5 razões para você não comprar aquilo que jura precisar

Compras são tentadoras. O processo de levar para casa algo novo desperta sensações incríveis e libertadoras. Mas, nem sempre a aquisição em questão é realmente necessária ou que de fato cabe no orçamento. Talvez seja hora de não comprar…

A decisão da aquisição deve ser muito bem avaliada. Aliás, existem muitas razões para você deixar para trás aquilo que jura precisar.

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Não há mal algum em repetir roupas

Aquela sensação de que você será julgada por usar em uma festa ou evento a mesma peça que usou há algum tempo é pura bobagem. Lembre-se de que boas aquisições foram feitas para serem utilizadas várias vezes. E, além do mais, bons acessórios (aqueles que você já tem, claro) podem dar outro sentido a produção. Desencane e deixe de se importar com bobagens! Quer saber? Gaste seu tempo, e seu dinheiro, com coisas mais sérias – ou legais.

A fatura do cartão de crédito vai chegar

Antes do que você imagina, no momento mais inapropriado, chega a fatura do cartão de crédito. E não é nada legal ver que os gastos foram descontrolados. Essa sensação de arrependimento com a compra praticamente estraga a mágica de uma boa aquisição. Então, faça compras respeitando o seu orçamento.

Economizar também é legal

Lembre-se de planos maiores… e de que o “não” de hoje é a alegria de amanhã. Controlar o consumismo tende a ser a receita mágica para evitar as tais compras pequenas e gastos picados – que são os grandes vilões para quem quer guardar uma grana e investir em algo um pouco (ou muito) mais caro. Com isso, tenha metas. E veja, com gosto, a conta engordar.

A tendência de hoje é o cafona de amanhã

As modinhas são um bom exemplo de peças que rapidamente deixam de ser bacanas. Assim como toda e qualquer tendência. Com isso, não se sinta mal por não acompanhar as listas de “tem que ter” para cada estação. Para uma pessoa real é impossível ter todos os modismos de cada temporada. Deixe de lado a loucura do “todo mundo usa” e viva feliz com as suas peças prediletas! E com os seus clássicos incríveis.

Não dá pra ter tudo

Como Zygmunt Bauman bem diz: “o mundo está cheio de possibilidades, é como uma mesa de bufê com tantos pratos deliciosos que nem o mais dedicado comensal poderia provar de todos”.

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Aquela compra apressada e errada, também já fiz

Lá se foram, não sei, talvez 20 anos.

Eu morava em Sete Lagoas e havia uma loja chamada Sabata’s. Ela era o máximo – pra mim, uma menina do interior. Tratava-se de uma multimarcas que vendia todas as grifes bacanas da época.

Zapping, Zoomp, Fórum, Iodice, Ellus, Triton… esqueci alguma? Muito provável.

Até hoje tenho e uso um blazer que minha mãe me deu pra eu usar nas festinhas, comprado na tal Sabata’s… era bem esquisito na época, hoje é quase vintage, com modelagem larguinha (questão de tempo).

Mas, então, voltamos pra tal Sabata’s.

Tudo na loja era “caro”. Principalmente pra uma menina de 12 anos. E meu pai, de tempos em tempos – em datas especiais – nos presenteava com um cheque em branco. Sim, um cheque. E podíamos (eu e minha irmã) gastar 100 reais, cada. Era o suficiente pra comprar uma blusinha e uma calça. Com muita sorte.

E a gente operava o milagre, com alegria.

Vamos ao que importa

Só que não é isso que importa. O que importa é que duas vezes por ano, a Sabata’s realizava uma mega liquidação. E na época era surreal.

Liquidação de verdade, eu estou falando.

Imagina um outlet dos Estados Unidos. Aquela loucura. 50% de desconto. Talvez 70%. Era assim. As pessoas faziam fila.

Eu sempre estava na fila.

Sair mais cedo da aula, e pegar a liquidação logo no começo, era normal.

A situação fazia com que aquilo virasse quase um evento na cidade. Você encontrava com todo mundo ali. Coisas do interior, sabe?

Bons tempos, em partes.

Porque preciso ser sincera. Eu comprava muito mais do que precisava. E, pra piorar, comprava tudo errado.

Tudo tão errado, que dói lembrar

Levava calça grande, porque era o que tinha. Escolhia blusinha apertada, porque era o que tinha sobrado. Pouco importava se me servia bem.

Era de marca, tá bom? E a menina que fui só pensava nisso – na etiqueta.

Por causa disso eu passava os meses seguintes usando roupas que odiava. E lembro de uma blusinha de alcinha vermelha, curtinha, que nunca ficaria bem em mim.

Ela ficava péssima no meu corpo. Mas, eu tinha comprado e tinha que usar.

Quase consigo lembrar da menina insegura que eu era tentando fazer aquelas peças erradas funcionarem, em frente ao espelho do armário. Incluindo a blusinha vermelha.

Falo de horas de “produção”.

Essas compras erradas multiplicavam o meu sofrimento nos finais de semana. Na hora de sair pra balada. Eu só me sentia mal. Feia, gorda, estranha, esquisita, totalmente errada perto das meninas lindas que estudavam no mesmo colégio que eu. Totalmente diferente. Mas não no sentido bom.

Por isso quando vejo uma cliente relatar que mantém no guarda-roupa uma peça que não usa, que não gosta e que só usa com sobreposições (ou jeitinhos) lembro instantaneamente do que eu sentia.

Repito que não era bom.

Essa história de comprar errado…

São muitas as razões que fazem a gente comprar errado. Pode ser o preço. Pode ser o desejo de usar uma tendência. A ansiedade. Ou a insegurança. Pode ser o desconhecimento das nossas curvas. Talvez a pressa. No entanto, não é isso que gera a decepção constante em frente ao armário. É manter-se no erro – seguir usando algo que não é legal – que faz tudo ficar ainda pior.

Por isso eu sempre digo: livre-se do que não funciona em você. Não repita compras erradas.

Não compre o que não serve em você hoje! Não leve pra casa algo só pelo preço, por ser tendência, por ficar legal em alguém que você conhece (ou viu em algum lugar).

Pense 1, 2, 3 vezes antes de finalizar a compra. Evite a correria.

Como eu queria poder voltar no tempo e cancelar essas loucuras feitas em liquidações. A tristeza que se arrastava por ter no armário um monte de peças “de marca”. Que eu comprava por preços absurdos de baixos, sem entender que elas estavam ali, encalhadas, por um motivo muito especial. Porque eram péssimas pela modelagem, pelo estilo, pela forma ou pelo tecido.

Como eu queria ir em uma dessas liquidações da Sabata’s, hoje, e tentar operar um dos meus milagres da boa compra. Seria um real teste.

Voltar no tempo, me permitir resgatar memórias e lembranças da adolescente que fui – e que sofria demais com o visual – me ajuda a compreender emoções e sensações que vejo hoje em atendimentos.

É interessante.

A gente não precisa e nem deve se prender ao erros do passado. Precisamos olhar pra frente. Aprender e superar.

O hoje é perfeito para começar algo novo (e melhor).

A mística no produto novo

Uma compra acertada mostra seu resultado na alegria do uso e na mística revelada, no corpo e na atitude, quando a peça é usada pela primeira vez. Sente-se uma confiança, um bem estar bem específico da novidade, algo impossível de ignorar. Aquele famoso: “tô incrível”. Talvez, por isso pensamos sempre em uma roupa nova para cada e toda ocasião especial. Mesmo já tendo tanta coisa guardada no armário.

Não sentir aquela empolgação ou ansiedade por usar algo novo aponta para um compra falha ou mal direcionada. É isso que gera esse desejo de postergar ao máximo a data inicial do uso. Pois será a lembrança do erro martelando de forma dramática na mente… faz sentido?

Compra como investimento

Em tempos de mudanças cada vez mais velozes nas araras das lojas (entre tendências e modismos) valorizar o potencial da novidade, e menos o exagero, surge como uma alternativa para não se perder entre tantas possibilidades. Emerge a opção da compra como investimento. Redobra-se a mística do novo. A compra deve ser cada vez mais pensada. E, por sua vez, combinada ao que já está no guarda-roupa…

As ‘novidades’ – sob a forma de tendências – precisam render. E há algo de maravilhoso nessa questão: mesmo com mudanças, elas são pouco surpreendentes e o velho ganha toque atual, ganha um prazo de uso bem mais longo do que o que visto anteriormente. E não falo dos clássicos atemporais. É hora de atualizar cada look por meio de combinações boladas com grande eficiência.

A partir disso vale tirar máximo proveito da força do novo. A compra como uma maneira de adicionar alegria e vibração ao guarda-roupa. Digo, comprar menos e vibrar mais.

Texto originalmente publicado em 19 de setembro de 2010.

Compras às pressas pode não ser uma boa ideia

Não é raro que bata a vontade de resolver todos os problemas da vida de uma vez só. Mas, será possível? Sabemos que tudo o que é feitos às pressas peca pela qualidade. Assim como tudo o que é feito sem pensar é um convite ao arrependimento. Por mais que eu concorde com Chico Buarque, quando ele diz “aja duas vezes antes de pensar”. Mas, isso vale mais para coisas que não mexem com o nosso bolso.

Já sei como é. Quando você se depara com uma sensação de infelicidade em frente ao guarda-roupa, percebe na hora que é preciso alguma mudança. Mas, a urgência pode ser sufocada por outras questões mais importantes. E o drama com o armário vai ficando para depois… Quando não é assim, e você corre para compras coisas novas – porque é isso que parece, sempre, a solução para um guarda-roupa que não funciona – corre-se o risco de comprar errado. E, comprando errado, o arrependimento futuro é certo.

Dar um jeito, com calma

Dar um jeito no visual e no guarda-roupa pede planejamento. Sim, planejar! Estimar. Programar. Ver do que você precisa, quanto, e de qual tipo de cada coisa. E, não. As compras novas não precisam ser feitas na correria, de qualquer jeito. Em uma ida desesperada ao shopping. No maior estilo ‘tenho que ficar livre dessa tortura chamada compras’.

Não gostar de fazer compras de moda não é um problema. Aliás, vejo isso até como algo menos complicado do que amar comprar para preencher vazios internos. Mas, é como um check-up anual médico. Toma tempo, mas é necessário. Pode até mesmo ser chato, só que é importante. E quando a gente foca no resultado positivo, e vê o resultado bom, a tal tortura passa.

Então, antes de sair por aí em clima de desespero comprando um monte de coisas aleatórias para salvar o seu guarda-roupa, pare um pouco. Avalie do que você precisa, o que falta, o que combina com o seu corpo, suas necessidades e seu estilo, e, é lógico, o que cabe dentro do seu orçamento. Lojas não mordem. E vendedores desagradáveis podem ser educados com um básico “estou só olhando”. Vai por mim.