Aquela compra apressada e errada, também já fiz

Lá se foram, não sei, talvez 20 anos.

Eu morava em Sete Lagoas e havia uma loja chamada Sabata’s. Ela era o máximo – pra mim, uma menina do interior. Tratava-se de uma multimarcas que vendia todas as grifes bacanas da época.

Zapping, Zoomp, Fórum, Iodice, Ellus, Triton… esqueci alguma? Muito provável.

Até hoje tenho e uso um blazer que minha mãe me deu pra eu usar nas festinhas, comprado na tal Sabata’s… era bem esquisito na época, hoje é quase vintage, com modelagem larguinha (questão de tempo).

Mas, então, voltamos pra tal Sabata’s.

Tudo na loja era “caro”. Principalmente pra uma menina de 12 anos. E meu pai, de tempos em tempos – em datas especiais – nos presenteava com um cheque em branco. Sim, um cheque. E podíamos (eu e minha irmã) gastar 100 reais, cada. Era o suficiente pra comprar uma blusinha e uma calça. Com muita sorte.

E a gente operava o milagre, com alegria.

Vamos ao que importa

Só que não é isso que importa. O que importa é que duas vezes por ano, a Sabata’s realizava uma mega liquidação. E na época era surreal.

Liquidação de verdade, eu estou falando.

Imagina um outlet dos Estados Unidos. Aquela loucura. 50% de desconto. Talvez 70%. Era assim. As pessoas faziam fila.

Eu sempre estava na fila.

Sair mais cedo da aula, e pegar a liquidação logo no começo, era normal.

A situação fazia com que aquilo virasse quase um evento na cidade. Você encontrava com todo mundo ali. Coisas do interior, sabe?

Bons tempos, em partes.

Porque preciso ser sincera. Eu comprava muito mais do que precisava. E, pra piorar, comprava tudo errado.

Tudo tão errado, que dói lembrar

Levava calça grande, porque era o que tinha. Escolhia blusinha apertada, porque era o que tinha sobrado. Pouco importava se me servia bem.

Era de marca, tá bom? E a menina que fui só pensava nisso – na etiqueta.

Por causa disso eu passava os meses seguintes usando roupas que odiava. E lembro de uma blusinha de alcinha vermelha, curtinha, que nunca ficaria bem em mim.

Ela ficava péssima no meu corpo. Mas, eu tinha comprado e tinha que usar.

Quase consigo lembrar da menina insegura que eu era tentando fazer aquelas peças erradas funcionarem, em frente ao espelho do armário. Incluindo a blusinha vermelha.

Falo de horas de “produção”.

Essas compras erradas multiplicavam o meu sofrimento nos finais de semana. Na hora de sair pra balada. Eu só me sentia mal. Feia, gorda, estranha, esquisita, totalmente errada perto das meninas lindas que estudavam no mesmo colégio que eu. Totalmente diferente. Mas não no sentido bom.

Por isso quando vejo uma cliente relatar que mantém no guarda-roupa uma peça que não usa, que não gosta e que só usa com sobreposições (ou jeitinhos) lembro instantaneamente do que eu sentia.

Repito que não era bom.

Essa história de comprar errado…

São muitas as razões que fazem a gente comprar errado. Pode ser o preço. Pode ser o desejo de usar uma tendência. A ansiedade. Ou a insegurança. Pode ser o desconhecimento das nossas curvas. Talvez a pressa. No entanto, não é isso que gera a decepção constante em frente ao armário. É manter-se no erro – seguir usando algo que não é legal – que faz tudo ficar ainda pior.

Por isso eu sempre digo: livre-se do que não funciona em você. Não repita compras erradas.

Não compre o que não serve em você hoje! Não leve pra casa algo só pelo preço, por ser tendência, por ficar legal em alguém que você conhece (ou viu em algum lugar).

Pense 1, 2, 3 vezes antes de finalizar a compra. Evite a correria.

Como eu queria poder voltar no tempo e cancelar essas loucuras feitas em liquidações. A tristeza que se arrastava por ter no armário um monte de peças “de marca”. Que eu comprava por preços absurdos de baixos, sem entender que elas estavam ali, encalhadas, por um motivo muito especial. Porque eram péssimas pela modelagem, pelo estilo, pela forma ou pelo tecido.

Como eu queria ir em uma dessas liquidações da Sabata’s, hoje, e tentar operar um dos meus milagres da boa compra. Seria um real teste.

Voltar no tempo, me permitir resgatar memórias e lembranças da adolescente que fui – e que sofria demais com o visual – me ajuda a compreender emoções e sensações que vejo hoje em atendimentos.

É interessante.

A gente não precisa e nem deve se prender ao erros do passado. Precisamos olhar pra frente. Aprender e superar.

O hoje é perfeito para começar algo novo (e melhor).

Pode usar Crocs? O que um look de cliente me ensinou

Uma foto enviada por uma cliente, e um Crocs como calçado escolhido para o look, me fez pensar e repensar minha maneira de avaliar as imagens que chegam para mim.

A profissional que fui no meu início de carreira, 10 anos atrás, diria sem pensar que aquele calçado – o tal Crocs – deveria ser abolido do guarda-roupa. A consultora de estilo que sou hoje pensa diferente.

Não importa tanto as regras, as opiniões, os padrões ou os detalhes meramente estéticos de um item. O que vale é a relação de quem usa com aquela roupa ou acessório.

Polêmicas à parte, é feio assim?

Crocs são polêmicos. É um item de plástico, pesado, visualmente grosseiro e com um visual quase que infantil. Mas, são confortáveis.

A sandália de plástico – o tal Crocs – pode ser facilmente lavada. Por isso é muito escolhida por profissionais da saúde e do setor da alimentação. Mas não estou aqui para defender o sapatinho. Nem precisaria.

Estou aqui para defender as ideias de minhas clientes. E tentar mostrar para elas possibilidades. Ainda que essas passem pelo uso de itens não tão comuns.

Enquanto eu analisava a foto do look com Crocs, me peguei pensando em todos os calçados esteticamente estranhos que já não foram ou são tendência.

Lembrei daqueles que até mesmo indiquei ou coloquei em listas de compras.

E pensei no gosto pessoal. Na utilidade. Na função.

Será que quero um Crocs?

É fácil saber o que faz a tal sandália Crocs ser tão julgada. Ela é tudo o que não é o tradicional e delicado calçado feminino. A sandália de salto vertiginoso. O scarpin. A sapatilha com bico redondo. O delicado, o sexy…

Mas, o que faz do Crocs tão pior que um oxford com salto plataforma, por exemplo? É tudo questão de gosto. De momento. De modismo. E, no fim, o que importa?

São só calçados. O Crocs. A bota Ugg. O sapato ortopédico. A Havaianas. O tênis da modinha…

Acontece que eu não sou a consultora de estilo que anda por aí impecável, com look coordenado, bolsa de grife, maquiagem e cabelos feitos. Nada disso. Sou aquela que vive feliz com o guarda-roupa. Que compra pouca roupa. Que não acha o fim do mundo uma cliente que sua Crocs. Ou Ugg. Ou legging. Que apresenta sugestões, mostra ideias, mas não impõem.

Talvez eu seja a consultora de estilo que quer experimentar um Crocs! E fazer parzinho com o filho. Os dois de Crocs. Quem sabe?

E vamos pensar, com honestidade. Se Crocs lança um calçado em parceira com uma super grife, vira tendência. Aconteceu com tenebroso Crocs plataforma, lançado pela Balenciaga. Cadê o conforto?

Já teve o Crocs de Christopher Kane. As pessoas desejaram. Compraram. Pois é, pagaram caro… E pode vir mais forte, em outro momento. Alguém duvida?

Tudo depende do ponto de vista. De quem usa. Basta lembrar da bolsa de feira que virou itens da moda.

Gosta de Crocs? Use. E eu te ajudo a usar da melhor maneira, para você!

Ser feliz é uma escolha

Não há fórmula para amar, assim como não há fórmula para ser feliz.

Amor e felicidade estão ligados. Partem do princípio de se permitir sentir e viver algo bom. Para tal, por vezes é preciso minimizar os detalhes ruins que sempre existem… e focar no lado bonito de uma história.

Sempre, sempre, amar, assim como ser feliz, é uma escolha pessoal.

Depositar todas as esperanças da sua felicidade em alguém é entregar o leme de sua vida para um estranho. Que por mais próximo que seja, não é você.

Você, você… e você

O rumo dos seus dias são de sua responsabilidade.

Não há sentido em abrir mão de algo tão grande e tão determinante para a sua história. Seja nos relacionamentos amorosos ou em outras ligações afetivas, precisamos aprender e aceitar que vamos nos decepcionar, vamos nos surpreender – negativamente e positivamente – mas que, no fim, nossos sentimento dependem apenas de nós.

Ser feliz é uma escolha.

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Porque sinto pena da menina que fui

A cada vez que eu escuto um “cabelo ruim”, remetendo ao cabelo cacheado ou crespo, eu lembro daquela menina de 11 anos que, uma vez por semana, ía ao salão fazer escova e passava o máximo de dias possível sem lavar os fios.

Porque cabelo liso é que era bom e bonito.

Eu lembro daquela menina que odiava as aulas de natação – mesmo sendo boa – porque tinha que, depois lavar os cabelos… O que fazia surgir, de volta, o tal cabelo natural. Cacheado. Ruim.

Lembro da menina que amava as aulas de jazz, mas se sentia horrível a cada vez que se via no espelho. Porque o cabelo cacheado tinha muito frizz. E, nas aulas de ballet, o coque nunca ficava tão impecável quanto o de meninas com cabelo liso… Era preciso muito creme, muito gel, o que só deixava o cabelo ressecado.

Essa menina fui eu.

Meu tal cabelo ruim

Hoje, a cada vez que me falam do cabelo ruim, do cabelo cacheado ruim – quando, por exemplo, eu disse que queria que meu filho tivesse cabelo cacheado como o meu, e não lisinho e louro – eu sinto pena da adolescente que fui.

O que me faz querer usar mais e mais meus cachos. Mais cacheados. Mais volumosos. O quanto menos possível.

E quem não gosta dos meus cachos, não gosta de mim. Porque eu sou uma mulher de cabelos cacheados. Uma mulher que lá em algum momento dos anos 80, dispensaria o difusor.

Meu cabelo liso e tão ruim…

As coisas são muito malucas. E hoje eu vejo como o meu cabelo alisado, oleoso, sofrido debaixo de uma hora debaixo do secador – depois da chapinha e, por fim, a escova progressiva cheia de formol – era ruim.

O meu cabelo alisado, pra mim, era ruim.

Principalmente quando me limitava. Quando me fazia desgostar de coisas que me traziam felicidade.

Mesmo quando a progressiva fez do meu cabelo um cabelo que enganava bem, quase um liso natural – e que sim, lá pelos 20 e poucos anos era um cabelo bonito – eu não me sentia tão melhor que agora.

Bom, pra mim, hoje, é tomar um banho, lavar os cabelos e não me preocupar com mais nada. É não ter que passar o dia no salão fritando debaixo da chapinha e do produto que, supostamente, não tem formol.

Liberdade é meu cabelo cacheado. Que para alguns é ruim. E pra mim é meu. Bom, ótimo, lindo, natural. É meu. Puro. Minha essência. 

Sinto pena da menina que fui. Mas me orgulho da mulher que me tornei.

Até quando esperar?

Sempre escutamos que devemos viver o hoje. E sim, assim tentamos. Ao menos na teoria. Mas, ainda que inconscientemente, por muitas vezes postergarmos escolhas, decisões ou investimentos por medo do que pode vir depois. Ou, então, por não acreditar que a hora em questão é a hora exata para tal.

Mas, até quanto esperar?

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Toda hora é hora

Há, por exemplo, quem acredite que é essencial aguardar a chegada (na vida) de alguém especial para usar aquela lingerie cara, a camisola linda, ou mesmo a roupa de cama de altíssima qualidade.

No baú das esperanças há mais do que um enxoval de casamento (ou relacionamento). Há um enxoval de emoções que presas aguardam o outro, o olhar do outro, a concordância do outro.

Enquanto isso, a roupa mais ou menos segue servindo… A calcinha furada, o pijama rasgado, a toalha dura de tão judiada…

Não dá.

Tudo isso enquanto no armário existem tantas opções melhores para se alegrar e mimar a autoestima…

Sobre amos próprio

Somos nós o nosso mais puro tesouro. E, sim, devemos nos amar para conseguirmos amar plenamente outra pessoa ou mesmo nossa profissão.

Quanto melhor nos sentirmos, melhor iremos nos comunicar e relacionar com o outro e, por que não?, com a vida.

Por isso, mude a sua maneira de se cuidar. Todos saem ganhando. Coisas interessantes – incluindo o jogo de pratos bacana, o jeans perfeito e o perfume importado – não foram compradas para ficar esperando.

A autorização para se mostrar melhor parte, também, daquela liberação íntima e pessoal para ser uma pessoa melhor no momento atual. Sem precisar esperar o próximo mês, o próximo ano, o 13º, a herança prometida pelo tio-avô, ou o resultado da próxima rodada da Mega.

Dentro do possível, a hora é agora.

A hora para se exercitar, para organizar a casa, jogar fora o lixo acumulado, retocar o cabelo, costurar as roupas rasgadas, seja o que for! Não há férias ou folga, dinheiro extra ou bônus que façam despertar o gosto pela mudança.

Ser a melhor versão do que somos depende de nós e pode começar agora!

E para quem acredita que é preciso esperar a riqueza para ter um estilo de vida diferente, investir no visual, adequar o guarda-roupa a uma imagem tão desejada, pensar mais em espiritualidade, melhorar o relacionamento com a família, ou simplesmente começar a pensar mais em si mesmo, saiba que não é bem assim que funciona.

O dinheiro apenas amplifica o que somos. Ou seja, não muda a nossa essência.

Uma pessoa com baixa autoestima e pouca confiança será sempre assim, caso não abrace o poder da transformação.

Invista em você! Conheça a consultoria de estilo: amanda@amandamedeiros.com.