Inspiração de moda em Animais Noturnos

Um filme dirigido por Tom Ford, mas sem peças de Tom Ford. Consegue imaginar? Pois, bem. Estou falando de Animais Noturnos. O longa incrível conta a história de Susan Morrow (Amy Adams), uma negociante de arte que recebe um manuscrito de seu primeiro marido. E que, a partir disso, relembra traumas e fracassos de seu passado. É como um livro dentro de um filme com boas reviravoltas e uma trama bem intrigante.

pode conter spoilers

É impossível não admirar a parte estética de Animais Noturnos. De maneira geral, a questão visual é muito forte. E a personagem de Amy Adams esbanja perfeição e elegância. O que, superficialmente, é bem intenso. Mas, aos poucos, suas fragilidades vão sendo reveladas.

É muito bacana perceber isso em um filme. A maneira que as roupas podem criar, na superfície, uma sensação que se desfaz quando o distanciamento é quebrado. Quantas vezes já não percebemos isso com pessoas do nosso círculo de convivência?

tom ford, Estilista e diretor

Como diretor, Tom Ford não deu pitacos no visual de Susan. Por mais que algumas linhas e formas do figurino lembrem o estilista. A figurinista Arianne Phillips, aliás, afirma que ela não trabalha com o Tom Ford designer de moda. “Eu trabalho com o Tom Ford diretor de filmes”. Foi, aliás, a segunda parceria da dupla, que já havia atuado junto em Direito de Amar.

A figurinista ainda lembra que, em suas escolhas, ela buscou um exterior que combinasse com o interior. Reforçando a ideia da alienação, isolamento e e um casamento infeliz. “O vestuário tem que criar para o ator e para a audiência essa camada visual que complemente a vida interna“, explica Arianne.

Uma estética impecável, até demais

Todos os detalhes também foram pensados na busca por contrastar e combinar os personagens com a estética dos cenários. Seja nas horas mais sofridas, seja da galeria de arte, ou da residência da personagem principal, no caso de Susan. E a vulnerabilidade também aparece nos momentos em que a personagem de Amy Adams está em peças confortáveis, sem maquiagem, quase que desmontada, se deixando levar pela história do livro. Em alguns momentos é possível pensar: como pode algo dar errado na vida perfeita de alguém tão maravilhosa?

As roupas não têm a assinatura de nenhuma grife famosa. Como pode parecer. “Eu não queria usar em Amy roupas de nenhum designer que pudessem levar a audiência para algum lugar fora do filme”, conta Arianne Phillips. “Tentamos criar um mundo próprio para ela, com roupas que pudessem ser relevantes em seu tempo, mas que não dissessem muito”, completa. Todas as peças foram desenvolvidas pela equipe da figurinista.

Só pra constar

Eu, você e todos nós por vezes nos acostumamos com menos do que merecemos. Também por vezes nos acostumamos com o sofrimento, ou com o peso dos problemas, com a amargura como justificativa e desculpa. Assim, as marcas do que é doloroso, ou insuficiente, ficam no rosto cansado, na postura largada, na carga que peso nos ombros. Não é fácil, mas com o tempo já nem percebemos o quão cansativo é viver assim.

Nos acostumamos com o que é negativo, talvez sem saber o por quê… ou usamos isso como uma razão para alimentar reclamações, salientando os problemas e destacando as dificuldades que nos afastam da realidade. Seja como for, nenhuma pessoa deve levar na manga uma história para explicar a razão pelas quais algo não deu certo. Pesa menos assumir o erro ou apenas encarar que nem sempre as coisas funcionam na primeira tentativa, seja pelo que for. Se despir do papel de vítima é se vestir de força e coragem e assim dizer ao mundo que você está sim pronto para que coisas boas aconteçam. Esse otimismo por mais poético que seja pode transformar seu dia, sua vida, seu futuro. E essa onda positiva é contagiante, mais envolvente que qualquer conversa triste.

“You think you deserve that pain, but you don´t”. A fala foi superficialmente tirada de “Me and you and everyone we know” de Miranda July. Cheio de clichês e de frases prontas, o filme consegue ser envolvente do início ao fim. Vale a pena assistir, para quem ainda não o fez.

Cores e Sensualidade em… Volver

Volver, de Almodóvar, lembra feminilidade e sensualidade, mistura que representa a força natural da mulher

Um figurino bem amarrado, marcante, é a essência de um filme. Combinado a uma boa trilha sonora e, claro, uma ótima trama, faz com que qualquer longa seja interessante do início ao fim. Em Volver (drama de 2006, dirigido por Pedro Almodóvar), o trabalho da figurinista Sabine Daigeler deixa sua mensagem ao apresentar a intensidade espanhola, e dos traços herdados por mulheres de uma mesma família, em roupas alegres e sensuais, com uma mistura envolvente de cores vivas e estampas grandes.

Penélope Cruz, na pele de Raimunda, se destaca. A beleza da atriz, aliada ao papel de protagonista, gera forte simpatia com os looks que ela carrega, entre decotes fartos, roupas que marcam a silhueta, ela é pura sensualidade e ainda assim consegue garantir nossa admiração. Aliás, que mulher não quer ser forte e sensual?!

A verdade é que o lado sexy está, sempre, mais na raiz do que na roupa em si, mas pode ser estimulado com o que se veste. A rotina de dona de casa, frente a cozinha, não faz com que Raimunda deixe de lado sua feminilidade. Lembrança, essa, que pode ser levada para a vida.


Mais do que isso, não há medo de ousar. Saltos anabela, sempre confortáveis, conversam com as saias acompanhadas de tricôts e/ou casaquinhos leves que acabam por salientar ainda mais a linha da cintura e, obviamente, as curvas de Penélope Cruz. Entre o drama de mulheres que dominam a história, está o lado sempre emocional, mas ainda assim forte, de personagens reais que vivem uma história absurda – parecidas com aquelas que carregamos em algum momento da vida.

O que também chama atenção é o mix de cabelo preso jogado ao alto com olhos marcados e contrastes vivos entre pele e tecidos. Para uma mulher de personalidade forte, de opinião e atitudes corajosas, ainda que um tanto quanto estranhas, o figurino é resposta direta. Volver, com o talento quase imbatível de Almodóvar, consegue tocar e surpreender, mais do que isso, inspira.

Volver mostra como a morte pode ser vista como algo natural. Volver conta a história de mulheres, casos de uma família, e lembra que assim como Raimunda, podemos ser fortes, rápidas e capazes de recriar uma história – não necessariamente (é óbvio) com as atitudes por ela tomadas.

Conversinha de boas vindas, 2012

Um novo ano já bate na porta e com ele a chance para ser (ainda mais) feliz. Já pensou?!

 

Para 2012, eu quero e eu posso! =)

Girls on Bikes

Sensação de liberdade, agilidade, cheia de conforto e elegância. Quando a gente pensa… que delícia seria viver assim. Eu, ao menos, não reclamaria de largar o carro, curtir uma cidade plana, de temperatura amena, pegar minha bike e ultrapassar o trânsito para chegar ao trabalho – ou voltar para casa. Bom seria se fosse assim.

O vídeo Girls on Bikes é da coleção de outono/inverno 2011 de Phillip Lim.