Repetir suas roupas por inúmeras vezes pode mudar sua vida

Acredite, repetir as suas roupas o máximo de vezes possível, e usá-las com a maior frequência que conseguir – ou que a máquina de lavar permitir – vai transformar a sua relação com o guarda-roupa e a sua vida!

Amanda Medeiros Consultora de Estilo

Cada novo evento, momento, ou ocasião pede uma roupa nova e especial? Em partes.

Uma roupa nova é gostosa, claro. A mística do produto novo traz consigo uma alegria de experimentar algo que é diferente. É como sair da rotina, mas na forma de imagem.

Mas, esse desejo pelo produto novo por vezes traz mais angústia do que alegria. E banaliza a compra. Desde a experiência até essa própria sensação agradável de se ver diferente.

Posso repetir?

Acontece que quando você tem no seu guarda-roupa peças que realmente te favorecem, que te completam, que potencializam a sua beleza e alimentam a sua autoestima, tudo fica muito mais fácil! Dá gosto em usar, de novo, e de novo, algo que traz boas recordações.

E o exercício da repetição do uso passa a ser um exercício de criatividade. Criatividade do olhar que se estende para outras formas de expressão.

+ o momento, – as coisas

Quando a gente repete as nossas roupas, a gente passa a viver mais o momento e menos as coisas! Passamos a valorizar mais a nossa essência e menos aquilo que buscamos ser com o ato de acumular coisas – a necessidade de afirmação que vem através de bens materiais.

Só que pra ter esse tesão em repetir roupas, essa alegria em usar algo pelo máximo de vezes possível, é preciso: acertar na compra no seu sentido mais amplo! Escolher só aquilo que valoriza a nossa silhueta e também que completa a nossa identidade. E evitar comprar peças repetidas, não só na sua forma, mas também na função.

O guarda-roupa cápsula é o resumo máximo desse hábito. E ele é tentador! Mas, não é a única saída. Aliás, é possível ter pouco sem precisar abrir mão do guarda-roupa… pode ser um processo lento, de transição. Um trajeto de comprar pouco – ou o mínimo possível – e se desapegar, nesse caminho, daquilo que vai deixando e fazer sentido.

Eu, eu mesma e meu trabalho

A multiplicação do looks através de peças acertadas é uma das bases do meu trabalho. É o que me alegra, como consultora de estilo. O que me diverte na minha rotina do vestir (que compartilho, em partes, no meu Instagram @CdEAmandaMEdeiros).

Por isso, acho que é algo extremamente importante (e até mesmo chique) repetir e repetir itens. Além de pegar emprestado, vender, comprar roupas usadas, e tudo mais…. é um processo que faz a roupa ganhar ainda mais vida! E faz com que a moda, na própria indumentária, tenha muito mais sentido.

Vestir não precisa ser tão complicado. Mais dicas (em vídeo) no meu canal no YouTube!

Temos imagens: o sobrepeso não define o estilo de uma mulher

O sobrepeso não define o estilo de uma mulher. Ou, ao menos, não deveria definir. Da mesma forma, sobrepeso não precisa significar baixa autoestima ou insegurança.

É altamente possível ter uma imagem impactante e envolvente com qualquer tipo de corpo – magro, gordo, curvilíneo ou seco.

Afinal, o que determina a relação de uma pessoa com suas roupas é a sua coragem para se expressar por meio do visual. Assim como a entrega ao seu estilo.

Vista-se pra hoje, não pra amanhã

Para ter uma imagem coesa e esteticamente bonita é essencial que você vista o corpo que você tem hoje!

Pois é… é simples assim.

E não importa quais são seus objetivos futuros… Se você quer emagrecer, engordar, afinar ou fortalecer os membros. Entenda que o ato diário do vestir é pensado para a realidade do momento. Ignorar isso é criar alimento para a insegurança. 

Te peço: pense nas suas curvas reais. 

Aquelas roupas largas, grandes…

Para a mulher que é gordinha, é muito comum encontrar um tipo danoso de saída para “esconder” o sobrepeso: as roupas largas, grandes, soltas, assim como o excesso de tecido.

É o tal de tentar se esconder por baixo das peças.

Não faça isso! Mostre-se!

Sua beleza está na sua personalidade que merece brilhar através da sua identidade visual. 

Feito Para a mulher plus size

Respeite as suas curvas. E escolha peças que acompanham as linhas do seu corpo. 

As marcas plus size são grandes aliadas para a mulher que é gordinha. Porque são pensadas – em todas as etapas de produção – para quem tem sobrepeso. Tecido, modelagem, aviamentos, tudo! E, o melhor? Sem abrir mão de uma pegada mais moderna.

É incrível perceber que a moda plus size deixou de ser aquela coisa sem graça e antiquada que foi até pouco tempo atrás. Encontramos no mercado possibilidades mil em grades generosas.

Aquele toque extra

Para garantir um toque extra de segurança e confiança, escolha bem o tecido.

Por exemplo, as peças feitas em tecidos um pouco mais encorpados (grossos) e com elastano ajudam a fazer com que a roupa acompanhe as curvas e não marque detalhes que não queremos revelar tanto assim.

É o tal truque!

Inspire-se, sempre!

Não faltam, online, referências e inspirações de mulheres plus size que tem estilos super fortes e uma imagem altamente inspiradora. Das criativas às sensuais, passando por identidades visuais mais clássicas até as que amam uma tendência.

Então, ame-se e curta o processo de valorizar a sua imagem. 

É desafiador, mas muito divertido.

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7 coisas que aprendi com minhas clientes

Em 10 anos como consultora de estilo, posso dizer que muito ensinei, mas também aprendi. Em cada atendimento há uma descoberta – muitas vezes indireta. Algo que acrescenta ao meu trabalho e, também, na minha vivência pessoal. E a própria profissão me mostrou coisas que fizeram de mim uma pessoa melhor.

Pontual, nem que seja para esperar

Em um dos meus primeiros atendimentos, aprendi sobre a importância da organização. E sobre o valor da pontualidade. Fui muito elogiada por sempre chegar na hora certa – tanto nos encontros de compra, quanto nos encontros em frente ao guarda-roupa. Por vezes esperei na porta, dentro do carro, outras vezes ali mesmo no sofá da sala da casa da cliente… mas, sempre pontual. Se para alguns algo estranho, para outros fonte de credibilidade. Certa vez, uma cliente me disse “você leva mesmo à sério essa história de montar look”. E é verdade. Roupa mexe com sentimento, com emoções, afeta a rotina e, assim como qualquer outra coisa, merece o respeito de um horário cumprido. 

Sororidade

Antes mesmo de ter conhecimento do que era sororidade – nem mesmo sabia que existia tal termo – minha profissão me fez escutar história e desabafos, com o coração aberto. Quando as portas de um guarda-roupa se abrem, o coração se abre junto. E é preciso respeitar vivências, ainda que elas sejam muito diferentes da sua. 

Respeite o orçamento

Entre vários tipos de clientes, muitas delas chegaram até mim com valores disponíveis bem específicos. Limitados. E quantias previamente estipuladas para a compra de roupas. Pouco, muito, ou o suficiente, é preciso respeitar o orçamento. E de fazer a mágica acontecer. Sem motivos para dar errado.

Seja paciente

Cada um tem seu tempo, seja para experimentar peças, ou para assimilar novas informações. Ser paciente é básico em toda e qualquer profissão.

Seu gosto pessoal nada importa

Pessoas são diferentes, e isso se reflete diretamente na maneira de vestir. Impor formas, cortes e estilos é inaceitável. Nosso gosto pessoal é, como o próprio já diz, pessoal. Certo e errado não vem ao caso – ou nem mesmo existe.

Trate bem à todos

Como nem só de flores é feito o jardim, certa vez presenciei uma abordagem grosseira e rude por parte de uma cliente, que destratou a funcionária de uma loja. De tão incomodada, não conseguia pensar em passar mais tempo com tal pessoa. Recusei a contratação de um novo serviço de shopper (compras) e perdi uma grana. Mas me mantive fiel aos meus princípios.

Quanto mais simples, melhor

Cada cliente tem sua história. Mas, para algumas, a contratação da consultoria de estilo é algo muito (mas muito) fora do seu universo. Falo de pessoas que não entendem de moda, e nem querem entender. Só querem se sentir bem em frente ao espelho. Dar a devida atenção, e buscar atender às expectativas, é o mínimo. Até mesmo porque o que é simples e óbvio, para mim, pode ser complexo para o outro. Por isso, descobri na prática que é essencial simplificar a troca de informações. E evitar o uso de termos e expressões muito segmentadas. Mastigar as explicações faz tudo ficar muito mais fácil, em grande parte dos atendimentos. Afinal, é só roupa.

Será que a mudança ideal é a mudança possível?

Existem duas possibilidades de mudanças: a mudança ideal e a mudança possível.

Quando você assiste a um programa de televisão, no estilo Esquadrão da Moda (entre tantos outros), é comum acompanhar uma mega transformação. Não nego que é uma ótima forma de entretenimento. Eu mesma adoro ver os tais antes e depois. Mas, tudo que vemos ali é quase impossível de ser colocado em prática, em dias, na vida real.

Um choque

Imagine se alguém chegar na sua casa, jogar todas as suas roupas fora, comprar algumas novas peças, cortar e pintar o seu cabelo e te bombardear com regras e críticas. Pode parecer empolgante, mas não é.

Vivencio em cada guarda-roupa, em cada conversa com cliente, o que é a real emoção de ter alguém avaliando e opinando quanto ao seu visual.

Requer tempo.

Precisa-se de um período de assimilação da proposta. Mais o que isso, a minha opinião como profissional não pode ser soberana… falo sobre uma troca de ideias. Uma conversa.

A mudança não funciona em regime ditatorial. Ela vem com o tempo.

Toda uma mudança

Nossas roupas são parte da nossa história. Há todo um impacto emocional. Elas carregam lembranças, sentimentos, sensações, sonhos e expectativas. Também estão carregadas de decepções, mágoas e inseguranças.

Nossas roupas são parte do que somos.

Pensa em alguém arrancar de você, sem perguntar a sua opinião, uma parte do seu corpo… Uma fatia da sua história.

Dói.

Pensa, então, em como isso pode ser feito com mais paciência. Aos poucos. Paulatinamente. Uma troca aqui, uma substituição ali, uma conversa que leva a mais uma transformação…

Essa é a mudança possível.

A mudança ideal pode passar por um novo corte de cabelo, um novo guarda-roupa (do zero) ou mesmo uma nova forma de andar, de mexer, de falar… Mas, tudo isso é possível de uma vez?

Difícil.

A vida (de uma pessoa real, normal – eu ou você) não para enquanto querermos melhorar ou aprimorar a nossa imagem. As contas não deixam de chegar. Os filhos não desaparecem. As demais vontades não são instantaneamente eliminadas. Vestir é uma parte da nossa rotina. Guarda-roupa e imagem pessoal são partes do que somos. Parte importante, claro! Mas, não é tudo.

Vestir da melhor maneira possível não é uma necessidade básica. Como comer, dormir ou cuidar da higiene pessoal. Cuidar da imagem vem depois de tudo isso. Vem depois da barriguinha cheia, do banho revigorante, do ponto batido em dia.

As transformações de estilo da televisão não podem ser aplicadas na vida real. Não, não dá.

E tudo bem. Melhor assim.

Mudança boa é aquela que vem com o tempo. Aos poucos. No tempo de cada cliente.

Transformação que fica é aquela que é discutida, debatida, pesquisada e assimilada. Uma nova imagem só é real se é consistente. Se perdura. Se pode ser mantida no dia a dia.

Consultoria de Estilo, por aqui, não é imposição e nem loucura. É melhoria. Um processo que respeita o tempo de cada um. E que caminha junto aos demais ciclos de vida de cada pessoa.

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A moda já não é mais a mesma

Sentei em frente ao computador para escrever um texto sobre as coisas que aprendi no ano de 2017. E não foram poucas. Mas, algo chamou a minha atenção.

Meu trabalho não é mais o mesmo.

Enquanto eu refletia sobre o que passou, comecei a pensar sobre o que quero para 2018. Não só as coisas que registrei no meu mapa dos sonhos, as coisas pelas quais venho batalhando, mas o que quero para o meu trabalho como consultora de estilo…

Percebi que, mais do que nunca, o meu trabalho precisa mudar. Mudar mais, muito mais do que já mudou. Porque a moda mudou. E, o que funcionava lá a 10 anos atrás, quando fiz o meu primeiro curso de consultoria de imagem, já não funciona.

A moda mudou

Novos tempos pedem novas abordagens. E, mudar pouco, adaptar pouco, já não serve pra nada. O que eu fiz, até agora, já não é mais o bastante. Por mais que tenha me ensinado tanto. E que tenha transformado tantas vidas.

Regras, listas, tabelas e indicações engessadas já não entram mais no meu caminho há alguns muitos meses. Tenho pavor de pensar em clientes bitoladas em orientações. O tal pode e não pode. O deve e não deve.

Se com os registros de moda de rua a construção de uma tendência se transformou, é natural que as formas de consumo também tenham mudado. Já percebeu como os modismos já não pegam com tanta força, como antes?

Tendências viraram algo de nicho. Existe um grupo, que por característica de um estilo pessoal, vai estar sempre ali, buscando o que é tido mais atual, o que faz com que esse alguém se sinta como parte de um grupo. Mas, querer algo diferente disso não te faz uma pessoa “sem estilo”, como muitos pensavam.

Muito pelo contrário.

De tão cíclica, a moda ficou um pouco obvia, quase que repetitiva. Volta isso, volta aquilo, e já pensou que chato seria se todo mundo continuasse com esse desejo de pertencer, de se mostrar igual?

Que ruim! Ninguém aguenta mais isso.

O mercado, aliás, entendeu que nem sempre precisa produzir baseado nas tendências. Crescem o número de marcas que trabalham para públicos específicos. A gama plus size, as grifes de moda alternativa, marcas focadas em alfaiataria… a cada dia é mais fácil se encontrar. E a internet ajuda. Com dois cliques descobrimos uma centena de novas possibilidades. Muitas delas não sobreviverão muito tempo, outras vão deslanchar.

Por outro ladro, marcas trabalham na base da cópia. E em poucas horas reproduzem looks desfilados por celebridades ou influenciadores. É a cópia como tendência. Mesmo quando o que foi usado não é uma tendência. Confuso, não? E há quem goste assim.

Até tu, fast fashion?

Indo além, se as grandes redes de fast fashion vêm produzindo cada vez mais, por menos, saltam os relatos de casos de trabalho escravo. Quem compra, então, sabe o que está alimentando. O faz por algum motivo pessoal, seja ele pelo preço, ou por não ligar com o que acontece em algumas etapas da cadeia produtiva.

Mas, trabalhadores em situação análoga a escravidão não alimentam apenas as grandes redes… Grifes que comercializam peças caríssimas também parecem se aproveitar do desespero de alguns.

Vale à pena gastar assim?

Uma nova relação com as roupas

Ok, é clichê ao extremo dizer que a internet mudou a moda. Mas, não mudou só a moda. Mudou a nossa relação com as roupas. A gente se vê, cada vez mais, em registros de looks do dia. Se inspira. Copia. Volta no tempo, pensa sobre o que usou, porque a tecnologia trouxe também essa possibilidade… das fotos armazenadas que nos ajudam a avaliar o que um dia usamos, e gostamos; além do que vestimos, e odiamos.

Por ventura, sabemos que podemos ser quem queremos ser. Que basta um pouco de paciência para lapidar nossa imagem. E, com isso, já não servem mais aquelas transformações superficiais. A profissional que te manda umas roupinhas, ou monta os seus looks, sem querer saber mais sobre você… ou o processo que muda a sua imagem pensando apenas no seu biotipo, e não na sua personalidade.

A moda mudou. Muito! E nossa relação com o guarda-roupa já não é mais a mesma.

Para o próximo ano, a certeza é uma e única: a de que a indústria precisa de alguma forma repensar o conceito de tendência. Porque para muitas pessoas – principalmente para quem está em uma idade na qual há forte poder de compra – tanto faz o que todo mundo está usando.

Grande parte das pessoas já não querem ser mais do mesmo. Mais um na multidão. Ainda que exista quem é ávido pela cópia, quem ama uma roupa usada na novela ou na série, ou quem veste seguindo a cartilha da influenciadora digital. Há de se respeitar.

Essa nova moda, que sempre é o reflexo de um tempo, mostra como o vestir pode ser plural. E como ele é muito mais do que uma frivolidade ou uma forma de cobrir a nudez.

Que incrível perceber isso. E poder notar como em 10 anos de profissão as coisas mudaram para melhor.