O que eu aprendi sobre identidade visual trabalhando na Rock Content

Antes mesmo de ser jornalista, eu sou designer e consultora de estilo. Mas disso vocês já sabem. O que vocês talvez ainda não saibam é que eu sou produtora editorial na Rock Content, empresa que é referência mundial em marketing de conteúdo.

Para quem não é do meio, o conceito de marketing de conteúdo pode parecer complexo — mas é bem fácil entendê-lo. Marketing de conteúdo é uma maneira de trabalhar a sua presença online e, dessa forma, atrair e fidelizar clientes por meio da produção de conteúdos altamente relevantes.

Ao entrar na Rock, imaginei que aprenderia a dominar métricas e rankear blog posts na primeira página de busca do Google. O que já me animou, confesso. Só não pensei que começaria a entender com mais profundidade o sentido de estilo e identidade visual. É sobre isso que falo com vocês a partir de agora.

Onde marketing de conteúdo e moda se encontram

Identidade visual é o jeito que você se comunica com o mundo. É uma linguagem estética, construída por meio de roupas e complementos, que contam de maneira silenciosa quem você é e quer ser. O seu corte de cabelo, maquiagem, gestos e até mesmo o jeito de andar entram no escopo do estilo, que tende a mudar de acordo com as alterações pelas quais você passa na sua vida.

Vamos falar sobre Anitta. Sua imagem vem mudando com o tempo e a cada novo lançamento ela manipula um tipo de visual, sempre dentro de uma estética sensual. Isso ela não perde e é uma de suas marcas registradas.

Mudam cores, tecidos, mas a cantora mantém com coerência uma mesma pegada sexy e urbana. Com isso é facilmente reconhecida, muito além dos modismos.

Mas o que tem isso a ver com marketing de conteúdo? Marketing de conteúdo é a sua mensagem direta para o mundo, sem interferências e ao alcance de alguns cliques. Pode acabar o Facebook, o Instagram ou o YouTube, o seu blog continua a existir.

Assim é com nossa identidade visual, como é com a imagem de Anitta. As tendências passam, mudam, mas ela continua comunicando a sua personalidade por meio de ferramentas estéticas da sensualidade.

Podem acabar marcas, podem passar as tais tendências, podem mudar os modismos. Tudo bem. Nossas escolhas visuais seguem fortes, quando temos bem alinhado o nosso gosto resumido em roupa.

Estilo relacionado ao funil de vendas

Penso ainda que o funil de vendas pode funcionar como ferramenta de moda, como uma maneira de mostrar os estágios pelos quais a nossa imagem comunica.

Assim como no marketing de conteúdo, a nossa imagem é capaz de gerar atração, consideração e conversão. Não como em uma paquera, mas no sentido de sua imagem pode aproximar o outro, gerar interesse e por fim deixar sua marca.

Já pensou em como essa analogia do funil de vendas do marketing de conteúdo relacionada à identidade visual pode ser útil para imagem profissional, ou para quem está pensando em uma mudança drástica de guarda-roupa?

São formas de construir camadas visuais com os mais diversos objetivos.

Moda ligada à cultura do feedback

No mais, algo que muito se fala na Rock é sobre a importância da comunicação e do feedback. Isso também mudou meu jeito de encarar a moda.

Não existe o errado, o feio e já até falei algumas vezes aqui sobre a questão do gosto pessoal. Só que eu ainda não havia pensado no meu feedback pra mim mesma — e para os outros. Em ser menos crítica e mais generosa. No olhar para dentro, buscando avaliar o que eu acho sobre a minha imagem, descobri novas formas de validação pessoal, com mais empatia.

O marketing de conteúdo, sob a ótica da moda, é a sua identidade visual! É o jeito que você escolhe se comunicar com o mundo e é uma construção 100% sua, pessoal.

Aconteça o que for, ninguém tira de você o seu estilo.

Essa é a minha nova forma de abraçar a moda, pensando cada vez mais na construção de uma mensagem sólida que é compartilhada do jeito que eu escolhi, com uma maneira que permite um visual otimizado é estratégico. O que acha? Deixe um comentário!

Se libertar e evoluir

“Se é verdade que nosso organismo traz em si células-tronco indiferenciadas capazes, como as células embrionárias, de criar todos os diversos órgãos de nosso ser, a humanidade também possui em si as virtudes genéricas que permitem criações novas. Se é verdade que essas virtudes estão adormecidas, inibidas sob as especializações e e a rigidez de nossas sociedades, então as crises generalizadas que as abalam e abalam o planeta poderiam permitir a metamorfose que se tornou algo vital. É por isso que não devemos mais continuar na rota do desenvolvimento. Precisamos mudar de caminho, precisamos de um novo começo”.

A Crise da Modernidade – Rumo ao Abismo? Edgar Morin

As palavras de Edgar Morin são marcantes, vão direto ao ponto. Estamos, de certa forma, amarrados as grandes evoluções de nosso tempo e, em meio a tantas conquistas, sentimos que não conseguimos ir além. Talvez nem bem sabemos o que queremos. Isso não vale apenas para os notáveis passos do desenvolvimento, para grandes descobertas, para um mundo de conquistas mil. Isso vale para cada um de nós, para o que somos e o que queremos ser. Como diz Morin em um de seus textos, somos capazes de criar e recriar; temos em nós, em nossa essência, essa chance de começar de novo e de, assim, sair de onde estamos para ir para outro lugar. O tal do desenvolvimento pode nos amarrar a um certo caminho onde ficamos viciados a olhar apenas para um determinado ponto, presos em uma rota final que é tida como a ideial. Porém, na encruzilhada de informações, nas rotas diversas que moldam nossos caminhos, podemos optar por uma outra saída, escapando do congestionamento que faz com que todos nós tenhamos a sensação de que precisamos de uma mesma e única coisa para encontrar a felicidade.

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E, assim, o mundo pode estar se perdendo em uma ideia fixa de que o futuro, a prosperidade, estará nas grandes tecnologias, na dominação total da medicina. Só que, na verdade, já é possível perceber uma busca por outros desejos, quando vemos a espiritualidade crescendo, quando sentimos que o consumo exagerado já não é mais o único tema abordado pela mídia – pelos comerciais. Vemos algo um pouco diferente, queremos nos emocionar, queremos voltar a ter sensações puras e íntimas que deixamos escapar por entre os dedos na busca por algo de concreto e teoricamente certo, assinado por especialistas e doutores.

Na ânsia pela segurança, descobrimos que temos mais do que precisamos e continuamos sem saber o que será do dia de amanha. Sentimos medo, ficamos tristes, estamos sozinhos… esse é o tal mas estar da pós-modernidade do qual tanto fala Zygmunt Bauman… Isso é um fato, uma realidade. Seremos eternamente incapazes de saber o que será do futuro, mas podemos experimentar novos caminhos e, assim, quebrar um pouco da rigidez de nosso tempo. Podemos ser otimistas. Vale ser otimista!

E na moda, onde isso entra? Entra na história de sair da zona de conforto, de saber que para conquistar o novo é preciso tentar algo de diferente. Já não há mais certo ou errado, há adequado e inadequado. Temos um mundo de possibilidades e ainda assim estamos insatisfeitos com nossa imagem?! Vamos mudar essa história, em busca de autoestima elevada e satisfação pessoal. Vamos parar de postergar o bem estar. O sistema da moda está repleto de cenários e podemos tirar proveito dessas muitas chances que as marcas nos oferecem. Talvez a confiança com nossa imagem está nesse novo caminho, nesse tal novo começo falado por Morin. Nossas virtudes visuais, ou nossas capacidades, não precisam mais estar adormecidas. Vamos nos permitir uma metamorfose, vamos abraçar a felicidade. Sonho?! Talvez sim, talvez não.

Texto publicado, originalmente, em 23 de fevereiro de 2012.

Olimpianas da era digital

Copiadas, invejadas e celebradas as blogueiras são olimpianas da era digital, estabelecendo um novo estilo de adoração.

“No encontro do ímpeto do imaginário para o real e do real para o imaginário, situam-se as vedetes da grande imprensa, os olimpianos modernos.”

Nos blogs e blogueiros de moda, estilo e comportamento o papel da divulgação chega a ser desnecessário, pois a fórmula de sucesso, dos looks à registros de compras, viagens e hábitos, está nessa sintonia entre real e imaginário. As blogueiras estabelecem a substância humana necessária à cultura de massa, naturalmente apresentada como um presente que é oferecido aos que seguem, literalmente, essas bloguers em seus caminhos. Blogueiras de moda, de todo o mundo, são mais que estrelas – são olimpianas.

“Os novos olimpianos são, simultaneamente, magnetizados no imaginário e no real, simultâneamente, ideais inimitáveis e modelos imitáveis; sua dupla natureza é análoga à dupla natureza teológica do horói-deus da religião cristã: olimpianas e olimpianos são sôbre-humanos no papel que eles encarnam, humanos na existência privada que eles levam. A imprensa de massa, ao mesmo tempo que investe os olimpianos de um papel mitológico, mergulha em suas vidas privadas a fim de extrair delas a substância humana que permite a identificação.”

O que facilita o efeito olimpiano das blogueiras (e blogueiros) de moda é o comportamento estabelecido que entrega, de mãos beijadas, de detalhes íntimos de suas vidas privadas. Entre explicações e jusficativas, conversas e revelações, a ligação que se estreita, dia após dia, em sistema de total cumplicidade e fidelidade. A interação via comentários e tweets afina essa sintonia, essa tal amizade, que como resposta abre as portas para uma rede de comércio e negócios da qual as empresas bebem, e se aproveitam, pela credibilidade que essas meninas possuem – e por serem grandes formadoras de opinião. Assim, as blogueiras podem ser vistas como melhores (no quesito utilidade) que as celebridades, pois se banham de uma suposta legimitidade ou mesmo autonomia de escolhas e seleções. A opinião é presente, permanente, mas por vezes a assinatura tem um preço… que ninguém precisa ou deve conhecer.

No prime network de blogs de moda do Brasil, Fashion Hits – F*Hits, um exemplo claro desse processo que reúne os maiores olimpianos da blogosfera brasileira, alguns com impacto e importância no contexto mundial. Por vezes, o sentimento de admiração se mistura à vício; em outros momentos, o processo de dependência leva a necessidade de verificar, dia após dia, o que acontecem com essas pessoas. São amadas e, por consequência, odiadas em um caminho que também chama sentimentos de inveja e ódio.

“Os olimpianos, por meio de sua dupla natureza, divina e humana, efetuam a circulação permanente entre o mundo da projeção e o mundo da identificação. (…) Eles realizam os fantasmas que os mortais não podem realizar, mas chamam os mortais para realizar o imaginário. “

São as blogueiras que realizam os sonhos que muitos gostaria de realizar, que conhecem lugares, destinos e festas que tantos desejavam. Ganham presentes, são convidadas para todos os lançamentos e vivem uma vida que abraça em todos os sentidos o consumismo e o mundo das futilidades – de maneira alguma pejorativo. São elas que conseguiram ser admiradas por muitos, que colecioam milhares de seguidores e dezenas de milhares de acessos diários. São populares, como as meninas gostariam de ser há uma década atrás no colégio. São olimpianas, divinas pela característica de estarem sempre em um posto superior, acima do padrão, e humanas por serem as garotas que nós poderíamos ser.

Importante, acima de tudo, reconhecer que essas características nada mais são que um fruto do tempo, algo da nossa era. Não há novidades, a não ser pelo contato direto com o mundo virtual e com as teconologias. Essa história, hoje tão discutida, sempre existiu com outros atores. Toda sociedade busca seus ídolos, suas referências, como se fosse impossível seguir algum caminho que não seja indicado por algo, ao menos aparentemente, superior e mais repleto de sabedoria. Cabe pensar nos olimpianos, ou nas blogueiras olimpianas da era digital, como os símbolos da atual industria cultural que, já instaurada e firme em seu caminho, ainda deixa suas manchas na busca pelo constante e permanete lucro.

As frases são trêchos de um texto de Edgar Morin, em Cultura de Massa no Século XX.

A tendência e o corpo

Uma tendência é uma ideia, pensada e fabricada dentro das referências de uma temporada. Nada é colocado nas araras por acaso e são raras as marcas que trabalham fora dessa concepção de pensamento pronto; o conceito, o tema, é inserido quase sempre no fim da história. A sincronia de detalhes, de cores e formas não sai do acaso, mas sim de um estudo prévio do que estará em voga numa determinada época – e essa informação pode ser comprada em bureaus de estilo (pense em WGSN). O que importa para nós, como consumidores, é que recebemos um leque de opções que estarão disponíveis para nosso consumo; para vestir, e comprar, devemos trabalhar com essa oferta. Claro, você pode pensar em costureiras e roupas sob medida, mas como produto pronto (como prêt-à-porter), há uma massificação do que é ofertado. Hoje, por exemplo, vemos a exaustão o militarismo, o navy, o liberty… tudo isso repetido e reproduzido dentro das características próprias de cada marca – seja num comprimento mais encurtado ou reproduzido em tecidos de alta qualidade.

A questão é que seja lá qual for a tendência ela interage com pessoas vivas, cheias de vontades e opiniões; para isso é preciso deixar de lado o pensamento de ordem e abraçar a ideia de uma orientação. Manipular uma tendência, brincar com a oferta, fortalece a criação de sua identidade. A moda não é estática, assim como o consumidor também não é. Tudo muda a todo tempo e nesse jogo as chances de se obter sucesso cresce para quem se coloca em primeiro plano, bem a frente do que chega pronto e é assimilado sob a forma de imposição.

É preciso pensar que vestir o corpo é dar forma, cor, vida a alma e a tudo o que somos de forma não palpável. Somos pensamentos, sentimentos, emoções, crenças e tudo isso é materializado pelo que usamos. A vontade de comunicar, de conversar e dialogar (não só via palavras) é natural de todo ser vivo e olha só que chance maravilhosa é essa de poder enviar mensagens sem precisar soltar a voz. A fala, no caso de contato visual, chega bem depois da imagem… é o impacto do contato visual que gera aquela primeira impressão já cheia de conclusões. Com isso o corpo, em sua forma interiorizada, ganha ainda vida de maneira plena quando pensamos nos gestos e anexos.

A partir disso abre-se o leque para um mar de pensamentos ligados ao corpo, a tendência e a moda. Essas ideias serão apresentadas aos poucos, num momento bem pertinente – de onde virão também tendências futuras. Acontece que o tema do Minas Trend Preview, edição outono inverno 2011 (oi?!), será… o Grupo Corpo, numa total onda do corpo em si. Lembra que já relacionamos expressão, imagem, estilo e dança nesse outro post?! Pois bem. Essa relação entre o corpo, o Grupo Corpo e a moda será exposta no evento que trás a temática como homenagem, mas também como uma lembrança para a expressão pessoal em forma de identidade e estilo pessoal. E tudo isso vem junto desse processo de elevação da auto estima pela qual conseguimos ganhar qualidade de vida (mesmo!) e satisfação não pelo resultado de imagem por si mas também, e principalmente, pela capacidade de comunicar e expor sentimentos de forma rica e plena.

Sobre ser mediano…

Para refletir e começar a semana…

“A diferença entre as estrelas e os medianos é que as estrelas não se contentam com a média. (…) Se você se contenta com a média, paciência. Mas há um preço para isso. Sabe qual é? Ter salário médio, visibilidade média, reconhecimento médio, reputação média, bônus médio, uma carreira médio, empresa média, vida média. E o pior: sua segurança também será média. Porque, acredite, os médios nunca estão seguros em lugar algum. Sempre pode surgir uma estrela no seu segmento, e aí sua medianidade ficará exposta. Cuide-se.”

Trecho do livro de Arthur Bender, Personal Branding – Construindo sua marca pessoal.