Quando desejei uma imagem que não era a minha

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Por muito tempo senti culpa pelas curvas. Pelo quadril largo, pelas coxas grossas. Passei a desejar um corpo que não era meu. Que fosse magro, esguio e fino. Que fosse mais reto, sem volumes. Me sentia culpada e julgada pelos movimentos. Pela sensualidade. Queria ser mais reta. Seria mais simples.

Não queria ser eu.

Por sua vez, meus cabelos cacheados, encaracolados, pareciam agressivos. Complicados. Não ficavam bonitos em um rabo de cavalo. Estavam, sempre, cheios de frizz. E as meninas consideradas mais lindas não tinham os fios assim.

E eu não gostava de ser diferente.

Mulheres empoderadas

Mas, a moda dá suas voltas. E, em uma temporada que traz empoderamento, volto a sentir o direito de ser quem sou. O direito de usar o short super curto, mesmo com as pernas grossas, com celulites. O direito de deixar os braços a mostra, mesmo que eles não sejam finos e retos demais. O prazer em me sentir bonita e desejável, sem que isso seja um erro – um absurdo.

Quando a gente deixa de se esconder, a gente se encontra. E que bom que a moda hoje nos permite tudo isso. Vai ter e tem roupa curta. Sutiã aparente. Foto de bunda no Instagram, que não seja só a da musa fitness.

Tem de tudo e mais um pouco.

Tem chance para quem quer se sentir bonita e se mostrar. Para, sim, conquistar mais confiança por meio de “likes” – por mais que seja polêmico. Para ter boas lembranças. Para ficar claro, de uma vez por todas, que não precisamos mais buscar um padrão para poder se amar.

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