Mãe corredora: mudando o mindset e tentando correr como em um comercial

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Constantemente, eu me pegava admirando as pessoas que via correndo pelas ruas. Sempre encarei a atividade física urbana, sem a necessidade de aparelhos, como algo libertador. Não é preciso pagar uma mensalidade para usar o espaço e nem mesmo esperar o horário de funcionamento. Quando me dei conta, senti que eu deveria, de uma vez por todas, enfrentar meus bloqueios ao me jogar no exercício. Decidi que seria uma mãe corredora.

Compartilho, neste texto, a minha experiência como iniciante na corrida. 🙂

Primeiro passo: mudar o mindset

Todas as vezes que tentei correr, fracassei. Até o final de junho deste ano (2019). Mas sobre isso falo daqui a pouco.

Levada pela ideia de que para correr bastava ter um par de pernas, e uma saúde relativamente boa, eu me enganava com a ideia de que seria fácil completar alguns quilômetros em uma velocidade relativamente rápida.

Era sobre isso que falavam os comerciais de TV, não? Sempre fui envolvida pela ideia de liberdade embalada pelo marketing e desenhada para as empresas de artigos esportivos.

Por muitas vezes, correr parecia algo impossível

No passado, minhas tentativas de corrida foram todas frustadas… eu ficava exausta, não via melhoria e acabava fazendo longas caminhadas que não cumpriam o meu objetivo — correr.

Com uma respiração prejudicada pelo lábio leporino, um histórico de lesões no joelho pelos anos de dança e uma dose extra de insegurança, eu acabava desistindo antes mesmo de me esforçar pra tentar.

Mas acompanhando um pouco mais de perto a prática e a evolução no esporte de outras pessoas, percebi que meu erro poderia ser facilmente corrigido! Como? Com um clube de corrida e algum invest$mento.

Tá bom. De repente, correr deixou de ser algo tão barato assim.

Acontece que alguns pedidos de comida a menos, e alguns freelas a mais… feito! Plano fechado. Escolhas, sabe? Mas, como disse Carol Dweck no livro Mindset, eu também precisaria mudar minha forma de pensar. O meu mindset estava muito fixo, preso nas experiências negativas do passado e na ideia do comercial de TV, no qual tudo é fácil e lindo.

“We like to think of our champions and idols as superheroes who were born different from us. We don’t like to think of them as relatively ordinary people who made themselves extraordinary” — Carol Dweck

Quando tive mais clareza sobre as razões do meu insucesso no passado, fiquei mais determinada a seguir firme no meu propósito. Correr sem morrer.

Segundo passo: eliminar as desculpas

A maternidade muda tudo na nossa vida. É clichê? Sim, mas é verdade.

Eu, que nos últimos anos morando em Belo Horizonte me via celebrando a liberdade de poder fazer meus horários — depois de passar muitos anos dando assistência à minha mãe e seguindo os horários dela —, me vi novamente preza à rotina de outra pessoa. E, o pior, sem minha mãe pra dizer que tudo daria certo.

Entre trabalho, casa, filho, freelas e, bom, um tempo para dormir, tomar banho e comer, parecia que não sobrava espaço para mais nada. De repente, Francisco estava perto de completar 2 anos e eu, consequentemente, celebrando 2 anos de sedentarismo. Considero que por sorte não caí em depressão de vez.

Mas eu sempre gostei muito da ideia de que “quem quer arruma um jeito, que não quer arruma uma desculpa”. Sabe a verdade? Eu precisava mudar. Por isso, minhas desculpas se esgotaram. Eu poderia sim correr. Era só dormir um pouco menos e me esforçar um pouco mais (rindo de nervoso, porque não é tão simples assim… eu sei).

Feito: #runningmama ou uma mãe corredora

Matriculada (e preza por um ano) no clube de corrida, lá estava eu 100% equipada para os primeiros treinos. Investi em um tênis, mas não me deixei levar pelo desânimo ao descobrir que o meu guarda-roupa fitness estava horrível… e não era a hora de prior$zar tal — fraldas parecem mais necessárias, neste momento.

Paciência, fui como deu.

Tantos meses de ócio me fizeram perder boa parte do meu preparo físico. Um filho pesado me fez ganhar boas dores nas costas e um corpinho um pouco sem jeito pra prática física.

Porém, enquanto eu me lembrava daqueles comerciais incríveis, com pessoas correndo, felizes, satisfeitas, deixando os problemas para trás, eu me via ali.

Sabe a determinação do atleta? Em partes guardo isso em mim. Foram tantos anos de natação, tênis e outros esportes que levo com seriedade a importância de um treino. Mas percebo que migrei a ideia para minha forma de trabalhar e treinar/educar meu filho.

Já deu pra ficar claro que sempre tive vontade de correr. Mas nunca pensei que conseguiria. Mais uma vez, sabe o mindset fixo? Antes mesmo de tentar, ou no meio do treino, entre uma corridinha e outra, me via pensando em desistir.

Terceiro passo: priorizar e focar

Preciso contar que também sempre funcionei muito bem quando motivada por fatores externos ou por outras pessoas. Mas com o passar dos anos, delegar os meus sentimentos e o meu desenvolvimento aos outros acabou me custando um preço muito caro. Não recomendo.

Ao mesmo tempo, sempre me preocupei demais com a opinião daqueles que fazem parte do meu círculo de convivência. Me cobrava por magoar alguém, ou por não poder fazer tudo do jeito que o outro gostaria.

Mas para, né… com quase 35 anos continuar assim seria ridículo! Por essa razão, me coloquei como prioridade. Assim como penso que se vou perder alguns minutos da companhia do meu filho pela manhã, preciso treinar muito bem! E se vou treinar, vou fazer o trajeto do jeito e no horário que me traz alegria.

Não, eu ainda não corro 5 quilômetros em uma velocidade incrível. Estou começando. Mas vou.

Em alguns momentos, enquanto me vejo cruzando as ruas e curtindo um tempo só pra mim — escutando um podcast ou simplesmente ouvindo os sons da rua —, sinto uma satisfação enorme.

Depois de ter um filho, a gente pode facilmente se pegar utilizando a criança como desculpa para não fazer coisas que nos tiram da nossa zona de conforto. Porém, vejo nisso uma possibilidade para inspirar o pequeno… mostrando que nunca é tarde para buscar algo que desejamos.

Sigo em busca de ser uma mãe corredora. E, aos poucos, ajustando algumas coisas na minha vida. O que mais vem por aí?

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