Miss Universo e quem alimenta os tais padrões?

A brasileira Raíssa Santana pode não ter levado a coroa, mas o Miss Universo 2017 surpreendeu por alterações em seu formato e sutis transformações de padrão.

Ainda nas seletivas que antecedem a grande noite – algumas candidatas já davam o que falar. Fica cada vez mais claro que beleza, exclusivamente, vem deixando de ser o foco do concurso. Ok, eu sei. A vencedora (francesa) representa o padrão clássico da Miss. Curvas magras, longilíneas, mas também acerta no discurso. Fora ela, candidatas de países como Canadá e Kenya provaram que a atitude também vem levando muitos pontos. E as perguntas ao vivo, durante o concurso, mostraram ter muito peso na classificação.

Ofensas e críticas

Apesar da beleza, a Miss Canadá, Siera Bearchell incomodou com suas curvas naturais e com suas formas que se distanciam da magreza exagerada. Aquela que, muito se sabe, é conseguida muitas vezes na base de cirurgias plásticas, horas a fio de exercício e alimentação regradíssima. Não, não é natural um corpo de Miss. Pode ser que seja para uma ou outra. Mas, é a exceção.

Com personalidade forte e envolvimento com questões humanitárias, Siera respondeu com atitude às críticas recebidas nas redes sociais. Lembrou que “a vida é fluida, dinâmica e está sempre mudando. Assim como nosso corpo”. Destacou que, geralmente, apostava em dietas restritivas antes de concursos e que isso a deixava miserável. “Não adiantava o quão pouco eu comia, e o quando te peso eu perdia, eu nunca me sentia boa o bastante”, explicou em uma postagem de seu Instagram. Precisava dizer mais? Não.

Novos tempos. Novos padrões.

Enfim. O Miss Universo – assim como todo concurso de Miss – é feito de padrões. Mas, quem cria tais padrões? Se é a própria organização do concurso e seus jurados, não é natural que eles possam mudar essa história?

A mudança pode estar acontecendo ainda de maneira tímida e lenta. Mas, está acontecendo. Muitos irão se incomodar. Outros tantos enfrentarão uma negação. Só que é um caminho sem volta. Que o concurso reencontre sua essência e foque em mulheres que são naturalmente belas, ativas em suas sociedades e que quebram padrões. Que são inteligentes e uma real e completa inspiração.

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