Não tenho estilo, e agora?

Muito se fala sobre estilo e identidade visual. E um número grande de pessoas (principalmente mulheres) se pega sofrendo com a questão: eu não tenho estilo!

Mas por que isso?

O que é estilo

Estilo é como a materialização, em roupas e acessórios, da personalidade, dos sonhos e do padrão de vida de uma pessoa.

É uma representação estética de características não palpáveis. O que reúne desde hábitos de lazer, até bagagem profissional, passando por experiências diversas e tudo aquilo que determina sua forma de encarar o mundo.

Ou seja: todo mundo tem estilo! Afinal, todos nós acumulamos experiências de vida.

Por vezes o que acontece é que alguém (ou você <3) só não se sabe bem do que gosta, do que precisa, ou o que quer vestir… Ou, entre tantas obrigações, não se sente bem com o estilo incorporado.

Uma vida de tendências e roupas impostas por revistas de moda, e (agora) influenciadores digitais pode fazer com que a sua percepção de estilo seja alterada. 

Isso acontece quando alguém não avalia se realmente gosta de um modismo. E apenas usa aquilo que é apresentado como atual.

Mas, o mais triste dessa abordagem, é que essa maneira de realizar escolhas de compra – e uso – só faz com que a busca por uma identidade visual sólida se perca. Porque estilo é observação. É atenção ao “eu”.

Como assim?

Estilo é olhar para dentro e pensar: do que eu gosto? o que eu quero? como devo me mostrar para o mundo?

Não é simples. E nem está intrínseco em todas as pessoas. Está tudo bem.

Descubra qual o seu estilo

Acredite: descobrir seu estilo é simples.

Estilo (em termos de imagem) nasce daquilo que você considera bonito. Do que lhe emociona, inspira, motiva, e do que faz com que você se sinta forte e confiante.

É um mix que gera uma troca. Porque quando você usa o que lhe faz bem, você se sente bem. A roupa, então, ganha muito mais significado quando usada pela pessoa certa.

O que define o seu estilo?

    • a sua personalidade;
    • o que você considera bonito;
    • seu estilo de vida;
    • seus hábitos;
    • aqueles sonhos e desejos secretos (pessoais e profissionais);
    • o seu jeito de encarar o mundo.

Mas, se questões de estilo são tão simples, porque pode haver essa falha de comunicação entre o que somos e transmitimos?

Porque prestamos pouca atenção as entrelinhas. E, como citado anteriormente, podemos acabar levados pelas tendências, pelos modismos, pelas ideias e costumes do grupo.

No entanto, nunca é tarde para reavaliar a imagem e encontrar a tal identidade visual desejada. Não precisamos nos contentar dom um guarda-roupa que não funciona. Nossa essência merece essa atenção.

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Sobre aquela sensação estranha de errar no look e querer desaparecer

Não vou negar. É raro eu errar no look. Digo isso pensando no hoje. E não na adolescente insegura que fui. Praticamente 95% dos dias, ou das vezes que me visto, me sinto bem. Me sinto confiante, tranquila e adequada. Por isso, quando estou com uma roupa que não funciona, que cai mal, a vontade é de desaparecer!

Sempre que isso acontece, lembro de tantas outras pessoas que carregam essa sensação. Mas penso, principalmente, nas minhas clientes. Que relatam esse incômodo tão chato e sufocante.

Como é errar no look?

Antes de tudo, uma explicação: errar no look não deve ser uma questão relacionada ao olhar externo. Para mim é uma observação íntima. Acima de tudo, uma opinião pessoal. E não um julgamento externo.

Como eu sempre digo, há quem goste do seu visual, e sempre há quem odeie. Tudo bem.

Errar no look é aquilo que acontece quando você: monta um visual que não funciona, ou não valoriza sua silhueta.

Errar no look é quando você faz uma escolha que até ficou legal. Mas que não é adequada para o momento ou compromisso em questão.

E não importa a razão pela qual isso acontece. É chato! Muito chato!

O que aconteceu?

Comigo, hoje, foi assim. Errei no look.

O que era para ser uma visita agradável ao shopping foi um momento sufocante! Eu queria desaparecer. A cada vez que me via no reflexo do espelho, sentia uma vontade gigante de voltar correndo para o carro. Ou de comprar algo novo, em qualquer loja, só para melhorar o que estava ruim.

Não foi o que fiz.

Segui minha programação. Mas, com a cabeça baixa. E o alívio foi tremendo quando, finalmente, voltei para casa. E troquei de roupa.

Só que durante todo esse tempo, me fiz uma pergunta constante: o que aconteceu?

A resposta, para mim, foi clara. Eu mexi no look que havia planejado mentalmente, inicialmente. Escolhi outra peça, rapidamente. Mas, não me dei ao trabalho de avaliar o visual no espelho.

Erro de iniciante.

Porque é no espelho que a gente dá, digamos, aquela conferida. Que permite que a gente decida se ficou ótimo, bom, suficiente, ou péssimo (o que é razão para escolher outra peça).

Todo dia é um dia bom?

Hoje não era um dia, digamos, inspirado para mim. Mas, eu deveria ter realizado escolhas seguras. Quando disso isso, falo por apostar nas peças que já sei que sempre funcionam bem. Não fiz isso. Fui querer ousar, e falhei.

Mas, afinal, o que isso ensina?

Um look errado ensina muito! Te ensina que: é só uma roupa errada, e passa; que o espelho é MUITO importante; e, por fim, que a forma de cobrir a nudez interfere sim e profundamente no nosso humor.

É claro que não é uma regra.

Existem pessoas que não se importam com imagem pessoal. Enquanto outras não tem nem cabeça para se preocupar com isso – existem dramas maiores que guarda-roupa. Mas, se para você é uma questão importante, não deixe de observar o que você veste. O que te deixa feliz e o que te decepciona.

Aquela sensação estranha de querer desaparecer, por causa de um look, não precisa acontecer. É ruim, péssimo, eu sei. Aconteceu comigo. E, eventualmente, vai acontecer.

 

Sobre tudo o que perdi, por não abrir as cortinas

Já é assunto batido a ideia de que vivemos correndo. Estamos sempre com pressa. Desesperados para cumprir prazos. E pra saber de tudo o que acontece de novo. O novo de todo dia. Que quase sempre é o mesmo.

Sofremos com FOMO, ou melhor: fear of missing out. Ou, o medo de ficar por fora. Mas, até mesmo por isso, perdemos muito. Querendo saber de tudo, e ter tudo, perdemos coisas preciosas.

Ou melhor, eu perdi

Era só abrir as cortinas…

Passei alguns anos morando no mesmo apartamento, sem nunca abrir as cortinas do quarto e do escritório. Foram meses e mais meses deixando de lado a melhor vista que eu poderia ter. A vista do jeito que eu gosto. A Serra do Curral, as árvores, os prédios que se misturam com a natureza…. tudo isso sempre esteve ali, pedindo para ser admirado.

Chegava em casa e saía sem nem me preocupar com janelas. Sempre correndo, com pressa. Ocupadíssima, eu dizia. E me orgulhava. E mesmo quando não estava com pressa, estava preza no computador, na tela, na vida online, sabendo de tudo, sem saber de nada.

Mas, os meses que vieram com o nascimento de Francisco me fizeram abrir as cortinas e a janela.

O meu filho me fez olhar pela janela.

Sempre que chorava, meu bebê se acalmava observando os passarinhos, as árvores, o vento, os prédios, o sol…

E hoje, por aqui, o dia só começa com cortinas abertas. E a casa aberta para um novo dia. Para novas chances e oportunidades.

É nas dificuldades que descobrimos novas formas de se encontrar.

Era com o choro do meu bebê que eu tive que olhar menos para a tela do celular e do computador, para encarar o que viesse por aí.

Era só questão de uma nova perspectiva…

Ainda corro. Ainda tenho pouco tempo, para tudo o que quero fazer. Mas, o pouco é suficiente para dar uma pausa e respirar.

Viver é sobre perspectiva.

E olhar para o mundo com generosidade.

O belo está ai, na nossa frente. Não é preciso comprar uma passagem pra longe para entender.

E de nada adianta, aliás, ir pra longe, se não estamos abertos para olhar e ver!

Essa vida online tão boa, tão simples, faz a gente esquecer do quão rico é o mundo. Que bom que somos, vez ou outra, forçados a repensar nossos velhos e tortos hábitos.

Vou, sempre, abrir as cortinas. Olhar. E ver.

Quem é o protagonista? O personal stylist ou o cliente?

Um dia desses eu andava pelo shopping quando uma cena me deixou incomodada. Uma pessoa, colega, personal stylist, fazia vídeos no celular, falando sobre o momento de shopper, enquanto a cliente em questão caminhava atrás, quase que esquecida. Aquilo me causou estranheza. Troquei olhares com as pessoas que estavam comigo e seguimos nosso caminho. Mas não esqueci daquela cena.

Passei a pensar sobre protagonismo. E sobre as vezes nas quais o ego do profissional se sobrepõem a qualidade do serviço prestado.

100% de dedicação à protagonista

Não importa se a profissional é uma celebridade, se é renomada, ou mesmo se é incrível. Essa não é a discussão – e nem mesmo seria o caso, para o acontecido em si. O que importa é que ali, naquele momento, durante uma consultoria de compras, o celular merece – e deve ser esquecido.

A pessoa que contrata um consultor de imagem/estilo, ou personal stylist, paga (investe) para ter um tempo 100% focado no outro. Para ter ao menos uma parcela de seus problemas resolvidos. E não para servir de propaganda, ou de meio de divulgação.

Vejo, com frequência, a profissão ser utilizada como forma de lazer ou alimento para o ego de pessoas que não o fazem por paixão.

Sem imposições e sem tanta exposição

Até quando exibir ou mostrar um atendimento? Apenas, e somente, se a cliente autorizar e se mostrar confortável. Seja como for, compartilhe o momento totalmente com a personagem principal daquele momento. Viva aquela experiência profissional com a contratante. Como uma parceria que deve ser.

Deixar o outro para trás, enquanto discorre sobre suas qualidade profissionais, é tão chato quanto querer impor seu estilo ao outro.

Que sejamos carinhosas e prestativas, mas acima de tudo que possamos colocar nossa vaidade – e nossa vontade de divulgação, tão necessária nos dias de hoje – em segundo lugar. O protagonismo é da cliente. Nós somos só a ferramenta.

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Quanto custa o outfit? Pensamentos sobre o fim dos tempos…

O que mais importa pra você, o preço do seu “outfit” ou como ele faz você se sentir?

Se você não está entendendo nada, clique aqui ou aqui. Mas, resumindo, estamos vivendo a volta com força total da LOGOMANIA! Uma tendência super anos 2000 (ou um pouco antes disso) na qual é “legal” ostentar logomarcas. Tudo isso em um momento no qual começávamos a amadurecer a ideia do vestir sustentável, que vinha superando as tendências e os modismos.

Falamos até mesmo sobre guarda-roupa cápsula, lembra? #bonstempos.

É claro que, por direito ou vontade, podemos seguir o que for mais interessante para cada um de nós. Não há uma regra ou norma que te force a usar e gostar disso ou daquilo.

Outfit: roupa.

substantivo feminino: 
1. peça ou conjunto de peças de vestir; traje. 
2. qualquer tecido que sirva para adorno, cobertura etc.

Menos, por favor

Eu não chamaria de itens de luxo camisetas, bonés e tênis que nada tem de demais, fabricados como qualquer outra peça de fast fashion,  só que produzidos em pequena escala. Mas, faz parte de um nicho. E muitos vêm encerando como luxo – o próprio setor. Pelo preço e pelo fator exclusividade.

Temos, como símbolo maior do momento, a Supreme. Você provavelmente já viu, por aí, alguma camiseta com a logo da marca, ou uma de suas MUITAS cópias e releituras. Eu usaria uma blusa do tipo com a logo, mas se no lugar estivesse escrito pão de queijo. Ou supimpa. E pagaria, não sei, 100 reais?!

Essa sou eu.

Logomarca, pra mim, é um tanto quanto anos 90, de verdade. Mas, sei lá, moda não é isso? Cada um usar o que quer? Pagar quanto quer por seu outfit?

Pra poucos, não tão bons

Quando você entra na loja online da Supreme fica a sensação de que tudo está esgotado, o que gera ainda mais desesperado para comprar algo fabricado ali. Entenda que muito provavelmente é só um truque.

É como a tal fórmula de lançamento. Na qual vagas em seminários, cursos online e outros eventos do tipo vão, por regra, passar por fases de “está acabando”, “últimas vagas”, “última chance”.

Ninguém quer ficar de fora, certo?

Não, ao menos, a princípio. Mas basta pensar um pouquinho e avaliar a situação com calma para entender que ninguém vai morrer se não comprar um chaveiro. Ou, ampliando a conversa, se não, sei lá, participar de um evento de detox emocional (tô inventando, tá?).

Neymar aprova

Não é de hoje que essas marcas desfiladas por rappers, jogadores de futebol/basquete e influenciadores (reais, das ruas) despontam com suas febres. Mas, também não é de hoje que a moda tem suas ondas passageiras.

Em algum tempo camisetas de malha, bonés e tênis caríssimos voltarão a ter sua função básica e essencial. E o investimento feito estará em outra tendência de nicho, ou não.

Algumas aquisições são, sim, menos efêmeras. Como o caso de algumas bolsas de grife, relógios, casacos, entre outros itens mais atemporais, consagrados em décadas de trajetória.

O medo? Mais como mãe, do que como consultora de estilo, vivo o receito de que meu filho, ainda um bebê, se deixe levar por um desses modismos quando crescer. E por viva menos experiências – queira ter e acumular coisas, sabe?!

#consultorahonesta

Fico pensando em como quero investir (e vou investir) meus recursos mais naquilo que vivo e  menos em roupas. Apostar mais em aulas, cursos, viagens e menos em peças que se perdem rapidamente com o tempo e o ciclo natural de seu crescimento.

Não sei quanto é válido investir em um look. Até quanto é aceitável. Acredito que não há uma resposta definitiva. Então, faça o que quiser. Mas, não deixe de viver para isso. E não tente justificar o injustificável. No país da desigualdade social, no qual pessoas passam fome na rua e dormem encostados em paredes de lojas fechadas, ostentar uma blusinha de malha de 500 reais (com orgulho) é sinal do fim dos tempos. Eu teria, no mínimo, vergonha. Como li por aí, é brega. É cafona.

Aos que calculam o preço do seu outfit, o que querer ou precisam provar?

Como lembra Zygmundo Bauman, “na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”.