel, também da mesma agência – a Responsible. Seria uma boa surpresa.

O plano foi: Sacsaywaman, Qenqo, Puka Pukara, Tambomachay e Pisac. E tudo foi incrível! Tanto o Hugo, quanto o Miguel, não eram guias turísticos, mas sim motoristas com muito conhecimento e generosidade de sobra. Orgulhosos da cidade, da região, de tudo aquilo, gostavam de explicar cada detalhe. Vale dizer que a empresa de turismo também oferece a opção do guia oficial, o que deixaria o pacote bem mais caro.

Tambomachay

Começamos por Sacsaywaman, que particularmente me impressionou demais. O local é formado por pedras polidas que são absurdamente gigantes! Trata-se de uma fortaleza, com vista para Cusco. Assim como em outros locais do Vale Sagrado, lá foi parcialmente destruído para que os espanhóis conseguissem pedras e material para fazer suas construções. Sem comentários.

De lá fomos para Qenqo, também pertinho, o que tudo indica ter sido um centro de cultos e rituais. Outro lugar que visitamos foi Tambomachay, também local de culto à água, e um lugar de descanso, como se fosse um SPA. Mais uma vez, assim como em Machu Picchu, é bem legal ver como a água segue correndo.

Já na parte da tarde, exaustos, chegamos em Pisac – um dos lugares mais legais! E um dos mais complicados de explorar. São muitas subidas, descidas, degraus, cantinhos… e a vontade é de olhar tudo. Miguel nos explicou muita coisa, apostamos nos aplicativos pra entender o que não conseguíamos, e… sim. Ouvidos atentos para tentar puxar qualquer informação de algum guia que estivesse passeando com seu grupo. O melhor? Pisac, assim como outros pontos, estava vazio… e muitas excursões apenas passam pelos locais, fazem fotos em pontos específicos, e já partem para outro lugar.

Pisac

Nosso último destino naquele dia, já no começo da tarde, foi Puka Pukara, as ruínas militares. Dali, voltamos para Cusco e seguimos explorando a cidade. Juro que nessa hora a gente já se sentia dois locais (óbvio que estávamos longe disso). Ao fim do dia curtimos o jantar no Chicha. Novamente eu estava exausta! Do jeito que não consegui tocar na sobremesa. Ainda assim, aproveitamos o fim de noite sentados na Plaza das Armas – recuperamos o fôlego após a comilança – e voltamos para o hotel, com tudo já planejado para o próximo dia. Com a ajuda de Miguel.

=> Sempre que chegávamos ao hotel pegávamos chá de coca. O que aparentemente ajudou muito no processo de não sentir o mal da altitude, ou mal da montanha, ou seja, o soroche.

Tipón

Dia 9

Ainda havia muito para conhecer na região. Era hora de focar. Ou melhor, de fazer escolhas. Aquele era nosso último dia completo em Cusco. Então optamos por um roteiro pesado, estimulados por nosso fiel companheiro, Miguel. Ele, que falava Quechua – o que achei muito bacana – era paciente, tranquilo e generoso.

Combinamos de conhecer o Valle Sur, onde poucos se aventuram. Planejamos Tipón, Pikillacta, Andahuaylillas e Raqchi. Como era de se esperar, tudo super tranquilo e vazio. Ainda mais maravilhoso.

No começo do trecho passamos por um local com criação de lhamas e alpacas, aprendemos sobre as diferenças das lãs, fios, etc, e continuamos nosso caminho.

Tipón

O mais incrível do dia prometia ser Tipón – e foi. Ali, assim como em Machu Picchu, senti uma energia incrível e uma sensação de gratidão que consigo lembrar até hoje. Tínhamos o lugar só pra gente. E sem pressa, com toda a paciência de Miguel que nos deu algumas dicas para melhor aproveitar o local. Subimos pelas ruínas, descobrimos cada cantinho e aproveitamos aquela maravilha. Éramos só nós! Piramos tentando imaginar como foi a vida por ali.

Andahuaylillas

Saindo de lá passamos por Andahuaylillas, considerada a Capela Sistina do Peru, e pudemos acompanhar um pouco da cultura local. No dia havia uma missa, várias pessoas usavam trajes típicos, o que fez tudo fazer muito mais sentido.

Como as pessoas são simples! E como a vida parece bem mais simples! Faz a gente repensar as nossas escolhas…

Pikillacta

Saímos de lá para Pikillacta, sem saber bem o que esperar. Outra vez nos surpreendemos. Nada de turistas. Mas, sim, moradores locais em um momento de festa/oração, reunidos por algum motivo que não conseguimos identificar. A Cidade das Pulgas tem um estilo bem diferente de todo o resto e, apesar de estar já um pouco destruída, ainda chama muita atenção pelo tamanho e imponência.

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Dia 10

Imagina o bode de ir embora de Cusco. Agora, multiplique por 100! Eu não queria ir embora. Apesar de saber que coisas legais aconteceriam em Lima. Pegamos nosso voo na Peruvian Airlines – aliás, atrasamos todo o voo por causa de um OxiShot (não levem na mala), fomos pra ‘salinha’ e me senti em um episódio de Aeroporto Colômbia. Só que era ‘positivo pra OxiShot’! Por que pode desodorante e não pode OxiShot? Nunca saberemos. Depois de uma horinha de depressão pós-Vale nos ares chegamos em Lima.

O hotel da vez foi o Tierra Viva Miraflores. Super bom, bem localizado, próximo ao Ibis, no qual ficamos inicialmente, então estava tudo dominado. Eu vou ser sincera, queria o Ibis, mas já estava lotado. Amo Ibis.

Nesse dia almoçamos no Rafael – sem reserva, mas chegamos antes de abrir. Comi um dos melhores lomos saltados da vida! Depois passeamos durante a tarde, relaxamos no Lacomar – o shopping – e fomos curtir a noite em Barranco. Eu acho Barranco superestimado. Mas, é uma lugar gostoso. Sempre fui pra lá a noite então não sei como é durante o dia.

Dia 11

O dia final em Lima foi para correr atrás do Mercado Índio, caminhar pelo Parque Kennedy, e refletir sobre a viagem. Eu já estava com aquela vontade de ir embora, não minto. Sempre fico triste quando a viagem chega ao fim. Na verdade é uma mistura de tristeza com gratidão. O famoso ‘eu quero ir, eu quero ficar’. Eu queria voltar pra Cusco, vender pulseiras, sei lá.

Na vida real, pra fechar a viagem fomos ao Central (reservado com antecedência). Nem sei descrever o jantar. Foi maravilhoso! Serviço impecável e o pessoal foi muito atencioso. Não optamos pelo menu degustação, mas dividiram todos nossos pratos em dois, então comemos super bem! Ao fim virou uma mini degustação personalizada. Um daqueles momentos que marcam. Pra acompanhar qualquer prato recomendo o Pisco de Coca. E, no mais, sobram motivos pro Central ser um dos melhores do mundo.

Dia 12

Passeamos um pouco e já era hora de voltar para casa. Pegamos nosso voo Tam para São Paulo e de São Paulo para BH. Fim!

 Travel makes one modest. You see what a tiny place you occupy in the world”  Gustave Flaubert

Conclusão: se eu mudaria algo na viagem? Só um detalhe! Ficaria uma noite em Ollanta, ao voltar de Machu Picchu. Que cidade bizarramente fantástica! No mais, ficaria mais e mais dias no Peru. É um lugar para ir e voltar. Seja pela história, pelos restaurantes, pelo povo gentil ou mesmo pelos sítios arqueológicos. <3

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