Pelo direito de não se arrumar

Gosto de me arrumar. De me produzir. Sou vaidosa e não dispenso, no dia a dia, uma roupa que me deixa feliz e confiante, além de um mínimo de maquiagem.

Gosto das unhas limpas, se possível pintadas, e do cabelo ajeitado. Meus hábitos, no entanto, não me fazem deixar de sair, ou viver, quando não consigo esse mínimo que me satisfaz…

Acima de tudo, parceira

Tenho uma relação com as roupas que é de companheirismo. De cumplicidade. Acredito em peças e artifícios que facilitam e melhoram a minha imagem, sem atrapalhar o meu dia.

Coloco a vontade de viver e de aproveitar o que tenho como paixão e prioridade, antes mesmo da minha aparência. Prefiro umas gordurinhas e celulites à passar meus dias de dieta. Sou mais o conforto para correr, dançar, pular (e fugir de baratas na rua) à um salto alto.

Mas essas são as minhas escolhas. O jeito que sou, hoje. E acho que é isso que importa. Que cada um possa descobrir o que é prioridade na sua vida. E ter em mente que prioridades são, claro, pessoais. E não parte de um convencimento externo, seja por uma imposição da mãe, do marido, uma ideia da amiga, ou da mídia.

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Beleza nas imperfeições

Acredito que não precisamos, sempre, buscar o perfeito ou um impecável. Há muita beleza nas imperfeições. Quando temos essência, conteúdo, o pacote bonito entra apenas para potencializar o que há por dentro… E chamar atenção para o que você tem pra mostrar e dizer. Uma embalagem linda, sem nada dentro, é só papelão ou plástico… ou seja, nada.

Manter o equilíbrio entre o que somos, e aparentamos, é um processo interessante e muito enriquecedor. Inclui descobertas, até mesmo aquelas que nos jogam para momentos do nosso passado que nos fizeram ser de um jeito, ou outro, antes, ou até o dado momento.

Eu, pela minha história, decidi não me cobrar tanto.

Sem tantas cobranças

Aceito, dia após dia (e cada vez mais), as minhas imperfeições – ou melhor, as minhas características. E vejo beleza em mim. Até mesmo ostento com orgulho a cicatriz que tenho no rosto. Tudo o que me fez mal, ontem, em comentários ou piadas, me fez mais forte com o passar do tempo… e me fez, de alguma forma, descobrir um mundo e uma profissão que me encanta. E não acho que preciso, por regra, me arrumar impecavelmente para me destacar.

Se for pra sair, despreocupada, de vestido e chinelo, porque já tirei a roupa ajeitada, pode apostar que vou… se for para passar uns dias com alguns cabelos brancos aparecendo, porque estive muito ocupada brincando com a cachorra, ou trabalhando, não vejo problema. Contando que eu esteja feliz. E me sinta bonita, de dentro pra fora. Porque, aos meus olhos, não há nada mais lindo do que alguém que transmite felicidade. E queria mais gente assim.

Só acho que, pra isso, até mesmo as roupas confortáveis, desarrumadas, podem ser roupas que não depõem contra você… o que é um pensamento complicado, mas real. Quando no guarda-roupa só existem boas opções, não sobra espaço pra negligência. Até mesmo o prático se torna interessante. E, pra isso, não é preciso muito. É questão de desapegar do que é muito ruim. E, aí, entra a questão do ‘menos quantidade, mais qualidade’. Ou, então, o ‘ser,a antes de ter’.

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Toda hora é hora de gastar a vida, até agora

A vida foi feita para ser vivida, simples assim. Tanto trabalho, tanta correria, esforço, dedicação e tantas outras coisas pelas quais passamos são pela nossa sobrevivência. Mas, também, para que possamos arcar com pequenos luxos. Estes que devem ser fonte de felicidade e diversão.

Em busca de uma vida estável, longe de problemas financeiros e com a segurança de ter como pagar por coisas básicas – como alimentação e moradia – muitos deixam de aproveitar o que há para ser aproveitado. Todo o tempo é dedicado ao trabalho. E, a poupança cresce na mesma medida que os mínimos gastos são cortados – em busca de uma conta bancária gorda que ficará de herança para a geração futura, esta que poderá nascer em um berço de ouro e nunca entender o real valor do trabalho.

Filhos e netos podem, ainda, sofrer com a saudade de pais presentes nos mais diversos e simples momentos, lamentando as viagens que não aconteceram ou mesmo as noites e finais de semana sem pai, ou mãe, para brincar e conversar.

Por mais que a riqueza financeira seja interessante e tentadora (ainda mais em tempos de crise), ela parece não ser tão incrível quanto outros tipos de riqueza. Tudo indica que o maior bem de alguém, o mais valioso, é um misto de gastos e momentos, uma junção de investimentos em lazer que melhora o dia-a-dia e quebra a rotina.

Entre a segurança e o exagero

Não se trata de se endividar para fazer uma viagem apenas para se gabar, ou de comprar um carro caro para se enquadrar no padrão. Trata-se de fazer aquilo que lhe deixa feliz e saber que o seu salário, o seu rendimento, deve preencher as suas necessidades.

Claro que cada um tem prioridades, mas você está vivendo e sendo feliz?! Os números que se multiplicam na poupança, ou nos investimentos super bacanas dos quais você se orgulha, terão tanto valor assim quando a idade bater?! Economizar é cortar gastos desnecessários, poupando para um objetivo maior… mas este hábito não deve engessar a vida, travar sorrisos, cortar a alegria. Se é para viver, e se sua felicidade vai lhe custar literalmente caro, arque com este gasto. Ao menos assim todo trabalho terá valido a pena.

Texto publicado originalmente em 9 de setembro de 2012.

Como a timidez me fez gostar de roupas coloridas

Eu sou uma pessoa introspectiva. Mais do que isso, tímida. Gosto do meu espaço, de ficar sozinha… ou apenas com pessoas com as quais tenho real intimidade. E me sinto mal em meio a multidões. Sempre fui assim.

Durante muito tempo considerei essa minha característica um problema. Uma falha de personalidade. Afinal, o mundo não é dos expansivos?

Hoje, vejo que não.

Mas, o que só vim a entender muito recentemente, é o quanto essa minha característica, a timidez (e a introspecção, principalmente) afetou a minha maneira de vestir. Ainda afeta. E, mais do que isso, como podemos nos expressar de maneira distintas por meio das roupas e pela nossa personalidade.

Tímida de raiz

Nas minhas fases mais tímidas, retraídas, quando a timidez diretamente afetava o meu convívio social (lutando, em vão, contra a gagueira), eu era uma pessoa multicolorida. Usava estampas diariamente, sandálias e sapatos de plástico, além de acessórios extravagantes.

Quando eu menos falava, minhas roupas mais comunicavam.

Era como se, de alguma maneira, eu quisesse contar algo sobre mim através daquilo que vestia. Era a forma pela qual eu me apresentava ao mundo.

Alguns podem pensar que havia aí uma falha de mensagem. Afinal, como pode alguém tímido gostar tanto de chamar atenção com as roupas? Eu já vejo que essa era a minha saída, o meu recurso para falar mais sobre quem eu era.

Tímida, só na superfície

Voltando um pouco no tempo, certo dia, quase 20 anos atrás, uma colega de escola comentou o quanto eu era diferente em casa, do que era no colégio. Dizia ela que em casa eu era engraçada, divertida, e no colégio eu era séria e calada. Nunca me esqueci disso. E não achei um problema. Dentro de mim eu tenho algo de uma pessoa que gosta de se exibir. Em casa me sinto livre. Na rua, gosto mais de observar, do que falar. Olhar, sentir, perceber os detalhes…

Alguns anos depois desse episódio, comecei a caprichar mais nos looks. Eu estava na faculdade de moda, conhecendo coisas novas, em um ambiente no qual era comum a ousadia. Poucos eram os julgamentos. Pintei os cabelos de vermelho, comecei a arriscar algumas coisas.

Falava por meio das roupas, ainda que sem saber bem o que fazia. Já aos 20 anos, formada, com recursos para investir em roupas e acessórios, vivi a minha primeira transformação. Encontrei um estilo. Eu era, por essência, criativa.

Foi aí que entendi que nossas roupas podem ser essa forma de expressão que nos ajuda a contar uma história que queremos contar, mas não conseguimos de outras maneiras.

Nosso guarda-roupa pode ser um forma de dar pistas sobre algo que poucos sabem sobre nós. Da mesma forma que nossas roupas podem nos ajudar em momentos difíceis.

Tímida, com orgulho

Hoje, mais bem resolvida com a minha timidez – e orgulhosamente introspectiva – já não sinto mais tanta necessidade de me vestir de maneira exagerada, colorida, vibrante e cheia de informação. Sei que sou divertida (com e para os mais próximos). Me sinto segura com minha personalidade. E mudei meu gosto com as experiências que vivi – entre viagens, o contato com outros tipos de arte, o gosto pela leitura, além de outras vivências.

Além disso, tenho a minha casa onde consigo me comunicar de maneira vibrante. Um lugar no qual posso explorar esse meu gosto por cores, formas, por informação. Tenho o meu Pinterest particular nas paredes de casa, nos móveis, na decoração. E é o que me alegra.

Essa percepção é o que vejo em tantos casos da consultoria de estilo. As escolhas não são sempre tão óbvias, assim como os desejos. E que bom ter na moda uma forma de expressão. Como é bom usá-la com sabedoria.

Se você quer uma ajuda para se comunicar de maneira eficiência por meio das roupas, me escreva. Posso te ajudar. amanda@amandamedeiros.com.

Menos cobrança, mais inteligência

Não é simples abraçar uma autoestima elevada. Uma sensação de bem estar e, mais do que isso, de estar livre, à vontade com o que somos e vestimos.

A verdade é que nossa silhueta, seja como for, sempre esconde pequenos detalhes que são encarados, por nós, como defeitos. Por mínimos que sejam, por mais discretos e sem importância… incomodam.

Nos cobramos mais a cada dia. Quase que como uma resposta a mesma cobrança imposta pela sociedade. Aquela visível nos modelos de beleza. Tudo bem; é válido dizer que a história, nos últimos anos, começa a ganhar sopros de novidade. De outros padrões. Mas, ainda assim, a suposta valorização do natural, da beleza real, ainda é pintada de maneira muito irreal. Corpos gordinhos sem celulite? É sério? Gestantes saradas? Mulheres magérrimas com bumbum enorme e seios fartos? Quais as chances, na vida real?

Ou seja. Vale passar a vida se cobrando e se privando de muito do que gosta? Não seria muito mais leve relevar pequenos defeitos, inspirar-se em modelos reais e aprender a valorizar o que temos de bom?

Quão leve levar a vida?

É triste perceber como algumas das boas coisas da vida podem ser encaradas como loucuras, como crimes para quem cresceu com o peso de ter que ser um ícone de beleza. Ou algo próximo disso.

De repente, extrapolar um pouco na hora do almoço passa a ser visto com maus olhos… ou comer sem culpa, sem aliar refeições à atividades físicas constantes, é tido como inaceitável.

É sério isso?

Aparentemente, viver pode ter perdido o seu sabor, o seu tempero, já que se entregar aos deleites do mundo é colocar em risco a chance de se aproximar de um padrão de beleza praticamente impossível de se alcançar.

Real, de verdade

Sejamos realistas. É preciso encontrar um equilíbrio, descobrir o que pode ser feito sem colocar em risco a tal felicidade. Para viver de forma plena, talvez seja preciso abrir mão de um determinado manequim, mas isso não significa, necessariamente, que você está abrindo mão da sua felicidade.

Existem formas mil, diversas, de valorizar um corpo, uma silhueta, e talvez seja necessário um pouco de tempo e mente aberta para perceber o que há de belo em você, sem contar todas aquelas qualidades que não são visíveis aos olhos – as que não se pode tocar.

Talvez, levar uma vida mais leve, com menos cobrança e com pitadas de liberdade traga consigo as vantagens de uma autoestima elevada, de sensação de dever cumprido e, com isso, felicidade. Talvez se aceitar como uma pessoa normal, longe da perfeição das modelos ou das atrizes (após banhos de correção nas imagens) seja a dieta para quem quer se sentir bem com seu corpo. Obviamente, cruzar os braços e abraçar exageros não ajuda em nada, mas um pouco de imprudência, em doses homeopáticas, é válido para uma vida mais legal.

Post publicado originalmente em 2 de fevereiro de 2012.

O truque pra você se aprontar em poucos minutos

Ninguém gosta de perder tempo, principalmente pela manhã. Afinal, quanto mais minutos preciosos gastamos em frente ao guarda-roupa, escolhendo o que vestir, menos tempo temos para tomar um bom café da manhã ou curtir a família. A confusão em frente ao espelho pode ser, ainda, motivo para chegar atrasado aos primeiros compromissos do dia, ou pegar mais trânsito do que o planejado…

Como evitar que isso aconteça?

Uma receita simples, básica e prática – já muito comentada aqui na consultoria de estilo – é você se organizar e deixar o seu look pronto, ainda no dia anterior.

Parece complicado, impossível ou difícil demais?

Não é. Organizar o look pode mudar não só a sua rotina pela manhã, mas também te ajudar a criar melhores possibilidades ao vestir. Afinal, quando nos organizamos ao montar o look, tomamos decisões mais espertas.

Como funciona

Avalie como será o seu próximo dia. Quais serão as tarefas ou compromissos a serem enfrentados. Dê uma olhadinha na previsão do tempo e… pronto! Você já tem material suficiente para decidir o que usar.

Separe a roupa, os acessórios e deixe em local de fácil acesso – vale até selecionar a lingerie, aquela que mais combina com as peças de cima. Pronto! Feito. Com o tempo vira rotina.

como se vestir rápido pela manhã

Precisa de ajuda para montar looks espertos e inteligentes? Me escreva no amanda@amandamedeiros.com.