Pelo direito de não sorrir

O simples ato de sorrir carrega inúmeros significados e mesmo sendo o mais poderoso dos acessórios não pode ser encarado como algo obrigatório. Acredito que cada um tem o pleno direito de não sorrir. Mais do que isso, cada um deve sorrir apenas quando se tem vontade e quanto acha que o momento, a ocasião, a companhia – ou seja o que for – faz tal ato valer a pena.

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Há quem pense que o sorriso está necessariamente ligado à felicidade. Eu já acho que não. Tenho para mim que a felicidade é algo particular, íntimo, e seria muito raso resumi-la a um mero sorriso que pode ser facilmente fabricado. Além do mais, estar feliz é muito mais do que mostrar os dentes… É um estado de espírito, que muitas vezes nem mesmo desejamos revelar.

Sorrir pra que?

Sou dessas que acha que o sorriso deve ser espontâneo, que deve ser puro e sincero. Que de nada vale ou importa fingir que há algo ali para comunicar quando o que resta é um vazio no peito. Sorrir apenas para cumprir a tarefa social – a obrigação de sorrir para as fotos, para a visita, para o desconhecido – é aceitar regras bobas. Afinal, muitas foram as vezes que já vimos pessoas sendo julgadas pelo fato de serem sérias demais ou de serem mais fechadas.

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Acho, no entanto, que se o sorriso não sai por timidez, talvez haja o que ser trabalhado no íntimo. Mas, se não há sorriso porque não há vontade de sorrir…. paciência! Tudo bem. Que ele apareça nas horas certas. Há charme também nos olhares sérios. Não há?! E existem inúmeras maneiras de sorrir.

Fico me perguntando quando foi que passamos a ser avaliados como se apreciam os cavalos – pelos dentes. Ou seja, se escondemos os mesmos é porque temos algum tipo de problema?! O problema está em quem se incomoda com isso.

Isso vale muito – e especialmente – para algo que alguns homens pedem de suas respectivas mulheres. O tal do: “não vai sorrir?!”… ou “e essa cara fechada?!”. Será que ainda estamos presas à ideia de bonecas ou donzelas sem expressão verdadeira ou sem o direito de sentir algo legítimo?! Se quer me ver sorrindo, me dê motivos para tal. Ou então, talvez eu não queira sorrir hoje e queira curtir uma mini temporada de fossa. Cada um com suas maneiras de lidar com as mais diversas situações. É isso que nos faz diferentes. E é a questão de termos direitos – de sentir e de expressar seja como for – que faz de nós interessantes como somos.

Texto publicado originalmente em 22 de setembro de 2014

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