Na confusão de Los Angeles

Liberdade para ousar e brincar com ideias e tendências em uma terra sem preconceitos

Se há algo impossível de negar é que Los Angeles é local de referências, não apenas pela essência da cidade, mas pela ousadia percebida nas combinações daqueles que cortam as ruas da gigante do entretenimento e cultura. Os looks são diferentes, algo engraçado de perceber pois não há aquela sensação de exagero ou de desejo extremo de se fazer notar. Há naturalidade, mesmo nas combinações mais absurdas.

As meninas adoram cabelos naturais, amarrados de forma básica ou jogados sobre os ombros. As composições são inusitadas ou mesmo pouco combinadas, sem preocupação extrema em amarrar tons ou texturas. O resultado é atraente pela harmonia entre peças, que contam a mesma história.

É por isso que, vez ou outra, tentativas um pouco mais arriscadas, com resultado duvidoso, são motivo para surpresa. Mas, por ali, nada parece fora do contexto. Em terra de atores, estrelas e celebridades ser notado pode ser a porta para novas oportunidades. A vontade de ser grande parece permitir e estimular tentativas diferentes daquelas que nos prendem na nossa zona de conforto, que nos fazem ter medo de sair do padrão.

Em uma cidade que mistura pessoas de diversos lugares, vários cantos, o mix de referências é mais que natural e esperado. Talvez seja esse o ponto que mais cativa em Los Angeles, essa mistura de culturas que acaba gerando uma referência bem específica daquele lugar. Mais que uma terra sem identidade, uma terra para todos – que se juntam e conversam entre imagens que se unem em calçadas sem preconceito.

As imagens são do StreetGeist, blog que registra looks da grande LA

Para brilhar em Vegas

Las Vegas inspira e nos alimenta com coragem para ousar

Para quem não conhece Las Vegas, a cidade é terra de luz, brilho, compras, festas, hotéis indescritíveis e cenário fora do comum. Trata-se de um ambiente que foge totalmente da realidade de qualquer pessoa e, com isso, há uma boa chance para ousar, e muito, na forma de vestir. Tudo é diferente e inusitado, imenso e extremamente produzido. Detalhes que lembram a gente de que nós podemos, também, ousar um pouco na nossa vida e cuidar um pouco mais da nossa imagem. Ficamos acostumados com o jeans, com a camiseta, e perdemos a chance de aproveitar ao máximo o visual. Vale ler esse post aqui.

Pode ter certeza de que qualquer ousadia que marcou seu passado será pouco para as extravagâncias que encontramos em Las Vegas (uhul!), principalmente quando a noite cai e as boates ficam lotadas de gente em busca de diversão – afinal, algumas das melhores casas noturnas do mundo estão ali, ao alcance de um cartão de crédito ou de um bate-papo afiado com algum promoter ou mesmo com o concierge do seu hotel. Com um pouco de sorte, um dj super famoso aparece no meio da noite e faz daquele dia um dos mais divertidos da sua vida! Por isso, algumas meninas literalmente se fantasiam e você pode investir, sem medo, em comprimentos curtos, estampas chamativas, maquiagem carregada e combinações contrastantes. Sabe aquele vestido que você considera a cara do carnaval? Pois bem, use ele. Sem medo de ser feliz.

A cidade durante o dia costuma ser bem quente, mesmo no período de inverno. Mas isso não significa que roupas de frio devem ser esquecidas. A lógica, geral, são altas temperaturas durante o dia e frio durante a noite. Nada que não seja solucionado com um bom casaco neutro – que pode ser deixado na chapelaria do hotel ou da boate. Na mala, coloque saias curtas (midi ou mini), shorts jeans, calça afunilada, vestidos leves e muitas blusinhas, que podem ser combinadas a cardigans ou jaquetas no fim da tarde. Essas peças vão lhe servir perfeitamente para os afazeres do dia – que incluem compras e passeios. Então, não esqueça de uma boa sapatilha confortável ou mesmo um sapato oxford, mocassim, qualquer coisa que não seja tênis combinado a jeans largo e camiseta de malha. Por favor, você está em Vegas e a cidade, tão bem cuidada, merece o máximo! Ouse sem medo. Suas fotos vão ficar ótimas, garanto!

Para a noite, volto para o discurso do brilho, dos tecidos metalizados, do lurex, aplicações, veludo e todos aqueles tecidos que você usa apenas em ocasiões super requintadas. Por lá, eles funcionam em diversas ocasiões… para um show da Celine Dion, espetáculos do Cirque du Soleil, jantares ou mesmo outros tipos de programas que reúnem gente de todo o tipo, de todos os cantos do mundo. Os japoneses, aliás, são ótimas inspirações! Em turmas jovens, são super produzidos, montados, e fazem a gente querer voltar para o hotel e mudar o look.

Medo de ser julgada? Seremos e somos julgadas em qualquer lugar. O que vale, então, é se divertir e garantir bons momentos entre amigos ou com familiares. It´s Vegas, Baby! Os looks que ilustram o post são do lookbook da Espaço Fashion que, incrivelmente, é a cara de Vegas. Esse toque jovem, moderno, combina com a cidade e as peças metalizadas são fáceis para usar na região, pois conversam com todas as luzes. Vale não lotar a mala de roupas, pois as opções de compras são bem tentadoras (nem só de Miami são feitos bons preços). E, no geral, um único short e uma saia podem ser a salvação da viagem. Não pense que você vai querer usar calça de alfaiataria, camisa, blazer e salto altíssimo (só se você for guerreira). O clima é outro.

É antigo, mas é perfeito. E, claro, é Elvis! =)

Jeitinho baiano

Dois dias na Bahia, mais especificamente na Praia do Forte, me fizeram pensar bastante sobre o ritmo aceleradíssimo que controla a nossa vida – principalmente em grandes cidades como São Paulo, contagiando capitais menores como Belo Horizonte. A loucura dos prazos, das tarefas, da busca eterna por uma renda maior gera um efeito de trabalho excessivo, exaustivo. Aí, o desejo de crescer e de vencer esconde partes da vida que são importantíssimas, como o descanso, o ócio e a felicidade. As vezes, a tristeza é escondida por novas aquisições ou por uma conta bancaria recheada – quando nem isso. O que veio à tona a partir desse contato com a cultura baiana, mais especificamente para conhecer o Tivole Ecoresidences, do qual falo mais tarde, é que o povo baiano não é preguiçoso como dizem por aí… é, simplesmente, um povo que gosta de viver, sendo que o trabalho é uma ferramenta de um conjunto bem maior. Para nós o que é comum ao extremo, como trabalhar sábados, domingos e feriados, é inadequado para aqueles que amam um tempo de lazer e que não trocam isso por nada (ou quase nada). Certos estão eles que sabem que o homem é muito mais produtivo quando está se sentindo bem, tranquilo, feliz e em paz. Talvez essa leve preguiça, esse jeitinho baiano de não ter pressa e não ter desespero para ver as coisas acontecerem, nada mais é do que o resquício do que todos fomos um dia. Claro que o crescimento, a evolução, exige trocas… mas estas podem muito bem ser temporárias, sem que se transformem em um grande regra da vida.

É claro que foi o espírito ousado e de trabalho constante de alguns que nos trouxe uma outra velocidade para viver, mas isso pode estar escravizando a gente, daquela mesma forma que condenamos outras formas de escravização. Somos servos da vida, do consumismo, da ambição, sendo que o retorno pode vir em doenças, falta de esperança e perda de bons momentos perto de filhos e familiares – ou pessoas amadas no geral. O jeitinho baiano ensina e cativa, nem que seja como uma brisa constante (como a que presenteia diariamente a Praia do Forte) que acalma a alma e lembra que a vida é feita de belezas naturais, nem que seja no mero fato de estar vivo e saudável para curtir os presentes que recebemos todos os dias.

 

 

 

Rêvant de… Paris

O sonho mais que possível de conhecer a cidade do romance, da moda, da arte e de tudo o que há de mais incrível na vida

Alguns lugares aparecem, e reaparecem, nas entrelinhas da vida em um curto espaço de tempo – ainda que em flashes, em lembranças, filmes, textos, trabalhos ou fotos de amigas, Paris gera paisagens de sonho e perfeição. A partir das ruas que estão sempre poéticas nos registros, não somente pelos belíssimos enquadramentos, a cidade envolve por suas inúmeras possibilidades de cultura e arte como um todo. Entre referências de vinhos, Chanel, Versailles e doces, o desejo de conhecer a cidade luz.

 

Foram algumas as coincidências, seguidas umas das outras. O pedido para escrever um texto sobre a cidade como ponto turístico, roteiro perfeito e tradicional para lua de mel; uma reprise do filme O Diabo Veste Prada, exatamente no momento da viagem à Paris; uma amiga postando fotos no instagram de uma viagem de pesquisa e, por fim, Amelie Poulan, me surpreendendo com uma música da trilha que havia sido parte de uma recente história importante para mim. Não acredito em meras coincidências. Acho que em tudo pode haver um sinal ou ao menos alguma forma de motivação.


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tesoros del antiguo Perú

Em Lima, Perú, o múseo Larco é a prova da evolução dos povos antigos da região e a materialização, real, de um passado que por pouco não foi esquecido

 

Com uma reunião extremamente rica de objetos, tecidos, roupas e adornos o Larco guarda segredos e mistérios de uma sociedade que, com pouco, realizou muitos feitos e deixou um rastro cultural fortíssimo a ser desvendado e interpretado. Localizado em Pueblo Libre, um distrito de Lima, o museu está em uma casa do século 18, construída acima de uma pirâmide pré-colombiana do 7º século – rodeada por incríveis e premiados jardins. Nele está exposto, em galerias organizadas de forma cronológica, mais de 4 mil peças da história peruana pré-colombiana – com uma das mais complestas coleções de arte, desse padrão, que inclui peças Moche, Nazca, Chimú e Inca. Além disso o Larco Museum  é conhecido, e famoso, por sua galeria de cerâmicas eroticas pré-colombiana.

A ideia de Rafael Larco Hoyle, o arqueólogo fundador do múseu, em 1926, era mostra o desenvolvimento da arte pré-colombiana antes da chegada dos espanhois. Rafael passou sua vida investigando e pesquisando esse tipo de raridade, entre 1901 e 1967. Neste conjunto, para os amantes da moda, um certo ponto chama a atenção. O cuidado e o peso dos tecidos e adornos (das vestimentas, como um todo) mostra como as roupas, ainda como indumentária, sempre possuíram incrível valor. Mais do que forma de cobrir a nudez, mais do que meros enfeites, os itens ligados ao vestuário eram símbolo de status e de pertencimento.

“The value atrributed to textiles by pre-Columbian societies can be compared to the importance given to gold and silver. Textiles served as much more than clothing: they were also a medium for the spreading of religious ideas and for transmitting messages to the next world when they were employed to wrap the mortal remains of the dead. They also served as exquisite gifts for the rulers of these societies, as well as to denote social status.”

Entre os acessórios, adornos, surpreendentes peças em ouro e ossos que chamam atenção pelo cuidado com os detalhes. Extremamente bem talhadas, confeccionadas à mão, essas peças são a prova do domínio dos instrumentos limitados porém eficientes. Já nos tecidos, feitos com técnicas manuais, mais desse cuidado. Os desenhos eram uma representação de hábitos e costumes da sociedade, quase que como um filme da rotina e do dia-a-dia, real ou lúdico, daquele povo junto às suas crenças e ambições. Vale a visita pela herança histórica que o mesmo carrega e pela importância desta dentro da sociedade.