Um armário com 30 e poucas peças e só

Na contramão das tendências e dos excessos, há uma forte vertente que destaca o minimalismo. E, com ele, a aquisição consciente de peças. Sabemos já, sem dúvidas, que vivemos um tempo de exageros. Temos guarda-roupas lotados, casas cheias, despensas preparadas para a guerra e até mesmo coleções de canetas ou post-its. Admito, culpada. O que, não necessariamente, reflete em um bom funcionamento da rotina. Parece que estamos sempre receosos. Com medo de que algo falte. Talvez estejamos inseguros.

Aliás, o acúmulo nos confunde. E nos distancia de coisas que são mais importantes que bem materiais. Ou melhor, o exagero nos traz alívio momentâneo. Mas, não a felicidade.

Uma saída minimalista

Já há vários anos, uma galera desapegada vivencia uma rotina com menos. E coloca em prática o conceito do guarda-roupa cápsula. Ou armário cápsula. Trata-se de uma proposta de vestir no qual são selecionadas em média 30 ou 40 peças versáteis para compor o seu acervo da estação. Essas peças são, geralmente, clássicas e atemporais. Mas, podem ser salpicadas tendências de acordo com o gosto ou desejo de quem aposta na ideia.

Tudo indica que o conceito surgiu nos anos 70, com Susie Faux. Outros destacam a década de 80, quando Donna Karan apresentou sua coleção de 7 peças essenciais. No geral, trata-se de uma ideia de closet compacto, no qual flutuam peças sazonais. E o objetivo é ter apenas o necessário, poupando dinheiro, espaço e explorando a criatividade. Tim Gunn, aliás, sempre fala sobre isso. Mesmo que em outras palavras.

Algumas propostas apostam em 33 peças. Outras, 37. Acredito que uma média de 50, ou menos, seja suficiente e até generosa. Ainda que tal abordagem não siga à risca o padrão tradicional. Mas, já pensou? Um guarda-roupa total com 50 peças já é muito mais enxuto do que o da maioria das pessoas.

Ou seja, não quer dizer que por quatro vezes ao ano você renove toda a sua pequena seleção de peças. Quer dizer que você vai adequando-a às necessidades do momento. E, sim, é possível se vestir com essa quantidade de roupa. Vide o que fazemos quando viajamos. Não é?

O difícil, claro, é a transição. O momento no qual temos que abrir mão de muito do que temos para experimentar esse novo estilo de vida. A transformação pode, sim, estar ligada a um novo momento. Ou mesmo a uma mudança de imagem ou pensamento.

Como já citei, acredito, no entanto, em um guarda-roupa cápsula um pouco mais fluido, menos rígido na questão das quantidades. E penso que essa talvez seja a saída mais realista e funcional para quem quer se aventurar neste universo. A ideia de um total de 30 peças (com calçados) pode ser assustadora. Por isso, a transição pode ser feita com calma.

Ter menos para ser mais feliz

Para fazer do guarda-roupa cápsula um estilo de vida o que é preciso é desapego. E uma boa seleção de peças. Neste momento, vale pensar que as compras exageradas, os investimentos em roupas de baixa qualidade e as tendências perdem espaço para os itens de alta qualidade. Como resultado, o visual fica naturalmente mais alinhado e bem costurado. Perfeito para os que tem disciplina para cuidar de suas roupas. E para quem quer se destacar mais do que as roupas.

Neste conceito mais fluido, guardadas ficam aquelas peças que são utilizadas apenas eventualmente. Por aqui, os casacos de frio (aqueles usados em viagens), assim como os possíveis vestidos de festa. São itens que demandam um maior investimento e, por isso, não merecem se descartados. Outras opções são as peças que não se encaixam na estação. Mas que ainda são boas demais, e podem render nas próximas temporadas.

Conheça e inspire-se

Várias inspirações existem na internet para quem quer acompanhar a rotina de quem vive com poucas peças. Referências existem aos montes. Como Caroline, do Un-Fancy; Courtney Carver, do Be More With Less; além do blog da Anuschka. Uma rápida busca no Google apresenta muito conteúdo sobre o tempo. O legal é encontrar alguém que tenha ideias que sejam compatíveis com as suas.

Um projeto pessoal

Estou construindo, aos poucos, uma nova imagem para mim. O que está muito ligado com mudanças na minha vida, na minha rotina, e questões que já vem que atormentando a algum tempo. Na busca por um estilo mais requintado, ainda que com toques de criatividade, tenho preferido investir muito em poucas peças. E gostando de neutros e clássicos. Com isso, em breve devo encarar a minha grande limpeza de guarda-roupa. Sendo que, acredito eu, será necessário retirar quase que 75% das minhas coisas. O que, sem dúvida, não será fácil. Mas, é parte do processo.

A ideia do guarda-roupa cápsula surge, por aqui, como uma saída que estimula constantemente a minha criatividade. Sem que eu precise me incomodar com um guarda-roupa cheio de roupas legais, que nem mesmo consigo usar do jeito que gostaria. Além disso, penso na mensagem que quero deixar. E na forma que o consumismo vem que incomodando cada vez mais. Quase que como uma luta pessoal. E assim vamos.

Quer saber mais sobre as possibilidades de organização de guarda-roupa e outras formas de desapego? Me escreva no amanda@amandamedeiros.com

Por um guarda-roupa criativo

Algumas vezes o que falta não são roupas, mas sim um guarda-roupa criativo

A decisão de abrir mão de certas peças do guarda-roupa é difícil e delicada. Muitas vezes o desapego não é a solução para problemas ou incômodos que prejudicam a rotina do vestir. Além da ideia de abrir espaço entre roupas realmente importantes, que são usadas, há também dois outros pontos que dificultam a limpeza no guarda-roupa. Há a questão do forte caráter emocional. E certas peças guardam também o alto investimento que lhes foi dedicado.

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Quebrar tais barreiras é muito importante, mas nem sempre é o bastante. Ou nem mesmo a única saída. Pode ser que as roupas não sejam mais utéis por outras razões. Pois então…  Existem peças que estão em ótimo estado e que podem ser aproveitadas com um pouco mais de criatividade. Falo de sair do padrão utilizado dia após dia. Ao brincar com looks diferentes, ideias novas em meio ao uso viciado de determinadas composições, o guarda-roupa pode ganhar nova vida.

Para todas essas possibilidades de falhas ou dificuldades ao vestir existe algum tipo de solução. Basta, antes de tudo, descobrir e interpretar qual o problema. Em caso de pouca criatividade, pode-se pensar em “atacar” primeiro a fonte de informações. E enriquecer a bagagem visual com referências e inspirações mil. Pouca criatividade não é um problema difícil de ser solucionado. Mas para tal é necessário quebrar a barreira que limita a construção de ideias novas e interpretações variadas. Trata-se de ousar, de ir além, de ter um pouco de coragem para tentar algo novo.

O que inspira?

E onde estão essas inspirações? Estão em todos os lugares. Para quem ainda não está treinado para coletar referências visuais vale apostar em revistas, sites e blogs repletos de looks e ideias. O cinema também é uma excelente referência. Um ambiente cheio de personagens que, por vezes, parecem trazer exatamente o que gostaríamos de ter como visual. A construção de um book de referências, seja ele virtual ou material, é a porta para um novo momento. Com novas ideias e mais coragem para ir além.

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A importância das referências

Um exercício interessante e simples é o de recortar, colecionar ou reunir imagens de looks, peças ou mesmo combinações de cores que fazem seus olhos saltarem. Que atraem a sua atenção. Em um primeiro momento essas ideias podem até parecer improváveis para você. Mas, se seu olhar ficou preso naquela imagem por alguns instantes é porque de fato há algo nela que lhe tocou.

Na hora de aplicar as referências o receio de ser mal visto, ou de se sentir mal, pode ser uma barreira para sair da zona de conforto (tão prejudicial em todas as esferas da vida). Por isso, é bom agir com coragem e experimentar sem medo, sem timidez, e sem se deixar levar pela insegurança. Tudo isso é melhor que correr de volta para o guarda-roupa e vestir a roupa batida que nada lhe acrescenta.

Post publicado originalmente em 12 de janeiro de 2012.

Saia da sua zona de conforto. Faça uma Consultoria de Estilo.
Me escreva no amanda@amandamedeiros.com

Sobre viver, na prática, o desapego

Ser desapegado é mais que uma escolha, é um estilo de vida. Questão de alinhar prioridades e abrir espaço físico e mental para o novo. De optar pelo que ainda é útil, funciona e é bom para você.

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Por vezes, abrir mão de algumas peças do guarda-roupa requer mais que vontade e esforço. É preciso coragem e motivação. O desapego pode ser motivado tanto pela necessidade de liberar espaço entre os cabides, quanto pelo acúmulo desastroso de itens que já não combinam com sua vida, com seu corpo… roupas que não contam a SUA história.

O apego não é mal em si… mas pode ficar reservado ao que tem real importância, tudo o que não é material. E tudo é substituível. Principalmente o velho que pode dar lugar ao novo, mais atual e bem mais adequado.

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Mas, quais razões podem motivar o desapego?

1. A roupa não serve mais, que triste. Se ela não cabe, por estar grande ou pequena, vale tirar esse peso emocional da sua vista. Ficar guardando uma roupa que não é utilizada, por mero capricho ou sonho, é o mesmo que alimentar o monstrinho do desgaste psicológico. Dia após dia você se depara com aquela roupa e lembra que um dia você ficava super bem nela… mas, são águas passadas. Corra para a primeira loja que você gosta, compre algo que lhe sirva bem, e comece a analisar quais seus objetivos futuros: continuar com a silhueta atual ou planejar uma perda de peso, ganho de curvas, ou o que for lhe fazer feliz.

2. Livre-se do excesso fazendo uma boa ação e passe para alguém que vá usar com mais entusiamo aquelas roupas que você já não gosta mais. Aquelas gavetas lotadas, nas quais você não encontra nada do que precisa, podem se transformar em gavetas com poucas peças incríveis! Os cabides atolados de roupas, escondendo peças por baixo de peças, também podem ser esquecidos. Assim como as portas de guarda-roupa que quase não fecham, com peças que têm até mesmo etiqueta. Qual a necessidade de tudo isso? Nenhuma. Não é que precisamos de pouco; a questão é que precisamos do que é suficiente.

Simples, não? Mais que simples é possível! São dois pequenos detalhes que, de maneira mais que incrível, mudam e melhoram a vida de qualquer pessoa. Viver sem exageros é uma arte. E por meio dela  passamos a curtir mais o que realmente importa. Até a compra passa a ter mais valor, passa a ter um significado maior, mais divertido, que acrescenta mais. Se você faz novas aquisições todos os dias, ou toda semana, isso acaba se transformando em rotina e não mais em algo que lhe faz suspirar. Aquele brilho nos olhos pela roupa nova! Ou então as compras são tantas que ficamos sempre com o peso na consciência de não conseguir, nunca, usar tudo o que temos. E aí que a história vira uma bola de neve, porque logo depois você já vai estar sonhando com coisas mais atuais… e então são mais compras, e compras e compras, e gastos sem fim. E onde está o espaço para guardar tudo isso? Caixas? Um depósito? Chega.

Desafio de desapego

– Fique 21 dias sem comprar nada e perceba que sim, você consegue sobreviver

– Comece a anotar de quais peças você sentiu falta durante esse tempo

– Após as três semanas, faça uma limpeza geral no guarda-roupa. Livre-se de roupas velhas

– Separe tudo o que não usa, ou não usou nos últimos dois meses. Foque em roupas do dia-a-dia

– Dê atenção as peças que fazem parte de sua rotina. O que nelas se repete? Por que elas te encantam?

– Faça uma lista completa, porém coesa, de compras futuras. Pense em tudo o que precisa

– Estabeleça um orçamento mensal fixo de gastos com roupas/acessórios e fique firme nele.

– Seja forte

É uma escolha pessoal, pode até ser uma momento. E é quase um estilo de vida ser desapegado, ou nunca se apegar. Sem certos ou errados trata-se até mesmo de uma questão de espaço, possibilidades e prioridades.

Post revisado (publicado originalmente em 8 de agosto de 2011)

Vídeo: Diário de um desapego – novos cabides, menos roupas

Por motivo de cabides novos, precisei reorganizar o guarda-roupa. O meu próprio. O que, pra mim, é profissão também é diversão. Curto e faço com gosto cada organização no armário, sempre acompanhada de um bom processo de desapego. Não há como mexer em cabides, trocar roupas de lugar, sem encontrar algumas (ou muitas) peças que estão esquecidas, ou encostadas. Algumas vezes a descoberta agrada, serve de lembrança sobre o que pode render bons looks. Outras vezes desperta a vontade de se ver livre, logo, do que está ali. Porque já não cabe, porque não bate com o momento atual ou, apenas, porque cansou.

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Amadurecer é doloroso. Mudar é doloroso. Mas nada é tão doloroso quanto ficar preso em algum lugar ao qual você não pertence.

Desapegar é abrir espaço físico e mental para o novo, para o que é útil. E não apenas para o novo, no sentido de mais aquisições. Mas, principalmente, ao que pode render ideias frescas.

Trocar os cabides de plástico, já tradicionais no meu guarda-roupa, pelos de veludo foi a cereja no bolo para um guarda-roupa limpo. E, enfim, bem alinhado. O desapego foi tanto que sobraram cabides. E restaram possibilidades para um novo momento. Mesmo que este seja acompanhado, provavelmente, por novas etapas do processo de “ficar livre”. Abrir mão.

A cada ano que passa percebo como menos pode ser, sim, mais – muito mais! E o prazer que há em repetir roupas é inigualável. Ter peças boas e interessantes, mais do que muitas peças que já não agradam, entrega uma sensação de vitória. O que motiva o desapego, que faz com que fique apenas o que é bom (ou muito bom) é pensar que outras pessoas poderão ser felizes com o que já não atrai. Visualizar alguém satisfeito com o que não me traz nenhum retorno é muito positivo. Pensa…

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O que poderíamos ser se parássemos de carregar o que restou do que eramos.

E, nossas roupas, como boas fontes de lembrança e memória, algumas vezes carregam uma energia negativa. Neste caso, o desapego é amplo… é, também, emocional. Faz com que uma fase da vida seja superada, entre páginas completamente viradas. 

Acho que vivo um constante processo de Consultoria de Estilo. Como se eu fosse, de alguma forma, alguém em fase de treinamento, colocando em prática o que prego para garantir que pode, sim, funcionar. Assim, como o que desejo que aconteça com minhas clientes, vou mudando (como acontece com a vida) e adaptando as mensagens com as quais me comunico com o mundo, por meio de tecidos e texturas que uso para cobrir e adornar a minha nudez. Com cada vez menos, numa busca por qualidade, focando mais no produto do que na marca em si, faço minhas escolhas. Até o próximo desapego com novas observações.

Amanda M.

Organização de guarda-roupa: sobe e desce

Organizar o guarda-roupa por estações facilita a vida, principalmente para quem vive em espaços pequenos e não muito bem distribuídos (com guarda-roupas nada funcionais). A ação requer certa dedicação, em alguns momentos pontuais do ano, mas gera resultados bem legais. Os motivos podem ser os mais variados – não interprete, por favor, estações apenas como estações do ano. A vida é feita de fases. Como aquelas caracterizadas por uma gestação, uma viagem longa, cirurgia plástica ou qualquer mudança na rotina que peça que certas roupas fiquem em segundo plano. Mas e aí, como lidar?

Closet grande como os de novela, filme ou série? Sabemos que a vida real é bem diferente…

O sobe e desde pode acontecer duas vezes ao ano (menos ou mais). Vai depender da sua rotina, das suas necessidades. A ideia é armazenar aquilo que não está em uso no momento e ter espaço para visualizar o que você tem, e usa. Isso, no entanto, não pode servir como desculpa para fazer mais compras… e lotar de novo o pequeno guarda-roupa… trapacear não vale…

Separar

Faça uma boa arrumação no guarda-roupa e aproveite o momento para selecionar o que fica e o que sai, temporariamente. Deixe as peças mais básicas, de uso recorrente, ao alcance e em destaque. Depois, separe sem dó tudo o que estiver em ótimo estado de conservação, mas que não vá entrar na rua rotina de uso no futuro próximo. Pense naqueles vestidos de festa chiquerrímos, sapatos com saltos finíssimos, casacos de frio, botas de cano longo, peças temáticas, ou seja, tudo aquilo que você só vai aproveitar em outra hora… talvez roupas de praia, ou, em casos específicos, as peças que ficaram momentaneamente pequenas (por uma gestação).

Tudo isso porque ter que encarar peças, por hora, inúteis, todos os dias, é algo muito cansativo e que dificulta o ato do vestir quando não há espaço suficiente para trabalhar com o que se tem. E o momento se faz, claro, superoportuno para um bom desapego. O que não cabe, não combina, não serve ou não vai ser útil (nem hoje, nem no futuro) pode ser doado ou vendido – como for melhor.

Como guardar

As roupas separadas podem ir para o maleiro, por exemplo. Em caixas, claro. Caixas de papelão não são uma boa ideia. Mesmo em locais fechados, bem cuidados, umidade e outros fatores geram um ambiente propício para mofo ou mal cheiro. No caso de tecidos finos e delicados, principalmente, todo cuidado é pouco! Importante manter as roupas em caixas plásticas ou mesmo dentro de sacos limpos. Claro que é um gasto extra, mas o retorno é bom. Essas caixas podem ser encontradas em lojas de produtos para casa ou material de construção.

E aí?!

O momento de voltar com as peças para o guarda-roupa pede remanejamento de lugares e reorganização o geral. Ou então é possível etiquetar as caixas e só abrir, pegar o que quer (aquele vestido longo, ou o casaco pesado para uma viagem específica) e vida que segue. Antes de suar, para roupas de festa vale uma boa lavagem na lavanderia e, no caso de casacos, um mínimo de cuidado para tirar o pó ou mal cheiro.

O guarda-roupa não precisa estar sempre 100% disponível, oferecendo tudo o que ele possui. Tudo isso por um dia-a-dia mais fácil, com poucas e boas roupas.

Post publicado, originalmente, em 29 de maio de 2011