Minha viagem ao Peru: obrigado Pachamama | parte 1

Não sou uma blogueira de viagem. Muito menos uma especialista no assunto. Sou, assim como muitos, uma pessoa que ama viajar e que gosta de compartilhar suas experiências com outras pessoas. E que, também, curte resolver tudo por conta própria.

Foi com curiosidade, paciência, tropeços e disposição para aprender mais sobre outras culturas que aprendi a organizar as minhas própria viagens. Uma dessas experiências, talvez a mais gratificante, foi a de planejar uma viagem para o Vale Sagrado.

Machu Picchu

Tenho muitos lugares na minha lista de viagens dos sonhos. Mas, Machu Picchu só entrou nessa nada pequena lista quando conheci o Peru. Em 2011 viajei para o país quase que por acaso. Pela combinação de um feriadão com uma promoção CVC. Pagamos e fomos para Lima. E só. Sem conhecer nada sobre o país chegamos a um lugar que me deu de presente comidas maravilhosas, pessoas gentis e um novo mundo para ser explorado. Fiquei obcecada pela cultura Inca após uma visita a Huaca Pucllana. Queria saber mais! Mas, não dava. Foi nessa viagem que a vida me apresentou, também, o Pisco, o chef Gastón Acurio e o sabor inesquecível de um bom ceviche peruano.

Então, 2015 foi o ano. Passei meses sonhando com o Peru. Queria conhecer tudo, de Machu Picchu às Linhas de Nazca. Mas, a vida é feita de escolhas. E seria preciso abrir mão de algumas coisas. Não foi a hora ainda de conhecer, por exemplo, Puno e Arequipa. Teríamos 12 dias de viagem, sendo 10 no Peru. Saindo de Belo Horizonte, a viagem não leva menos que um dia. É preciso fazer uma conexão, o que deixa o processo muito mais longo do que acontece saindo de São Paulo, por exemplo.

Apesar de já conhecer Lima bem eu queria fazer tudo de novo! Todos os passeios, principalmente porque estava com o meu marido que ainda não conhecia o país. Devo dizer, primeiro, que uma semana antes da viagem – com todos os passeios comprados, hotéis pagos, etc, tivemos uma surpresa com a Decolar que repentinamente bloqueou nossas passagens (da Tam). Depois de muito desespero (e horas ao telefone) conseguimos embarcar. Foi preciso não só reclamar, como ameaçar, reclamar com a Tam, surtar em todas as redes sociais, daquele jeito… Entrei em pânico. O que, ao fim, nos deixou um importante ensinamento: não compre nada pela Decolar. Deu tudo certo.

“Stop worrying about the potholes in the road and celebrate the journey” Fitzhugh Mullan

Dia 1

A viagem começou com um vôo pela manhã CNF/GRU, embarcando no fim da tarde para Lima – chegando a noite no Aeropoto Internacional Jorge Chavez. Até Miraflores, uma das regiões de Lima, são cerca de 20 km de distância, com trânsito. Como já era tarde – bem tarde – a confusão foi pouca. Pegamos um taxi e chegamos ao hotel, o Ibis Larco Miraflores. Ótima localização, padrão Ibis, preços bons, enfim, escolha sem arrependimentos. Lanchamos por lá e nos preparamos para o dia de passeios, digamos, tradicionais.

Larco Museum

Dia 2

Nosso primeiro dia em Lima era um domingo. Por questão de agenda, sabíamos que algumas coisas estariam abertas, outras fechadas. Focamos no que tínhamos como prioridade. Tomamos café perto do hotel e fomos cconhecer o Museo Larco, que estava aberto naquele dia. Foi a minha segunda experiência no local e há espaço para uma terceira, ou quarta. Fomos de taxi, o primeiro que encontramos na porta do hotel. É praticamente uma visita obrigatória na capital peruana. Está situado em uma imponente construção do século XVIII e reúne tudo sobre a história do Peru pré-colombiano. Dedique um bom tempo para o local. Ou uma manhã inteira, ou uma tarde. Não acredito em ‘passar’ pelo lugar. Gosto de conhecer de verdade.

Depois de horas por lá, saímos e caminhamos pela região de Pueblo Libre, sem rumo. Encontramos um KFC e tivemos a nossa primeira refeição na cidade – tudo o que eu queria era uma Inca Kola, sem gastar muito. Começo de viagem, pra mim, tem sempre a sensação de ‘o dinheiro não vai dar’. Então, não exagero. E um fast food não mata ninguém. Já havíamos caminhado MUITO e eu queria encontrar um local que visitei na primeira vez… sem sucesso. Ainda não sei o que era, só sei que era na região. Já aconteceu com alguém isso? Neste caso era tipo um monastério, não sei bem.

Huacca Pucliana

Voltamos de taxi para a região de Miraflores e fomos para a Huaca Pucllana. Há quem diga que é bobagem visitar, mas acho que NADA é bobagem quando você quer aprender mais sobre o lugar. Fui, pela segunda vez, e me diverti muito. Acho a história de lá bem bacana. Ficou por muito tempo abandonada e está sendo reconstruída, do jeito que dá. Durante a noite pode ser visitado com iluminação especial.

Existem outras ruínas do tipo na cidade. Por vezes você se depara com uma no meio do seu caminho. E existem, também, outros sítios arqueológicos foram de Lima… vários… a escolha de visitar, ou não, vai depender da sua agenda.

-> Dica: Ao pedir um taxi é comum, e indicado, combinar antecipadamente o valor da corrida. Pechinche. Se não chegar a um consenso, tudo bem. Parta para outra. Ou melhor, procure outro taxista. Pechinchar no Peru é praticamente uma arte! Não tenha vergonha.

Saímos da Huacca Pucliana, passamos no Parque del Amor – depois falo mais sobre ele – e voltamos para o hotel. Descansamos e, a noite, jantamos no Madam Tusan. Um asiático, tipo fusion, comida chinesa com peruana, bem interessante. É o chicha de Astrid & Gaston. Sim, eles são um império por lá! Mas, tem mais! Muito mais. Vale ir para Lima apenas para se deliciar com os restaurantes. Depois, fim de noite.

Dia 3

Acordamos cedo, lanchamos no Starbucks mais próximo – no Ibis o café é por fora, ou seja… – e partimos para o centro histórico de Lima. É possível conhecê-lo por meio de excursões, mas não gostamos de nada que nos deixe preso ao horário, grupo, ou a qualquer coisa do tipo. Por isso fizemos o que seria lógico e prático. Pegamos um taxi e desembarcamos na Plaza Mayor.

Plaza das Armas

Por lá há muito para ver. E na minha primeira experiência na cidade eu tinha feito uma excursão no centro o que se resumia a correria e fotos. Consegui andar por lá, sentir a cidade, perceber como são as pessoas, o que fazem, como vivem, o que comem… tudo incrível.

Tem que conhecer a Basílica Menor e Convento de São Francisco Maior, o Palácio do Governo, o Palácio de Torre Tagle… e tudo fica ali juntinho! Vale tirar uma parte do dia para isso. Fizemos isso e quando já não havia mais para onde andar – começamos bem cedo – partimos para o La Mar. O La Mar de Lima fica em Miraflores, também, então depois de um almoço delicioso seguimos andando sem rumo. Sim, somos assim. Parávamos onde dava, depois continuávamos. Até que chegamos no Parque del Amor outra vez – bem vazio e tranquilo – e pudemos desfrutar daquele lugar. Vimos o pôr do sol com vista para o pacífico, fizemos fotos junto a escultura de Victor Delfín, El Beso, e voltamos para o hotel.

Monastério Lima

A noite tínhamos um reserva no Astrid & Gaston. Mas, surtei quando descobri que havia esquecido no Brasil meu remédio para enxaqueca. Não consegui pensar em mais nada, só em Soroche e morrer em Cusco. Resolvemos comer em Miraflores mesmo e tudo certo. Sobre o Astrid & Gaston, vale sim o investimento. Não existe igual. Foi a minha primeira experiência da vida com um restaurante estrelado – quando ainda ficava em Miraflores, agora é bem diferente, fica em San Isidro – e lembro que me surpreendi com a atenção e a delicadeza em todos os momentos do serviço. Ok, fim do dia e hora de fechar as malas.

Miraflores Pacífico

-> Em 2015 a vibe era bem introspectiva, romântica, outro clima. Então não procuramos por boates, lugares para curtir e nem nada. Mas, em 2011 pude ver uma Lima que tem uma noite bem animada. Com muita dança e gente divertida.

-> Fiquei super chateada por não conseguir ir ao Parque das Águas. Em 2011 deixamos de lado para ir curtir a noite da cidade e depois, em 2015, estava fechado, em reforma. Quero voltar!

Dia 4

Acordamos cedo e partimos para o aeroporto. Nosso voo para Cusco estava marcado para as 6h. Já estava preparada com muitas balas de coca, enquanto temia o Soroche – ou mal da altitude. Tudo comprado ainda em Lima. Viajamos de Peruvian Airlines, que nos jogou em um voo para um mais tarde – às 7h. Problemas tradicionais das companhias de baixo custo. Passei o voo inteiro com medo, receosa pelo que poderia acontecer ao pisar em solo cusquenho. E estranhei o quão baixo o aviãozinho voava. A ansiedade só aumentava. Às 8h já estava desembarcando no pequeno aeroporto de Cusco. Saí do avião com a boca cheia de balas de coca, caminhando lentamente, respirando mais devagar ainda, e, para minha surpresa, nada. Não senti nada.

Plaza das Armas

Fomos recepcionados no aeroporto por pessoas do hotel. Ficamos hospedados no Tierra Viva Cusco San Blas. Não tenho nada para reclamar da unidade – trata-se de uma grande rede e conhecemos três dos hotéis do grupo, sempre ótima internet e equipe amigável. Fizemos o check-in, experimentamos o chá de coca, e tudo parecia perfeitamente bem. Nosso quarto já estava pronto e, seguindo recomendações dos colegas viajantes virtuais, decidimos descansar por uma hora no quarto. Mas, a ansiedade era muita. Eu precisava conhecer a cidade! Eu precisava comprar meu remédio para enxaqueca em algum lugar! Era uma mistura de emoção e curiosidade.

Tínhamos, ainda, que contatar um taxista que pudesse nos ajudar com nosso trajeto para Ollantaytambo. As passagens de trem já estavam compradas – Ollantayambo/Águas Calientes – mas, confiei nas indicações virtuais de que era simples conseguir alguém para nos levar, do jeito que queríamos, tipo um táxi. E foi. Ou quase isso. Conversamos no hotel e fomos indicados a uma empresa que ajudava nesse tipo de transporte – Responsible Travel Tour. Nos colocaram em contato com uma pessoa que ajeitou tudo pra gente.

Com tudo certo, fomos em busca da Plaza das Armas – que já tínhamos visto no caminho do aeroporto para o hotel. Engana-se quem pensa que Cusco é uma cidade pequena. Não é! Mas, sua região histórica é limitada, o que gera a sensação de que há pouco para ver e conhecer. Mas, não. Então, não acredite quando te falam que você só precisa de um dia em Cusco… talvez seja suficiente, para quem gosta de só marcar na listinha e tchau. Eu acredito que viagem é experiência. É ter tempo para fazer de tudo! E tempo em uma cidade nunca é tempo demais. Sempre falta.

Sem lanchar, descemos para o marcante ponto central da cidade e fui correndo atrás de uma Starbucks logo que conseguimos meu remédio para enxaqueca. A Plaza das Armas é, no mínimo, pitoresca, Prédios antigos foram ocupados por agências de viagem, lojas de fast food, lojas de roupas das marcas mais incríveis e tudo o que contrasta com o que você imagina do povo Inca. Cachorros caminham tranquilamente, curtindo as visitas dos mais variados países. E isso é muito divertido. Lanchamos – ainda com medo do Soroche, que geralmente bate após algumas horas – e desencanamos. Poucas vezes na vida me senti tão feliz e plena! A energia da cidade é incrível! É como ter tudo, sem precisar ter nada.

Adendo: na empolgação do momento senti uma vertigem. Aparentemente faltou-me ar. Sentei na praça e, após alguns instantes, tudo certo. Estava pronta para a próxima, com boas doses de balas e chá de coca.

Nos equipamos com as Soroche Pills – não gaste seu dinheiro com isso – e com um OxiShot (não, não gaste seu dinheiro com isso… por favor!). Nada disso é necessário se você toma os cuidados importantes para tal: alimentação leve, muito líquido, caminhar lentamente, evitar exageros alcoólicos, etc. Mas, tome chá de coca. É uma delícia. Falei sobre o Soroche aqui!

Boleto Turístico Cuzco

No resto do dia aproveitamos para conhecer alguns dos pontos do Boleto Turístico e outras coisas que pareciam legais. Compramos o Boleto em meio as compras essenciais para a viagem (bala de coca, folha de coca e o boleto turístico) e buscamos os passeios que mais próximo à nós. Sobre as roupas, aposte no conforto. É tudo que tenho para dizer. Não é viagem para inventar moda. Em Lima, tudo bem. De resto, menos é mais. Manhãs e noites frias, tardes quentes.

O dia foi bem tranquilo. Caminhamos por toda a cidade, visitamos coisas como a pedra dos 12 ângulos e ficamos admirando as belezas da cidade, a mistura de culturas, coisas assim. Já a noite decidimos que era hora de jantar em algum lugar lega. Queríamos o Chicha, que já não tinha opção de reserva para o dia e estava bem cheio. Reservamos a mesa para outra noite e partimos para o Cicciolina. Aguardamos um pouco e tudo certo. Comida ótima, ambiente agradável, e partiu hotel. 

Dia 5

O dia chegou. Ou melhor, todo dia era um novo dia de emoções. Fizemos o check-out, deixamos a mala grande no hotel, e com nossas mochilas saímos bem cedo com o táxi do Hugo da Responsible rumo a algo que nos faria ‘gastar’ com vontade o Boleto Turístico. O plano era: Chinchero, Moray, Salineras de Maras e, por fim, Ollantaytambo.

Chinchero

Tudo pra mim era muito diferente. Foi uma dessas viagens sem computador, sem nada. A minha primeira assim em muito tempo. Talvez desde que comecei a viajar, em 2010. Só com o iPad. Mas, valeu a pena.

Vale Sagrado

Sem pressa, passamos por todos os pontos. Passamos, primeiro, por uma daquelas comunidades/vendinhas onde aprendemos sobre costumes locais. Providencial para usar o banheiro, tomar um chá de coca, e comprar uma mantinha. Até hoje é a minha predileta. Depois, partimos para Chinchero. Tínhamos o lugar todo para nós. Uma das eternas vantagens de começar o dia bem cedo. Chinchero é um distrito de Urubamba, com muros Incas e vista para vários terraços agrícolas. A paisagem é de tirar o ar! É um local onde os costumes tradicionais ainda são bem preservados… o pessoal fala Quechua (idioma dos incas) e uso de vestimentas tradicionais. Tudo muito natural, não aquelas coisas forçadas para turismo. Por mais que eles vivam do turismo. É bem bonito de ver.

Salineras de Maras

Seguimos nosso caminho para as Salineras de Maras. Uma das vantagens de contar com um motorista/guia é que ele não te apressa e, de fato, te mostra coisas que de outras formas você só veria pela janela do carro. No caminho paramos por alguns pontos indicados. E percebemos um costume legal dos tourinhos no telhado das casas. Eles trazem proteção e sorte e são, geralmente, oferecidos por um amigo próximo, assim que a pessoa termina a construção da casa.

Maras

Chegamos em Maras e o passeio não está incluo no ticket! Mas é desses imperdíveis. Era começo de temporada então a produção estava na sua fase inicial. Dezenas de famílias sobrevivem do sal ali produzido. Não minto, provei um pouco do sal, com barro, não sei. E levei vários tipos do sal para casa. Existe uma lojinha na qual é possível comprar flor de sal pura, com temperos, enfim, de vários estilos. Mais do que uma lembrancinha, algo para usar na cozinha, de verdade.

Cidade de Maras

Saímos das salineras para a cidade de Maras, passeamos rapidamente, e fomos para um dos pontos mais absurdos da região. Ok, tudo é absurdo. Mas, Moray é indescritível! Como sempre, não se sabe ao certo o que foi naquele lugar. Mas, tudo indica que era uma região para estudo agrícola, onde era possível testar os melhores jeitos apostar na produção de alimentos. Há, ali, um complexo processo de irrigação. Não permitem mais ir ao centro do terraço principal, mas precisa?

Moray

Era final de abril, maio, e tudo estava tranquilo. Sem grandes multidões. Passamos o tempo que queríamos em cada um dos pontos, caminhamos exaustivamente, e embarcamos para Ollantaytambo.

Escadinha em Moray

Ao chegar em Ollantaytambo, já no fim da tarde, a exaustão começou a bater. Mas, não dava para reclamar. Era hora de subir aquelas escadas, custasse o que custasse. Não, não deu tempo de ver tudo. Tínhamos um trem marcado. Foi a primeira vez, depois de chegar em Cusco, que fiquei triste. Porque queria conhecer tudo ali direitinho! Ou seja, descobri, sentada na praça de ‘Ullantay Tampu’, que devia ter organizado a viagem de forma a passar a noite por ali. E só no outro dia partir no trem para Águas Calientes.

Ollanta

Na correria, passamos pouco tempo em Ollanta, compramos lanches e mais lanches na vendinha da praça, e partimos para o projeto de estação de trem – onde nos despedimos do nosso guia/motorista, o Hugo.

Peru Rail

Pegamos o Peru Rail – passagens compradas antecipadamente – e escolhemos o Vistadome. O trem saiu no horário marcado, já no final do dia. Na viagem havia lanche e bebida inclusos, mas não consegui comer nada. Tomei, sim, chá de coca. A cada minuto a ansiedade aumentava. A cada segundo eu sentia a certeza de que queria estar ali. Estava, aliás, exausta. Mas, não me importava. Era pura ansiedade. E cada trecho guardava uma surpresa, uma ruína, um pedacinho do Rio Urubamba.

Já bem tarde chegamos à Águas Calientes e foi indescritível. Já havia visto muitas fotos. Mas, nada pode te preparar para aquela cidade. O barulho da água, a linha de trem entre as pedras, a lembrança da chuva que devastou o local, e a sensação de ser a pessoa mais privilegiada por viver aquela experiência. Estava muito escuro, então era impossível ver direitinho onde estávamos. É uma pequena cidade. Deixamos as coisas no hotel, o Tierra Viva Machu Picchu, e partimos para o jantar e para comprar o ticket do ônibus que te leva de Águas Calientes para Machu Picchu. Jantamos no Toto’s House, compramos água e lanche, e fomos descansar. O próximo dia seria O Dia.

“When preparing to travel, lay out all your clothes and all your money. Then take half the clothes and twice the money” Susan Heller

Dia 6

Sempre nos dizem para acordar cedo e chegar antes das multidões. Eu levo isso no literal. Ou seja, não dormi. Estava ansiosa, não conseguia pensar em nada. Os ônibus partem a partir das 5h. E era 6h quando estávamos já no caminho para Machu Picchu. Os hotéis garantem o café desde muito cedo sabendo que muita gente não só sobe cedo de ônibus, mas sobe, também, caminhando… Eu já sabia que o lugar era gigante então não queria arriscar chegar super cansada.

Tinha comprado os ingressos para Machu Picchu com a Huanya Picchu. Novamente não arriscamos. Deveríamos, para tal, passar outra noite em Águas Calientes. Afinal, a montanha é absurda de íngreme e eu sou cagona. Foi mal. Desistimos de subir Huayna Picchu logo ao avistar o desafio (seu horário de entrada na rota está estabelecido no ingresso) e fomos para a técnica de exploração ‘de cima para baixo’.

Machu Picchu

A viagem de ônibus é bem rápida. Coisa de meia horinha. Mas, devo admitir que ao chegar em Machu Picchu me bateu um nano bode. Estava nublado. Mas, eu já tinha lido MUITO, quase tudo, sobre o lugar e sabia que Pachamama não faria isso comigo. Não, não. Seguimos nosso caminho, correndo antes das multidões para fazer as melhores fotos, sem drama, e, claro, pra aproveitar a disposição matinal de quem ainda não foi abatido pelo soroche.

Machu Picchu

A sensação que tenho ao olhar minhas fotos em Machu Picchu é a de que eu não estava lá… de tão perfeitas que parecem pra mim. Ainda parece um pouco surreal e eu me emociono só de lembrar. É um daqueles lugares nos quais você se sente tão afortunado, tão grato, tão pleno e tão conectado com tudo o que há de bom, que não dá para ignorar. É preciso sentar, contemplar, agradecer e curtir. Mas, muita gente passa mal. Bastante gente. Encontramos pessoas vomitando, desmaiadas, enfim, de todos os jeitos que você pode imaginar. Gente que escorregou e quase foi pirambeira abaixo no caminho da Trilha Inca, tem de tudo! Ou seja: leve sua água, seu lanche e bons sapatos.

Ponte Inca

Machu Picchu ainda está sendo desvendado e dizem que há muito mais para descobrir. Não contratamos guia, queríamos curtir o passeio sozinhos. Mas, antes de viajar pesquisei muito sobre o lugar, assisti vários documentários e já sabia um pouco sobre cada cantinho, cada lado, cada coisa que havia pra ver. É o que eu sempre recomendo: estudar o destino. E fazer tudo isso pra observar os detalhes. Como a água que até hoje jorra em meios as ruínas. Sabe? É um sistema hidráulico muito maluco. A gente pira se começa a pensar demais nisso.

Observamos as pedras, as montagens, os arqueólogos trabalhando… queria morrar ali.

 

No começo da tarde voltamos para Águas Calientes no mesmo ônibus que subimos (o ticket é para os dois caminhos) e eu já estava verde de fome. Corremos pro Índio Feliz. É bem famoso, bem pitoresco, mas a comida não tem nada de demais. O dono do lugar é um francês exótico que deixa o lugar mais interessante. Almoçamos, fomos conhecer as termais de Águas Calientes – uma subida sem fim. É legal observar as termas antigas… Passeamos pela cidade e voltamos para o hotel. Pegamos nossas coisas, corremos pra pegar o trem da noite (tudo comprado antecipadamente) e tchau!

Eu poderia pular essa parte, mas não vou. Nosso trem saiu dos trilhos. E a viagem que era pra durar algo como três horas durou quase cinco. Como era temporada de chuva, ainda – literalmente o último dia! – o trem só viajava até Ollanta. Depois, tivemos que pegar um (minúsculo) ônibus para ir para Cusco.

Na parte da viagem do trem um grupo de brasileiros comia chips fedorento. Ou seja, morta de cansada, exausta, comecei a ficar enjoada. Chupei uma dezenas de balas de coca, mais um litro de chá de coca, e não passei mal. No ônibus, claro, piorei. Meditei com tanta fé que não passei mal. Obrigada, Pachamama. Mas, recomendo que ninguém compre a passagem de trem com a viagem de Águas Calientes/Cusco quando em época de chuva. O melhor é pernoitar em Ollanta ou fazer o resto da viagem de táxi. Enfim chegamos vivos ao hotel – novamente o Tierra Viva San Blas – e capotamos! É claro que antes lanchamos no McDonalds. Afinal, foi sair do ônibus que melhorei. E estava muito feliz para desmoronar.

 “Traveling is like flirting with life. It’s like saying, ‘I would stay and love you, but I have to go; this is my station” Lisa St. Aubin de Teran

Pensei que Machu Picchu seria o melhor da viagem, mas estava enganada…

Conto mais no próximo post.

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