Vestir não precisa ser tão complicado

Quando eu digo que vestir não precisa ser tão complicado estou pensando nas muitas situações que acontecem com todo mundo. A dúvida de não saber como combinar, a insegurança para realizar boas compras, a insatisfação com a imagem produzida, a demora em decidir o que colocar. Tudo isso representa parte do dia-a-dia, uma fatia do dia da qual é impossível fugir. Mas, nem por isso, essa tarefa é algo ensinado nas aulas do colégio. Vestir é algo que aprendemos com a vida e com as referências que nos cercam. A mãe que ajuda nas compras, o pai que palpita sobre o resultado final, a irmã mais velha que dá dicas ou mesmo a estrela da televisão que é naturalmente copiada como ótima inspiração. Acontece que da mesma forma que existem esses auxílios positivos são muitos os momentos de crítica inversa, que geram efeitos ruins. O olhar torto da amiga, o balde de água fria do namorado, a mãe que solta uma frase de desaprovação e os colegas que insistem que você gasta muito com roupa. Vestir não precisa ser complicado simplesmente porque não é. Nós é que complicamos essa tarefa pelas experiências que temos no decorrer de nossa história. Tem lógica?! =)

Quanto vale?

Hoje gastei o tempo entre um atendimento e outro para brincar de provar as peças da coleção da Espaço Fashion para a C&A, depois corri para a Zara por questão de hábito. As roupas são bonitinhas, bem engraçadinhas mesmo; atenção especial para as estampas e para os shorts/saias de comprimento mini. Tudo bem. Gostei de várias coisas, achei outras de péssima qualidade, mas não comprei nada. Não fui para comprar. Ao sair da loja, em coisas de twitter (me segue lá, sou @alburcas) encontrei por acaso com Ana Pedras (colega de profissão, blogueira, que me deixou mais louca ainda por um ipad) e Isabel Borges (leia-se De Viés). Ao ver a etiqueta de uma das compras da Isabel, Ana disse: “nossa, como as coisas estão caras”. É verdade. As coisas, principalmente as roupas, estão caras. Me senti bem por não ser a única a achar isso… porque não consigo pensar em outra coisa e não tenho argumentos para justificar preços com clientes, o que melhora meu trabalho já que o mesmo fica mais valorizado pela relação entre custo e benefício. Eba. Comprar bem em tempos de coisas caras é tudo o que se precisa para não passar raiva. Mas, voltano para as tais ‘coisas caras’… coleções especiais tem um preço alto que cai direto na etiqueta. Vale a pena? Por mais que as peças sejam bem parecidas com as da marca original, principalmente num caso como o da Espaço Fashion, há de ter a noção clara de que não passa de C&A – fast fashion; são peças marcadas que muita gente vai ter, principalmente nos grupinhos mais ligados a essas linhas. Ok, legal. Existem pontos fortes e fracos nessa brincadeira que já tratei em outro post, sendo até crítica demais.

E o mesmo vale para a Zara. Provei, provei e provei. Amei uma blusa, talvez até compraria, mas R$80 numa peça que estava cheia de defeitos é muito para o meu bolso… pesa, vai estragar mais ainda com o tempo e logo vou ter que parar de usar não por vontade mas por qualidade. Se alguma das peças não tivesse defeito, se custasse metade disso, ou menos como vemos nas redes gringas… outra história.

Sim, as coisas estão caras mas não venham me culpar exclusivamente os impostos. Dia desses no Pense Moda houve uma boa discussão sobre produtos importados vendidos no Brasil. Não estava lá, mas acompanhei tudo aqui pela internet. Deu um bafafá e eu não conseguia parar de pensar… quer fazer a indústria da moda brasileira falir? Deixa entrar por aqui todo e qualquer produto importado com preço baixo… vai ser um desastre! Pensem. Enfim, os impostos estão ai e são sim altos principalmente em bens supérfluos (quiçá os importados, que possuem similares no mercado nacional) mas não dá para culpar exclusivamente o governo e não pensar no outro lado. É questão de proteger o mercado interno. E a gente precisa mesmo de roupas importadas? Acho que quem precisa tanto pode ir fazer suas compras nos Estados Unidos ou em qualquer país da Europa e pronto. Não me venha com mimimi de quero minha Louis Vuitton por 1.500… zZzZZzz Temos bolsas legais aqui também e existem tantas outras marcas lá fora… Só me dói nos eletrônicos, mas é só ter paciência para esperar uma viagem, ter bons contatos que viajam muito ou pagar mais caro por aqui – e parcelar de 10x, coisas do nosso brasilsilsil país do futuro.

Assim, então, tentando voltar para o ponto inicial… será que não é possível também importar os preços bonitos? Blusinhas por 9,90, calças por 29,90, jaquetas por 37,90… estou sendo muito Pollyanna?! Talvez. Mas sei quanto custa tecido direto na fábrica, sei quanto ganha uma costureira de facção… é só fazer as contas e não produzir em minas que possui uma carga tributária absurda (sabia?! até diminuíram quase pela metade em certos pontos, no meio do ano, but…). Enquanto os preços forem caros fico com meus hábitos de sempre, cada vez mais fechados. Poucas roupas, muitos acessórios, peças que duram e um guarda-roupa com a minha cara e não com a cara da estação. Até que sou bem feliz assim.

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