Tchau agosto, oi setembro: Francisco chegou

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É só um bebê, mas é tudo!

Há 10 dias minha vida mudava completamente. Não que eu não soubesse que isso estava por acontecer. Foram 41 semanas de espera, ansiedade e alegria – tecnicamente, 39. Foram mais de 250 dias de preparação e planejamento. Mas, nem todo planejamento poderia me fazer entender o que estava por vir. Ou melhor, como minha vida mudaria – de verdade – entre a última semana de agosto e a primeira de setembro.

Enquanto esperava Francisco, perdi meu pai.

Perdi meu pai em algum momento que marcava 40 semanas e 2 dias de gestação. Os dias que eram pra ser os mais felizes da minha vida se transformaram em momento de desespero e dor. Por mais que eu não pudesse me permitir sentir aquela dor. Afinal, eu tinha uma bênção dentro de mim. Um ser que, deste sempre, valia mais do que tudo. E que era aguardado, com ansiedade, não só por mim, mas também pelo meu pai. Eu devia isso à ele. Não poderia desanimar ou esmorecer. Por mais que eu me perguntasse a cada segundo se aquilo tudo estava mesmo acontecendo. E por que naquele momento?

Não sou tão forte assim…

Cansei de tentar entender essas coisas da vida. Como que, num piscar de olhos, tudo muda. Isso já aconteceu tantas outras vezes… mas eu ainda não me acostumei. E, o que eu já havia escutado, passava a fazer ainda mais sentido: a gente se programa, mas algumas coisas estão muito além do que podemos controlar. Te dizem pra ser forte, mas como ser tão forte assim? Guardei para mim o direito de chorar. De sofrer. De sentir dor. Não sou tão forte como gostaria. Ou como seria bonito afirmar…

E também foi assim com Francisco. Com aquele que me segurou de pé. Ele nasceu quando quis, como quis. Bem diferente do jeito que a gente havia desejado. Do jeito que eu havia combinado com ele. Era pra ser um parto tranquilo. Com contrações, seguidas por uma bolsa rompendo naturalmente e um nascimento bonito e suave. Com direito a fotos felizes. Que nada… O roteiro desenhado pelo cara lá de cima era bem diferente.

Senti, ao mesmo tempo, dor física e emocional. Pela primeira vez.

A bolsa rompeu ainda em agosto. Em um momento no qual eu gargalhei de doer a barriga, por algum motivo bobo. E ali começou tudo. Espera, espera e mais espera… afinal, a vida é uma eterna espera – será esse meu roteiro?! E, nada. Contrações induzidas e, lá fomos nós, para um caminho de muita dor. Uma dor que eu jamais poderia imaginar. Que não estava nos meus planos. Como pode? Eu estava em frangalhos, mas ele estava bem. Já havia se passado um dia – e ainda era agosto – e agora era questão de honra esse bebê nascer só em setembro. Quando o dia virou, eu já nem sabia mais quem era, ou onde estava. E entre flashes desconexos do que foi um dos dias mais insanos da minha vida, ele nasceu. Eu tive o meu parto normal. Ele estava bem. Eu estava bem. Tudo valeu à pena. Era 1º de setembro. 15h36.

10 dias depois, aqui estou sem entender bem as últimas duas semanas. Parece já ter se passado mais de um mês, mas o tempo não corre quando a gente quer que ele voe. Ainda me esqueço, vez ou outra, de que não tenho mais uma importante parte da minha vida. Que mais essa parte se foi. E perder essa parte, de alguma forma, me fez sentir ainda mais saudade da minha mãe – e de tudo o que a gente viveu. Da nossa família alegre e unida, apesar de tudo. Do nosso vínculo. Da criação simples, mas de amor sem medida. Da falta de limites pra bagunça e brincadeiras, mas das obrigações claras em uma rotina repleta de atividades.

Francisco chegou. E enquanto escrevo vigio a babá eletrônica que registra seus movimentos malucos. E é um amor tão surreal que dói. Dói pelo medo de não ser forte o suficiente, como ele precisa. Dói, também, fisicamente. A cada mamada. A cada vez que acordo de madrugada. A cada vez que sinto falta da mulher que eu era e que sei que jamais serei. A cada vez que eu desejo sumir no mundo, mas lembro que não posso mais. Mas, quem sabe eu serei uma pessoa melhor?! Ainda não sei. É bem provável que não. Talvez eu seja só a mesma Amanda de sempre, na versão mãe. Um tanto quanto confusa, ainda. Mas tentando meu melhor. É um misto de insegurança, medo e expectativa. Que seja, assim, da melhor maneira. Me nego a planejar mais nada. Só me resta sonhar com o melhor.

5 pensamentos em “Tchau agosto, oi setembro: Francisco chegou”

  1. No final das contas Amanda, o q nos resta é fazer o melhor com o q sobrou de nós após essa avalanche de emoções q a vida nos impõe.
    Agora vc vai se fortalecer através dessa troca de amor com seu Francisco, q certamente é um presente de Deus.
    Muita luz e amor no seu caminho

  2. Parabéns, Amanda!!! Vc está vivendo um período inesquecível!! De alegria, de dor, de mudanças, de perda e de muita emoção. Permita-se sentir tudo isto. Sem medo! Vc vai dar conta de muita coisa e vai deixar de dar conta de muita coisa, tb. Vc eu só uma mulher! Humana! E curta o seu Francisco ao máximo! E viva o luto da perda do seu pai. É preciso… Abraços!

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