Cores e Sensualidade em… Volver

Volver, de Almodóvar, lembra feminilidade e sensualidade, mistura que representa a força natural da mulher

Um figurino bem amarrado, marcante, é a essência de um filme. Combinado a uma boa trilha sonora e, claro, uma ótima trama, faz com que qualquer longa seja interessante do início ao fim. Em Volver (drama de 2006, dirigido por Pedro Almodóvar), o trabalho da figurinista Sabine Daigeler deixa sua mensagem ao apresentar a intensidade espanhola, e dos traços herdados por mulheres de uma mesma família, em roupas alegres e sensuais, com uma mistura envolvente de cores vivas e estampas grandes.

Penélope Cruz, na pele de Raimunda, se destaca. A beleza da atriz, aliada ao papel de protagonista, gera forte simpatia com os looks que ela carrega, entre decotes fartos, roupas que marcam a silhueta, ela é pura sensualidade e ainda assim consegue garantir nossa admiração. Aliás, que mulher não quer ser forte e sensual?!

A verdade é que o lado sexy está, sempre, mais na raiz do que na roupa em si, mas pode ser estimulado com o que se veste. A rotina de dona de casa, frente a cozinha, não faz com que Raimunda deixe de lado sua feminilidade. Lembrança, essa, que pode ser levada para a vida.


Mais do que isso, não há medo de ousar. Saltos anabela, sempre confortáveis, conversam com as saias acompanhadas de tricôts e/ou casaquinhos leves que acabam por salientar ainda mais a linha da cintura e, obviamente, as curvas de Penélope Cruz. Entre o drama de mulheres que dominam a história, está o lado sempre emocional, mas ainda assim forte, de personagens reais que vivem uma história absurda – parecidas com aquelas que carregamos em algum momento da vida.

O que também chama atenção é o mix de cabelo preso jogado ao alto com olhos marcados e contrastes vivos entre pele e tecidos. Para uma mulher de personalidade forte, de opinião e atitudes corajosas, ainda que um tanto quanto estranhas, o figurino é resposta direta. Volver, com o talento quase imbatível de Almodóvar, consegue tocar e surpreender, mais do que isso, inspira.

Volver mostra como a morte pode ser vista como algo natural. Volver conta a história de mulheres, casos de uma família, e lembra que assim como Raimunda, podemos ser fortes, rápidas e capazes de recriar uma história – não necessariamente (é óbvio) com as atitudes por ela tomadas.

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