Será que a mudança ideal é a mudança possível?

Existem duas possibilidades de mudanças: a mudança ideal e a mudança possível.

Quando você assiste a um programa de televisão, no estilo Esquadrão da Moda (entre tantos outros), é comum acompanhar uma mega transformação. Não nego que é uma ótima forma de entretenimento. Eu mesma adoro ver os tais antes e depois. Mas, tudo que vemos ali é quase impossível de ser colocado em prática, em dias, na vida real.

Um choque

Imagine se alguém chegar na sua casa, jogar todas as suas roupas fora, comprar algumas novas peças, cortar e pintar o seu cabelo e te bombardear com regras e críticas. Pode parecer empolgante, mas não é.

Vivencio em cada guarda-roupa, em cada conversa com cliente, o que é a real emoção de ter alguém avaliando e opinando quanto ao seu visual.

Requer tempo.

Precisa-se de um período de assimilação da proposta. Mais o que isso, a minha opinião como profissional não pode ser soberana… falo sobre uma troca de ideias. Uma conversa.

A mudança não funciona em regime ditatorial. Ela vem com o tempo.

Toda uma mudança

Nossas roupas são parte da nossa história. Há todo um impacto emocional. Elas carregam lembranças, sentimentos, sensações, sonhos e expectativas. Também estão carregadas de decepções, mágoas e inseguranças.

Nossas roupas são parte do que somos.

Pensa em alguém arrancar de você, sem perguntar a sua opinião, uma parte do seu corpo… Uma fatia da sua história.

Dói.

Pensa, então, em como isso pode ser feito com mais paciência. Aos poucos. Paulatinamente. Uma troca aqui, uma substituição ali, uma conversa que leva a mais uma transformação…

Essa é a mudança possível.

A mudança ideal pode passar por um novo corte de cabelo, um novo guarda-roupa (do zero) ou mesmo uma nova forma de andar, de mexer, de falar… Mas, tudo isso é possível de uma vez?

Difícil.

A vida (de uma pessoa real, normal – eu ou você) não para enquanto querermos melhorar ou aprimorar a nossa imagem. As contas não deixam de chegar. Os filhos não desaparecem. As demais vontades não são instantaneamente eliminadas. Vestir é uma parte da nossa rotina. Guarda-roupa e imagem pessoal são partes do que somos. Parte importante, claro! Mas, não é tudo.

Vestir da melhor maneira possível não é uma necessidade básica. Como comer, dormir ou cuidar da higiene pessoal. Cuidar da imagem vem depois de tudo isso. Vem depois da barriguinha cheia, do banho revigorante, do ponto batido em dia.

As transformações de estilo da televisão não podem ser aplicadas na vida real. Não, não dá.

E tudo bem. Melhor assim.

Mudança boa é aquela que vem com o tempo. Aos poucos. No tempo de cada cliente.

Transformação que fica é aquela que é discutida, debatida, pesquisada e assimilada. Uma nova imagem só é real se é consistente. Se perdura. Se pode ser mantida no dia a dia.

Consultoria de Estilo, por aqui, não é imposição e nem loucura. É melhoria. Um processo que respeita o tempo de cada um. E que caminha junto aos demais ciclos de vida de cada pessoa.

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