O que a vida quer da gente é coragem

Estamos sempre presos, amarrados, na nossa zona de conforto. São cordas invisíveis que nos deixam enjaulados na segurança de uma única situação, na sensação de bem estar, de fazer sempre o mesmo, de repetir comportamentos, de já saber o roteiro de cada passo e de cada movimento. Como numa dança com passos já perfeitamente ensaiados, começamos sempre no mesmo lugar para terminar, como sempre, com um mesmo resultado.

O que já nem comove mais, já nem toca, envolve ou desafia, também não emociona.

Não te transforma.

guimarães

É prático. Não há como negar que acabamos assim sem nem perceber… Vestindo as mesmas roupas, cozinhando os mesmos pratos, assistindo aos mesmos programas, permanecemos infelizes nos mesmos trabalhos.

Mas, quem se atenta aos sinais – aos trancos – recebe chances e oportunidades. Em cada susto, em cada queda, uma oportunidade para mudar, para fazer diferente, para escrever outra história.

O que a vida quer da gente é coragem

Se algo choca a calmaria, desinquieta o coração, é porque uma mudança está a caminho. Ao menos uma possibilidade. E isso pede por coragem.

Se o momento passa, tudo volta ao mesmo lugar. E a poeira baixa, a tempestade dá lugar ao sol e tudo pode voltar ao mesmo posicionamento de antes, se não nos agilizamos para fazer – e ser – a mudança tão essencial para crescermos em nossas vidas.

Se acomodados, estaremos sempre ali, no meio termo, aceitando o mais ou menos. O tal do “está ruim, mas está bom”, suga nosso potencial para felicidade.

Em cada buraco há uma chance para abraçar seus desafios.

Post publicado originalmente em 28 de agosto de 2014.

Todo excesso esconde uma falta

Correr para o shopping, passar pela loja predileta e, automaticamente, sair de lá com uma sacola em mãos. Sim, todo mundo já fez isso em algum momento.

Mas, afinal, porque compramos o que não precisamos?

Ter demais, ou ter em excesso, pode carregar vários sentidos e significados. Nos atendimentos da Consultoria de Estilo explico o hábito de várias maneiras. Exageramos quando não sabemos o que fica bem no nosso corpo. Também temos a tendência de comprar demais quando não conhecemos o nosso guarda-roupa.

Em todos os casos, ter um relacionamento ruim com o armário, e com a própria imagem, desencadeia efeitos nada bons. Mas, não é só isso. Também podemos exagerar quando tentamos compensar algo de um universo em outro.

Todo excesso esconde uma falta

Um guarda-roupa lotado, com muito mais peças do que você consegue (na ponta do lápis) utilizar nos próximos meses, pode esconder dores emocionais. Ou questões íntimas, que vão muito além da imagem.

E até mesmo as pessoas mais bem resolvidas podem projetar tristezas e decepções de uma lado em outras esferas da vida.

A solução para o consumismo ou o apego aos itens materiais pode estar onde menos se imagina. O primeiro passo, porém, é simples: uma autoanálise e um bom desapego. E que esse não seja seguido por novas e sucessivas aquisições.

Vamos conversar sobre o assunto?

Que tal repensar o seu relacionamento com o guarda-roupa? Descomplique o ato diário do vestir. Me escreva no amanda@amandamedeiros.com.

É só um bebê, mas é tudo!

Desde quando vi o positivo escrito com todas as letras no teste de gravidez, depois de um positivo muito suspeito na forma de risquinho rosa clarinho – quase uma sombra -, me peguei pensando no tipo de criança que criaria eu um mundo no qual você é avaliado pelo que tem.

Ainda era 2016. E, apesar das poucas semanas de gestação (praticamente duas), eu já tinha alguém crescendo dentro de mim. Um nano serzinho. Algo do tamanho de uma semente. E, no dia do Natal, na casa do meu pai, comecei a revirar fotos antigas. Tentava resgatar alguma mensagem da minha mãe. Algo que, por acaso, ela teria me ensinar ou me mostrado caso estivesse por aqui. E, de alguma maneira, ela me revelou uma coisa bem importante.

Na simplicidade das minhas poucas fotos de bebê, vi uma família muito feliz e maluca. Como sempre fomos. Muitos sorrisos, muita bagunça, liberdade, mas poucas coisas. O quarto era simples. Um berço, alguns brinquedos, mas nada muito luxuoso. Tudo bem, já se foram mais de 30 anos desde o meu nascimento. E tudo mudou. Algumas poucas décadas atrás, a indústria da maternidade, ou o mercado da gravidez, não era como o de hoje. Mal existia. Ter um filho, ao que me parece, era menos um evento e mais uma fase natural. Um ciclo mais emocional do que social. Se é que vocês me entendem…

Com aquelas fotos, anotações (no tradicional livro do bebê), recortes e detalhes, entendi que o que a minha mãe me diria, hoje, é: ter um filho é mais simples do que parece. É só um bebê! E foi nisso que foquei desde o começo. Desde quando, lá pelas oito semanas, já tendo escutado o coraçãozinho acelerado daquele que eu chamava de filhotinho, comecei a pesquisar sobre enxoval. Sobre compras. Sobre o que ter! E, claro, o que não ter.

Mas, em todos os cantos, eu era bombardeada com tantas coisas! No maior estilo, “você não vai fazer chá de bebê?”.

Ok, revelo. Fizemos a tal sexagem fetal. O que foi, pra mim, o luxo dos luxos. Seguido pelo ultrassom 4D. Aquele no qual o Francisco insistia em cobrir o rosto com as mãos, ou se cobrir com o cordão umbilical… será o feto tímido como a mãe? Em alguns anos saberemos.

A verdade é que estar grávida mexe tanto com as emoções que é fácil se deixar levar pelo que te contam que é necessário.

Listas e mais listas malucas

Desde as 12 semanas, fase na qual nos sentimos mais confiantes para contar ao mundo que temos direito a fila preferencial, as listas me pareciam muito malucas. Nas lojas online, coisas lindas! Superficialmente úteis. Mas, exageradas. Precisaria um bebê de tantas roupas? Ou melhor, precisaria, eu, de tantos cremes, almofadas, roupas novas e produtos que são inflacionados só por terem na embalagem a palavra ‘gestante’?

Precisaria eu de um enxoval ‘made in miami’, ou de um ‘chá de revelação’, um ‘chá de bebê’, seguido por um ‘chá de apresentação’ e impecáveis lembrancinhas para colocar na maternidade? Por que eu deveria me preocupar com isso e não com os gastos com vacinas e, daqui a pouco, com uma boa escolinha?

Eu nem sou a pessoa mais social! Na verdade, sou uma introvertida! Introvertidos fogem de aglomerações…

Sendo sincera, o grande investimento inicial, de quando eu nem arriscava comprar uma única roupinha de bebê, foi o de muitos repelentes. Um estoque deles. Aquele mais caro. Porque, né. Nunca se sabe. E não me arrependi.

E o tempo passou, com muitas dúvidas acumuladas quando ao que comprar. O que ter. Do que realmente vamos precisar. Não só eu, mas nós. A família. Um pai, uma mãe e um pequeno serzinho chamado Francisco.

Prioridades

Sei que ele vai precisar de amor. Muito! Além de um carinho, muitas fraldas, alguns babadores, um berço que dure muito tempo (e vire uma cama), além de uma babá eletrônica. Coloquei na lista um carrinho que coubesse no meu carro – vou seguir com o subcompacto, já pensou ter que trocar de carro, de apartamento e de estilo de vida logo agora? Muita informação.

Sei, ainda, que vamos precisar, logo menos, de uma estante nova. E de uma cachorra menos peluda (Chiquinha, minha vida, você será tosada como nunca antes). Ainda acho que precisaremos de criatividade. E será suficiente. Um bebê é só um bebê.

Paciência, aparentemente, é e sempre será pré-requisito.

Minimalista, mas nem tanto

No curso de cuidados com o bebê, conhecemos uma enfermeira que mais parecia um anjo! Com toda a sua sinceridade, nos mostrou que estamos no caminho certo. Já sei que comprei umas bobagens (mesmo com a minha tal lista minimalista), mas é o tal erro de iniciante. E, por pouco, não deixei de comprar coisas essenciais – como álcool absoluto e compressas de gaze, detalhes tão baratinhos. Mas, esses são os primeiros deslizes de muitos que vou cometer. Sempre tentando acertar. Não é isso que importa?

Enquanto isso, o tal bebê que é só um bebê – na verdade, ainda um feto – chuta enlouquecidamente o que parece ser o meu pulmão. E faz a minha bexiga de travesseiro. A sensação, por mais incômoda que seja, é maravilhosa. E importa, pra mim, muito mais do que a ideia de um quarto perfeito decorado nos mínimos detalhes, com papel de parede importado e o tal caríssimo berço preto que eu, levada por um impulso consumista, pensei em comprar. Mas, lembra? É só uma pessoinha. Que precisa de amor. E não digo isso minimizando a existência dele, do Francisco. Muito pelo contrário. Acho incrível tudo o que está acontecendo. Piro de pensar que estou gerando um ser. E que um embrião com um centímetro, lá no primeiro ultrassom, virou o que virou hoje. Esse menino tá enorme! Fico pensando nos seus dedinhos mexendo, no sorriso que você deu pra gente aquele dia no último ultrassom, quando a médica nos divertiu com o tal 4D (por mais médicos que façam isso). E vou rezando pra dar tudo certo. Só que, meu querido filhotinho, você não terá tantas roupas assim, como me dizem que você precisa. Não vai ter nem look especial para saída da maternidade – tomara, no entanto, que você caiba na roupinha RN divertida (apesar de básica) que comprei, tão bonitinha. Também não terá um quarto de príncipe. Vai faltar o banco de cachorrinho, com assinatura de designer. E nós nem teremos uma poltrona de amamentação. Mas, você vai ter um quarto de criança. Pensado para você. Sem tema especial, mas com um apelo canino porque você já nasce obrigado a gostar de cães – desculpa. E, nós, vamos conseguir nos dar bem com essa ideia da simplicidade.

Estou te esperando, como nunca esperei nada antes.

Quando desejei uma imagem que não era a minha

Por muito tempo senti culpa pelas curvas. Pelo quadril largo, pelas coxas grossas. Passei a desejar um corpo que não era meu. Que fosse magro, esguio e fino. Que fosse mais reto, sem volumes. Me sentia culpada e julgada pelos movimentos. Pela sensualidade. Queria ser mais reta. Seria mais simples.

Não queria ser eu.

Por sua vez, meus cabelos cacheados, encaracolados, pareciam agressivos. Complicados. Não ficavam bonitos em um rabo de cavalo. Estavam, sempre, cheios de frizz. E as meninas consideradas mais lindas não tinham os fios assim.

E eu não gostava de ser diferente.

Mulheres empoderadas

Mas, a moda dá suas voltas. E, em uma temporada que traz empoderamento, volto a sentir o direito de ser quem sou. O direito de usar o short super curto, mesmo com as pernas grossas, com celulites. O direito de deixar os braços a mostra, mesmo que eles não sejam finos e retos demais. O prazer em me sentir bonita e desejável, sem que isso seja um erro – um absurdo.

Quando a gente deixa de se esconder, a gente se encontra. E que bom que a moda hoje nos permite tudo isso. Vai ter e tem roupa curta. Sutiã aparente. Foto de bunda no Instagram, que não seja só a da musa fitness.

Tem de tudo e mais um pouco.

Tem chance para quem quer se sentir bonita e se mostrar. Para, sim, conquistar mais confiança por meio de “likes” – por mais que seja polêmico. Para ter boas lembranças. Para ficar claro, de uma vez por todas, que não precisamos mais buscar um padrão para poder se amar.

Eu sou gaga: do medo à transformação

Eu sou gaga.

Por muito tempo evitei essa afirmativa. Foram anos negando o que era inegável. Ou melhor, fugindo de uma característica que não me define, mas é parte de mim. A gagueira, assim como tantas outras dificuldades, é um problema que machuca. E que tem impacto social. Atrapalha o convívio, as relações interpessoais, interfere no âmbito profissional e deixa marcas. Marcas, essas, que vêm de brincadeiras e piadas tortas que escutamos e carregamos sem reclamar. Mesmo sendo pura crueldade.

O que acontece é que há algum tempo descobri que a melhor maneira de lidar com uma dificuldade é aceitá-la. E encará-la de frente. Mesmo porque tratamentos variados e abordagens milagrosas podem, por hora, até ajudar. Mas não se transformam em solução.

A gagueira é traiçoeira porque vai e volta. E volta quando você menos imagina. Por incomodar – tanto quem fala, quanto quem escuta – vem comumente acompanhada de desculpas. E de tentativas de fugir da questão. Nesse caminho são muitos os que vão te dizer que você não gagueja, que isso não é nada, que isso não importa… só que cada palavra não muda o que de fato acontece dentro de nós. O desespero ao ‘travar’. A vergonha por não conseguir se expressar. A constante e automática substituição de palavras que chega a alterar o sentido e o significado do que queremos dizer.

Aprendi à minha própria custa

Como disse, um dia, Saramago, “aqueles que gozam da sorte de uma palavra solta, de uma frase fluida, não podem imaginar o sofrimento dos outros, esses que no mesmo instante em que abrem a boca para falar já sabem que irão ser objeto da estranheza ou, pior ainda, do riso do interlocutor (…) A gagueira, no meu caso, passou a ser uma pálida sombra do que foi na infância e na adolescência. Aprendi à minha própria custa”.

Antes que pareça o contrário, não sou contra tratamentos. Mas, aceitar-se como gago é a base para tudo. É reconhecer o que te desafia. Não tem isso relação com alguns tipos de tratamento? Então. A partir disso, conseguir caminhar em busca da cura. Ou melhor, curar as feridas emocionais que a gagueira deixa. E falar sobre o assunto.

Algo como sinais

“A maneira pela qual percebemos as circunstâncias da nossa vida vai determinar como reagiremos a elas. Se vemos nossas dificuldades com carência, julgamento e medo, então vamos responder com carência, julgamento e medo, bloqueando todas as orientações do universo. Mas, quando escolhemos por ver todas as dificuldades com amor, abrimos espaço para milagres”

Dia desses, entre uma leitura e outra, me peguei com uma passagem que destacava como escondemos no nosso íntimos mágoas e dores que nos marcam (veio de um livro de Gabrielle Bernstein). E como evitamos olhar para elas como forma de fingir que não existiram ou nunca aconteceram. Lembrei o quanto fiz isso com a minha maneira de falar. O quanto me calei, fugi, evitei falar sobre o assunto… e evitei (simplesmente) falar. Até que por vontade, e por coragem, comecei com os vídeos no YouTube – mesmo como um desafio profissional. E peguei gosto. Falei sobre gagueira. Conheci outros gagos, como eu. Muitos. E me redescobri confiante em frente a câmera. Com isso, parei de fingir que eu não conseguia falar, só por medo de falhar e por medo de passar vergonha. Encontrei na minha vulnerabilidade uma forma de crescimento. E tem sido bom.

Ainda gaguejo. Ainda sou gaga.

O processo de cura emocional vem seguido da melhora, propriamente dita, na fala. É libertador ver a cair a barreira que, por exemplo, me afastava do telefone. Que me fazia travar ou gaguejar. Não foi algo que mudou da noite para o dia. Foi, e tem sido, um processo de transformação. Assim como são tantos outros. Mas é bom. Não sinto nas minhas o peso da vontade de ser perfeita. Não preciso ser. E, sim, ainda gaguejo. Mas já não me sinto inferior. Ou pior. Me imponho quando escuto uma piada sem graça. Reajo em frente a um comentário que me dói – sem precisar jogar um comentário pior ainda, sobre quem faz a piada (por tantas vezes fiz isso). E tenho na gagueira um detalhe. Que não me define. Mas me deixa mais forte.

“O mundo exterior é uma projeção do mundo que criamos na nossa mente (…) o problema não está la fora, mas dentro de nós”.

Tenho a minha voz

A gagueira me isolou, por um tempo, do mundo. Me fez não só tímida, mas envergonhada. Me fez esconder meus talentos, sentir vergonha das minhas capacidades, duvidar da minha inteligência. Por tanto tempo tudo o que eu queria era, apenas, conseguir falar! E falar o que estava dentro de mim. Por isso, talvez, me apeguei tanto a escrita. E desenvolvi o amor pelos blogs, textos, contos e histórias. Com palavras no papel, ou na tela do computador, pude falar sobre qualquer coisa, sem ‘travar’. Mas, foi com o vídeo que comecei a me sentir menos sozinha e menos diferente. Por isso sou grata por cada comentário que recebi, por cada e-mail, por cada desabafo compartilhado.

São poucos os que se assumem como gagos. E eu entendo totalmente os motivos. Mas, o acolhimento das redes sociais, das plataformas de comunicação, é, em algum nível, motivador! É o que mostra caminhos, soluções e explicações.

Agora me me dei direito a ter uma voz, ainda que gaga (por que não?) não vou mais me calar. E no meu espaço, aqui nessa confusa e superlotada internet, ninguém pode me silenciar. Não só eu, mas todos nós.

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