Viajando de trem pelo Leste Europeu

Entre sonhar com uma viagem e, de fato, viajar, existe certo tempo. Com suas dificuldades e desafios. Quando decidi viajar pelo leste europeu por conta própria, sem excursão, sabia que o mais complicado seriam os deslocamentos. Mas, não é que deu tudo mais que certo?!

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Na hora de montar o seu roteiro tenha em mãos um mapa. Pense em quais países, ou cidades, você quer conhecer. E pesquise sobre as rotas. Sim, na Europa já sabemos que dá pra ir de qualquer lugar para qualquer lugar de trem. Mas, não é melhor escolher um caminho mais fácil? Ou com viagens mais curtas e agradáveis?

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Roteiro

O roteiro final foi: Praga (3 noites), Cracóvia (3 noites), Varsóvia (2 noites), Budapeste (3 noites), Viena (4 noites) e Praga (1 noite). O que eu mudaria? Ficaria mais uma noite na Cracóvia e mais uma noite em Budapeste. Na verdade ficaria mais dias em todos os lugares, mas a vida real pede que sejamos cautelosos…

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De trem por aí

Todas os deslocamentos foram feitos de trem. Com exceção da viagem entre Varsóvia, na Polônia, e Budapeste, na Hungria. Neste caso, a escolha foi pelo avião, com a companhia polonesa Lot, pelo custo de US$ 70 – com direito a uma bagagem despachada e uma bagagem de mão. A compra foi realizada com meses de antecedência, por isso o ótimo preço.

De Praga para Cracóvia

De Praga, na República Checa, para Cracóvia, na Polônia, viajamos de Leo Express. Assim como a Student Agency, a empresa faz o trajeto em um combo trem + ônibus. Por 28.5 euros viajamos na categoria business, muito confortável. A compra do ticket foi feita com antecedência de um mês e meio. São 3h30 de Praga a Bohumín seguidos por 2h30 Bohumín até a estação central da Cracóvia. É cansativo? Um pouco. Mas com internet liberada, serviço de bordo ótimo e poltronas confortáveis tudo fica bem mais fácil. Além disso,a paisagem tinha muitas coisas legais! Dá vontade de parar em cada lugar.

De toda forma, a pegadinha, ou o desafio, da viagem é a troca do trem para o ônibus. Mas, não há dificuldade. Basta ficar de olho no painel e descer na estação certa. O ônibus fica bem na porta da estação de Bohumín – lembrando que desembarcamos dentro da estação, então é preciso cruzar o prédio. Sem mistério.

De Cracóvia para Varsóvia

De Cracóvia para Varsóvia, também na Polônia, uma viagem intermunicipal, optamos pela Intercity. Pensando nos descontos por compra com antecedência, adquiri os bilhetes um mês antes do embarque – a empresa chama de SuperPromo. Custou 46.5 zlotys, na segunda classe. A viagem demorou 2h20. Confortável.

De Budapeste para Viena

Agora é hora de falar sobre coisa boa. Quando pesquisei sobre viagem de trem pelo leste europeu logo descobri o tal de Sparschiene. É de comer? Beber? Na verdade é o sistema de descontos da austríaca OBB, pensado para quem viaja de maneira planejada, em trechos com mais de 150 km. Os preços partem de 19 euros.

Comprei o ticket de Budapeste para Viena, na Áustria, com mais de três meses de antecedência. É muito, sim.  Mas, arrisquei. Paguei 29 euros + 3 euros pela reserva do assento, na primeira classe – fomos de Eurocity. A título de curiosidade, o preço seria 77 euros para comprar um bilhete sem desconto, em situação similar. Nem preciso dizer como vale a pena! A viagem leva 2h40.

De Viena para Praga

Saindo de Viena e voltando para Praga, fizemos mais uma viagem comprada na OBB, com o Sparschiene. O preço? 34 euros + 3 euros pela reserva de lugar, na Railjet. Para comprar com menos antecedência, e sem desconto, o preço médio é 102 euros. Enfim, quando voltar a viajar pela região vou sempre optar pela Railjet. Trem muito confortável, espaçoso e ótimo serviço. A viagem leva 4h. Nem vi passar…

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Pormenores

Só para constar, todos os bilhetes foram adquiridos online, como já destaquei. No caso da OBB, apresentei o bilhete no aplicativo da empresa – você escolhe essa opção ainda durante a compra. Já os da Leo Express e da Intercity foram impressos.

No geral, uma dificuldade que pode aparecer na hora do processo é com a aprovação da compra. Lembre-se de liberar o mesmo para transações internacionais. Mesmo assim, o sistema pode bloquear a tentativa. É só ligar no cartão, tá?!

Fique de olho, ainda, no ponto de partida e no ponto final da rota. Cada cidade tem mais de uma estação de trem – e em qual você quer descer?! O mais seguro é na estação central. Mas, pode ser que seu hotel ou hospedagem fique mais perto de outra opção…

Também não se esqueça do horário. Atrasos sã raros. Tudo é muito pontual. Deu a hora? Já era. No caso de atrasos eles são insistentemente avisados no painel e no sistema de som – mesma que seja uma coisa de dois minutinhos.

A hora do embarque

E na hora de embarcar? Não, ninguém vai chamar seu nome no sistema de som, ou não vão avisar com horas de antecedência de qual plataforma o seu trem parte. Geralmente a informação aparece no painel cerca de 10, 20 minutos antes da partida. Talvez, mais, talvez menos. Por isso, chegue com antecedência na estação (tô repetitiva, eu sei). Ambiente-se. Encontre um painel. E observe de onde partem os trens para destinos similares. Ou de empresas semelhantes. Assim não há erro.

Por isso também é legal viajar com pouca bagagem. E com uma mala leve. Optei por um tamanho M. E seria ótimo se ela estivesse menos pesada. Cada um é responsável pela sua bagagem do início ao fim do processo – tanto para entrar/sair do trem, quanto para guardar a mesma no compartimento reservado para tal. São detalhes que parecem bobos, mas podem ser assustadores para um principiante.

E não aceite ajuda de estranhos. Vimos muitas pessoas se passando por funcionários da estação de trem para “ajudar” quem estava perdido. Principalmente em Praga e em Budapeste. Olha, tudo tem o preço. Se você quiser pagar…

Minha dica final é: combine os meios de transporte. Não é preciso usar taxi na região. Desembarcou na estação central? Vai ter um tram, ônibus ou metro conectado. Com uma hospedagem bem pensada tudo fica mais fácil. E isso é possível calcular ainda na hora da reserva.

Vantagens de viajar de trem

  • Atrasos mínimos;
  • Não há raio-x, imigração, despacho de bagagem…
  • Poltronas maiores e mais confortáveis que as do avião;
  • Não é preciso chegar com horas de antecedência;
  • As estações costumam ficar em pontos centrais;
  • Dá pra admirar a paisagem;
  • Sua bagagem chega com você, sempre;
  • Resumindo: menos burocracia.

Também tem vídeo no meu canal do YouTube falando sobre o assunto. Dá o play!

Boa viagem!

Minha viagem ao Peru: obrigado Pachamama | parte 1

Não sou uma blogueira de viagem. Muito menos uma especialista no assunto. Sou, assim como muitos, uma pessoa que ama viajar e que gosta de compartilhar suas experiências com outras pessoas. E que, também, curte resolver tudo por conta própria.

Foi com curiosidade, paciência, tropeços e disposição para aprender mais sobre outras culturas que aprendi a organizar as minhas própria viagens. Uma dessas experiências, talvez a mais gratificante, foi a de planejar uma viagem para o Vale Sagrado.

Machu Picchu

Tenho muitos lugares na minha lista de viagens dos sonhos. Mas, Machu Picchu só entrou nessa nada pequena lista quando conheci o Peru. Em 2011 viajei para o país quase que por acaso. Pela combinação de um feriadão com uma promoção CVC. Pagamos e fomos para Lima. E só. Sem conhecer nada sobre o país chegamos a um lugar que me deu de presente comidas maravilhosas, pessoas gentis e um novo mundo para ser explorado. Fiquei obcecada pela cultura Inca após uma visita a Huaca Pucllana. Queria saber mais! Mas, não dava. Foi nessa viagem que a vida me apresentou, também, o Pisco, o chef Gastón Acurio e o sabor inesquecível de um bom ceviche peruano.

Então, 2015 foi o ano. Passei meses sonhando com o Peru. Queria conhecer tudo, de Machu Picchu às Linhas de Nazca. Mas, a vida é feita de escolhas. E seria preciso abrir mão de algumas coisas. Não foi a hora ainda de conhecer, por exemplo, Puno e Arequipa. Teríamos 12 dias de viagem, sendo 10 no Peru. Saindo de Belo Horizonte, a viagem não leva menos que um dia. É preciso fazer uma conexão, o que deixa o processo muito mais longo do que acontece saindo de São Paulo, por exemplo.

Apesar de já conhecer Lima bem eu queria fazer tudo de novo! Todos os passeios, principalmente porque estava com o meu marido que ainda não conhecia o país. Devo dizer, primeiro, que uma semana antes da viagem – com todos os passeios comprados, hotéis pagos, etc, tivemos uma surpresa com a Decolar que repentinamente bloqueou nossas passagens (da Tam). Depois de muito desespero (e horas ao telefone) conseguimos embarcar. Foi preciso não só reclamar, como ameaçar, reclamar com a Tam, surtar em todas as redes sociais, daquele jeito… Entrei em pânico. O que, ao fim, nos deixou um importante ensinamento: não compre nada pela Decolar. Deu tudo certo.

“Stop worrying about the potholes in the road and celebrate the journey” Fitzhugh Mullan

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