Informação superficial serve?!

Muito se fala e se discute sobre o conteúdo dos blogs de moda, principalmente aqueles que fazem mais sucesso em questão de visitas e acessos. Fato: acesso não representa qualidade, assim como ibope televisivo não é tradução de bom material. Claro. Se a novela tem picos altíssimos não significa que ela é melhor que o programa matinal de receitas e assuntos gerais. Acontece que o jornalismo como mercadoria, num processo da própria evolução desse campo, leva a tona o sucesso dessa informação direta e superficial que entretêm e vende de maneira inconsciente, assim como a publicidade quer. A contextualização com o panorama atual nos faz perceber que sim, é o prazer do fútil e/ou pouco útil que grande parte do público quer. Ou pensa que quer.

Talvez o leitor, o espectador, o ouvinte tenha sido lentamente educado a acreditar que aquela informação fácil é o que ele aguenta, o que ele precisa depois de um dia cansativo. Talvez, se se der uma chance, ele (ou nós) podemos perceber que somos muito capazes de sair da superfície e entrar mais fundo em cada ponto. Importante ser expert em todos os assuntos?! Não, jamais. Mas já pensou que talvez estamos sempre na primeira camada da informação?! Ao ler somente a chamada da notícia, ao parar no primeiro parágrafo, ao olhar só imagens e ver apenas as partes grifadas acabamos educados a aceitar a informação direta – mastigada, entregue de bandeja. Assim, usamos o que nos é imposto, gostamos do que aparece na capa da revista, copiamos o look que certas blogueiras ou stylists apresentam como boa ideia. Reproduções do que é massificado. Vixi. Talvez aquela nem seja, para você, uma imagem visualmente bonita… talvez você não precisa se sentir culpada, ou culpado, em não gostar – em desgostar. Vale a pena investir tempo em reflexão.

Ao se entregar a informação superficial, à pirâmide que nos faz beber um mix de fatores importantes previamente estabelecidos, estamos aceitando que talvez somos incapazes de pensar e de realizar nossas próprias escolhas. É algo como: me entregue o que pensar, me dê o que vestir, me mostre do que gostar e liste para mim conclusões e opiniões finais. Discordar, escolher, sair do padrão é saudável, é inteligente. Ir além é ser esperto, é pensar. Pensar cansa, claro – requer um mínimo esforço. Mas todos se esforçam por algo… se esforçam para conquistar uma pessoa bacana, para ter um corpo bonito, para conseguir aquele ingresso esgotado ou mesmo para comprar aquilo que tanto queria.

Ler não cansa. A leitura é um exercício, daqueles que podem ser trabalhados dia após dia. Ler engrandece independente do assunto, vale um livro, o jornal (não o tablóide de 0,25), a revista de moda, de cultura, de economia ou seja lá do que for. Deixar de ser superficial é o que gera diferenciação. Você é diferente, e melhor, que os demais. Mente quem diz que ser só mais um é legal. Isso pesa, pesa na vida pessoal e pesa demais no ambiente profissional. Já pensou? Já sentiu isso na pele? Pois é.

Por isso acho que quando falamos muito sobre a situação do blogs de moda estamos, de certa forma, gritando ‘culpado’ para uma esfera de uma situação geral. O que preocupa, ou assusta, é essa visão global que mostra que em todos os lados muitos se limitam ao que entretêm e pouco querem saber do que engrandece e informa.

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Por uma vida menos virtual

Hoje em dia trocar telefones parece já não ser mais o suficiente. Uma lista de outras conexões parece complicar, e atrapalhar, toda a história do conhecer e decifrar – que deveria ser lenta e pausada pelo bom desenvolvimento da situação. A internet, como ferramenta, pode sim ser extremamente útil aproximando as pessoas, mas por outro lado acaba afastando e bagunçando alguns tipos de relacionamentos que mal existe. É como se o excesso de informação apresentada em pouco tempo, pelas páginas do facebook, postagens em blogs ou tweets, lhe contassem prematuramente detalhes que você só descobriria após um certo envolvimento – não causando grande choque ou até repulsa. Além disso o tão instantâneo messenger lhe coloca em contato direto (24/7) com pessoas das quais você deseja algo menos virtual, como uma simples ligação ou um sms… Onde fica a ansiedade para que isso aconteça? Não há tanta graça em acordar e descobrir que você já foi rastreado de todas as maneiras possíveis. Nisso o que perde é a vida real que se esvai entre as conexões virtuais. Não mais que de repente lhe cercam por mil e um pontos que você mesmo alimenta dia após dia com postagens inocentes – e naturalmente você também entra nessa brincadeira mente quem diz que não. Foursquare, instagram… e aí?! Fica a decepção ao perceber que num possível encontro real tudo o que poderia ser discutido de forma animada já foi contado pelo teclado. Que grande perda! Ainda pior é quando a troca virtual lhe tira tudo o que você tem de melhor… aquelas coisas que ganham brilho e graça no contato direto, na troca de olhares. Qual o charme em um status de online?! Um emotiocon?! Lamentavelmente é preciso se cercar de diversos lados para ter certeza de que algo de demais não foi revelado para alguém que você acabou de conhecer. E bom seria se voltassemos ao tempo do telefone, do fixo… no tempo da espera, da ligação que chega quando você menos imagina. Do encontro leve com perguntas naturais… tudo para que a graça da história não fique em chats sem graça. Cada vez mais a favor de uma vida e de relacionamento menos virtuais.

Marcas estéticas, nunca internas

Cicatrizes são marcas da vida, partes de histórias ou fases pelas quais passamos. São lembranças que ficam na memória, por razões que podem ser boas ou ruins. A questão é que lidar bem com essa(s) cicatriz(es) é algo, por vezes, não tão fácil que pode acabar dificultando pontos da imagem (e auto-estima) que nem deveriam estar ligados à tais ideias. Marcas permanentes não devem causar desconforto ou vergonha, devem ser incorporadas ao que você é sem que isso gere sensação de estranheza – mesmo que íntima.

Abraçar suas cicatrizes, assim como acatamos nossas naturais proporções e características pessoais, é o caminho mais leve e curto para o encontro com a tão ambicionada felicidade e paz de espírito.

Quem assiste ao programa Top Chef com certeza já reparou em Padma Lakshmi, apresentadora que chama atenção por sua elegância e beleza. Ainda muito jovem, aos 14 anos, a modelo sofreu um acidente que lhe deixou uma cicatriz relativamente grande no braço direito – entre ombro e cotovelo. Esse detalhe passa facilmente despercebido pela naturalidade de Padma que não busca blusas com mangas para disfarçar e esconder a cicatriz. Símbolo e referência de auto-estima elevada.

De toda forma falo, um pouco (ou muito), por conhecimento de causa. Aprendi desde muito nova a lidar bem com cicatrizes que, principalmente em tempos de colégio, geravam grande curiosidade. Vi que melhor que se ofender é explicar, ainda que superficialmente; vi que as pessoas são sim crueis quando querem ser, mas a sensação de incômodo nada mais é que uma projeção de problemas internos. Quem tanto estranha, ou se incomoda, com marcas em outros deve guardar em si marcas invisíveis terríveis bem mais difíceis de superar e por isso acaba vendo na exposição de histórias dos outros uma forma de aliviar tensões que machucam por dentro…

Assumir suas marcas, suas cicatrizes, é o que as deixa ainda menores e menos importantes. Quando você esquece que as possui, não por vergonha mas por ter incorporado de fato aquilo, tudo fica mais fácil e é um peso a menos para se carregar na vida.

Vestir não precisa ser tão complicado

Quando eu digo que vestir não precisa ser tão complicado estou pensando nas muitas situações que acontecem com todo mundo. A dúvida de não saber como combinar, a insegurança para realizar boas compras, a insatisfação com a imagem produzida, a demora em decidir o que colocar. Tudo isso representa parte do dia-a-dia, uma fatia do dia da qual é impossível fugir. Mas, nem por isso, essa tarefa é algo ensinado nas aulas do colégio. Vestir é algo que aprendemos com a vida e com as referências que nos cercam. A mãe que ajuda nas compras, o pai que palpita sobre o resultado final, a irmã mais velha que dá dicas ou mesmo a estrela da televisão que é naturalmente copiada como ótima inspiração. Acontece que da mesma forma que existem esses auxílios positivos são muitos os momentos de crítica inversa, que geram efeitos ruins. O olhar torto da amiga, o balde de água fria do namorado, a mãe que solta uma frase de desaprovação e os colegas que insistem que você gasta muito com roupa. Vestir não precisa ser complicado simplesmente porque não é. Nós é que complicamos essa tarefa pelas experiências que temos no decorrer de nossa história. Tem lógica?! =)

Quanto vale?

Hoje gastei o tempo entre um atendimento e outro para brincar de provar as peças da coleção da Espaço Fashion para a C&A, depois corri para a Zara por questão de hábito. As roupas são bonitinhas, bem engraçadinhas mesmo; atenção especial para as estampas e para os shorts/saias de comprimento mini. Tudo bem. Gostei de várias coisas, achei outras de péssima qualidade, mas não comprei nada. Não fui para comprar. Ao sair da loja, em coisas de twitter (me segue lá, sou @alburcas) encontrei por acaso com Ana Pedras (colega de profissão, blogueira, que me deixou mais louca ainda por um ipad) e Isabel Borges (leia-se De Viés). Ao ver a etiqueta de uma das compras da Isabel, Ana disse: “nossa, como as coisas estão caras”. É verdade. As coisas, principalmente as roupas, estão caras. Me senti bem por não ser a única a achar isso… porque não consigo pensar em outra coisa e não tenho argumentos para justificar preços com clientes, o que melhora meu trabalho já que o mesmo fica mais valorizado pela relação entre custo e benefício. Eba. Comprar bem em tempos de coisas caras é tudo o que se precisa para não passar raiva. Mas, voltano para as tais ‘coisas caras’… coleções especiais tem um preço alto que cai direto na etiqueta. Vale a pena? Por mais que as peças sejam bem parecidas com as da marca original, principalmente num caso como o da Espaço Fashion, há de ter a noção clara de que não passa de C&A – fast fashion; são peças marcadas que muita gente vai ter, principalmente nos grupinhos mais ligados a essas linhas. Ok, legal. Existem pontos fortes e fracos nessa brincadeira que já tratei em outro post, sendo até crítica demais.

E o mesmo vale para a Zara. Provei, provei e provei. Amei uma blusa, talvez até compraria, mas R$80 numa peça que estava cheia de defeitos é muito para o meu bolso… pesa, vai estragar mais ainda com o tempo e logo vou ter que parar de usar não por vontade mas por qualidade. Se alguma das peças não tivesse defeito, se custasse metade disso, ou menos como vemos nas redes gringas… outra história.

Sim, as coisas estão caras mas não venham me culpar exclusivamente os impostos. Dia desses no Pense Moda houve uma boa discussão sobre produtos importados vendidos no Brasil. Não estava lá, mas acompanhei tudo aqui pela internet. Deu um bafafá e eu não conseguia parar de pensar… quer fazer a indústria da moda brasileira falir? Deixa entrar por aqui todo e qualquer produto importado com preço baixo… vai ser um desastre! Pensem. Enfim, os impostos estão ai e são sim altos principalmente em bens supérfluos (quiçá os importados, que possuem similares no mercado nacional) mas não dá para culpar exclusivamente o governo e não pensar no outro lado. É questão de proteger o mercado interno. E a gente precisa mesmo de roupas importadas? Acho que quem precisa tanto pode ir fazer suas compras nos Estados Unidos ou em qualquer país da Europa e pronto. Não me venha com mimimi de quero minha Louis Vuitton por 1.500… zZzZZzz Temos bolsas legais aqui também e existem tantas outras marcas lá fora… Só me dói nos eletrônicos, mas é só ter paciência para esperar uma viagem, ter bons contatos que viajam muito ou pagar mais caro por aqui – e parcelar de 10x, coisas do nosso brasilsilsil país do futuro.

Assim, então, tentando voltar para o ponto inicial… será que não é possível também importar os preços bonitos? Blusinhas por 9,90, calças por 29,90, jaquetas por 37,90… estou sendo muito Pollyanna?! Talvez. Mas sei quanto custa tecido direto na fábrica, sei quanto ganha uma costureira de facção… é só fazer as contas e não produzir em minas que possui uma carga tributária absurda (sabia?! até diminuíram quase pela metade em certos pontos, no meio do ano, but…). Enquanto os preços forem caros fico com meus hábitos de sempre, cada vez mais fechados. Poucas roupas, muitos acessórios, peças que duram e um guarda-roupa com a minha cara e não com a cara da estação. Até que sou bem feliz assim.

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