As mulheres e a moda

Moda é fetiche, é sedução e atração; moda é hoje uma voz para as mulheres que sabem fazer uso de tal

Que relação estranha é essa que liga as mulheres e a moda?! Que jogo é esse que faz com que as tendências e novidades sejam tão procuradas e perseguidas essencialmente pelo público feminino?! É difícil mas não impossível entender o que acontece nesse relacionamento de altos e baixos; porque ao mesmo tempo em que amamos a ideia do consumo de moda temos aquela sensação de vazio que nos mostra que existem outras coisas tão ou mais importantes do que se vestir bem.

A moda se alimenta do fetiche, desse jogo do conquistar o que não se possui ou mesmo de desejar algo que não será de fácil aquisição. A moda é o próprio fetiche com seu poder extremo de sedução e atração, exercido não apenas pelas incríveis ferramentas da publicidade, mas também por ser ela o que ela é. Ela possui poderes, desconhecidos mas intrigantes que mexem com o íntimo de cada um e nos dão os alicerces para sermos, talvez por um dia ou por toda uma vida, uma pessoa que simplesmente sonhamos em ser. Não se trata de enganar a plateia mas sim de satisfazer desejos íntimos e as mais loucas ambições emocionais.

Usamos a moda como uma arma de sedução para conquistar amores ou amantes, como um abrigo que nos afasta do mundo real e dos problemas cotidianos, como esconderijo ao criar um capa ou véu na nossa real identidade, como forma de diversão se brincarmos com a vida, como vitrine de crenças e credos ou mesmo como símbolo de status para conquistar espaço ou abrir novos caminhos. Nessas exemplificações apenas algumas das possibilidades da moda, não como produto mas como um meio, que faz com que nós mulheres possamos nos sentir poderosas e donas de nosso mundo, manipulando nossa imagem para conseguir o que queremos.

Sendo assim podemos concluir, ainda que de forma vaga e poética, que com a moda encontramos mais uma maneira de sermos donas de nossa vida e de nosso caminho! Por mais que a figura feminina esteja historicamente ligada a possível fragilidade e carência, em graus variados, é fato que desde sempre houve essa veia que nos impulsiona a desejar abraçar o mundo – com muita vontade de ser fazer ouvir! E a moda é perfeita para tal brincadeira. Ela é arma… essencial e fugaz de forma frívola e efêmera.

Esse post foi originalmente publicado no Conversinha em 2009, mas não poderia ser mais atual.

Desejo de compra na cultura global

Fruto da pós-modernidade, blogueiras inspiram os quatro cantos do mudo e despertam um desejo de compra possível de ser materializado

Na pós-modernidade as barreiras físicas já não existem mais, ao menos por aqueles que possuem mobilidade. Assim, é simples pensar que com as tecnologias, inseridos na rede com o advento da internet, conseguimos passear pelos mais diversos universos, que se unem nesse processo de globalização e de misturas. Prova disso são blogueiras de países distantes que influenciam nossos hábitos diários, e com incrível facilidade despertam o nosso desejo de compra. Mas não é só isso.

Se adquirir peças de marcas importadas até pouco tempo atrás era algo difícil para quem não tinha em sua rotina viagens internacionais, isso hoje não existe mais. A relação com a compra mudou com a existência de pessoas que trabalham fazendo essa ponte, ou mesmo com as lojas virtuais que entregam em todo o mundo. Fronteiras foram quebradas e isso impactou nossas vidas de uma maneira impossível de ignorar. Mais do que isso, cada vez mais pessoas vão a outros países, viajamos com mais frenquência, e os valores para tal são cada vez mais acessíveis. Globalização sentida na pele. Desejar aqui é comprar lá para depois usar por aqui ou em qualquer outro lugar do mundo! Até que a tendência seja outra e a história continue na sua forma cíclica.Já não há mais limite para influenciar, gerar desejo, modificar uma cultura e despertar a vontade de inserção. Para estar nesse ciclo basta ter poder financeiro. Para aqueles que acompanham tais movimentos do espaço, mas por alguma razão não podem participar do processo, fica aquela sensação estranha de perda e de fragilidade. O que não deveria acontecer, acontece não por culpa dos que mostram suas referências, de olimpianos da era digital que deixam sua assinatura. O que gera traumas e dificuldades é a própria pós-modernidade que na sua essência elimina fronteiras e cria espaços líquidos, que são ao mesmo tempo fáceis de ultrapassar, mas possuem barreiras que estão além do espaço e do tempo. Cabe focar nas raízes da tradição que, como um grito em meio a um tempo remodelado, com culturas cada vez mais misturadas, clamam pode algum tipo de poder, como a essência do que foi grande até pouco tempo atrás.

Pensando além das lágrimas

Na eterna busca pelo amor, razão e amor conversam mas não se entendem e, assim, alimentam a incerteza

Perder um grande amor, para outra ou para o mundo, dói como perder uma parte do próprio corpo. Dói, literalmente dói. É como se algo estivesse sendo arrancado de você a força, sem anestesia, sem pré operatório. E, com isso, sofremos. Choramos, nos revoltamos, gritamos, brigramos, sofremos como se não fosse possível sofrer mais. Entre as muitas palavras de apoio, nada parece ser útil ou suficiente. Todos os discursos repletos de elogios carregam um pouco daquela dúvida quanto ao real sentido de tudo aquilo, quanto ao real significado daquela história. Se há, de fato, tantas qualidades em mim, ou em você, por que algo assim acontece?! Não há explicação. “Amar, assim como ser moral, significa estar e permanecer em um estado de perpétua incerteza”. Nunca sabermos o que vai dar certo… e é essa incerteza que alimenta a esperança, ou a falta dela.

Nesse contexto, as melhores palavras, as mais inteligentes, sensatas, realistas, podem vir da pessoa que você menos espera. Podem vir de alguém que já te magoou, que já lhe fez sofrer (ainda que menos) mas que conseguiu com serenidade, diretamente na ferida, lhe lembrar do real sentido de cada decepção. Trata-se de uma passagem, de algo que provavelmente aconteceu para o bem, para o meu (ou seu) bem. Ansiosos por conquistar o que queremos, por chegar onde queremos, acabamos nos esquecendo do que realmente importa,  cobrindo defeitos grandes naqueles que um dia amamos – ou ainda amamos. Estes aparecem com mais clareza quando a tempestade passa, e acordamos para o simples fato de que sim, era pouco demais – ou não era o bastante. Ansiosos por um futuro feliz, sofremos muito e sofremos pelo tanto que dedicamos, pelo tanto que colocamos na mesa. Mas, quer saber, é como me disseram… o mal pode ser cortado antes que vire algo pior e daí há a esperança por dias melhores, por amores maiores (e estes sim, eternos). É o que faz nascer novamente a esperança. Não devemos desistir do amor… devemos, por sua vez, acreditar que há algo de mais incrível para aparecer. Cada pessoa que sai da sua vida é alguém que deixa a porta aberta para outra pessoa e, essa outra, pode sim ser a pessoa certa. Assim como me lembraram, não devemos buscar apenas relacionamentos… se o que queremos é algo mais completo, eterno, devemos estar prontos para deixar o que é passageiro ir e, assim, dar espaço para algo que não se transforme em pura decepção no futuro.

“O amor teme a razão; a razão teme o amor. Cada um tenta viver sem o outro. Mas sempre que o fazem, o problema fica guardado. Esta é, na sua expressão mais breve, a incerteza do amor. E da razão”. Entre seguir a razão e viver plenamente o amor podemos encontrar um meio termo, um ponto que abrigue dois universos tão distantes. Entre sentir e pensar, a junção de tais mundos cai como uma resposta perfeita ao que pode ser a receita para a felicidade.

Trechos retirados do livro “A Sociedade Individualizada – vidas contadas e histórias vividas”, de Zygmunt Bauman

Sobre falhas e desânimo, na Claudia

Leitura obrigatória, a Claudia é uma das revistas que mais gosto. Ainda que com atraso, passo página por página dessa publicação que consegue combinar futilidades com informações interessantes sobre questões que são importantes para quase toda mulher que leva uma vida, digamos, “moderna”. Na edição de novembro (sim, só leio com atraso!), duas reportagens me chamaram atenção. Uma delas fala sobre a falha, sobre o erro, que tanto ensina. Essa assunto já foi discutido inúmeras vezes aqui no Conversinha, mas “Perdas com Ganhos” consegue mostrar e justificar porque errar pode ser tão importante para o nosso crescimento. O texto lembra que estamos viciados na vitória e que só queremos saber de ostentar troféus, gritar sucessos, falar sobre conquistas para o público que nos observa (da-lhe Facebook e outras modernidades). Já pensou que nos cobramos uma perfeição inatingível por conta dessa obrigatoriedade de estar sempre fazendo algo super legal?! Já pensou, também, que a sua, a minha e a nossa felicidade está, muito provavelmente, nos pequenos detalhes da vida?! Pois bem. Como bem lembra “Perdas com Ganhos”, cair faz parte da vida. “Olhar no espelho e assumir que errou requer coragem, humildade, resiliência. Não existe, porém, melhor maneira de se conhecer do que ficar cara a cara com as próprias falhas.” Só assim vamos saber onde podemos melhorar. Se escondemos do mundo, e de nós mesmos, as nossas limitações, estaremos eternamente fadados a viver assim. Claro que não se trata de gritar cada ponto fraco, sair contando ao mundo tudo o que de errado fizemos… a questão é saber levar com sabedoria cada tropeço. Já diz o samba com letra de  Paulo Vanzolini: “reconhece a queda, e não desanima; levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima”. Sendo assim, vale a leitura. Lembrando, sempre, que você não é a vitima!

“Só o Pó” é uma reportagem muito interessante sobre causas, razões ou motivos para viver sempre desanimado e arrastando pela vida. Isso já aconteceu com qualquer um, claro, mas quando passa a ser uma rotina, algo do dia-a-dia, muito provavelmente é porque há algo de errado com essa pessoa. O texto indica maneiras de superar esse momento ou mesmo saídas para conquistar ânimo e disposição para viver a vida como ela deve ser vivida.

Nos dois casos, são leituras que acrescentam e que podem indicar algum novo caminho. =)

Extensões do homem

Meios de comunicação e, por tal razão, extensões do homem, adornos como a roupa complementam o que somos e mandam suas mensagens

A informação de que a roupa é uma extensão do homem já não é novidade, afinal vivemos e sentimos diretamente o efeito de tal teoria. O que nos passa em branco, por vezes por mera distração, é o impacto dessa extensão em nossa vida – e os outros elementos que complementam, ou trabalham juntos, com tal característica. Inclua nisso a decoração da sua casa ou mesmo a organização da sua mesa de trabalho. Sua forma de adornar, organizar e levar a sua vida é um complemento do que você é e, também, da sua relação  com o meio no qual você está inserido. Inclua, aí, grupos ou cidades, estruturas que moldam ou mesmo ditam as regras e orientações para o nosso dia-a-dia.

Quantas foram as vezes que nos sentimos emocionalmente mais perto ou distantes de certos locais? Em viagens, percebemos a possibilidade de morar naquele local, de viver com aquelas pessoas, ou então nos pegamos com aquele desejo urgente de voltar para casa, com saudade daquele ambiente que respira como você e que lhe faz sentir de fato bem. Isso acontece porque comunicamos o que gostamos e somos o que vivemos. Mais do que pensamentos lógicos, fáceis de entender após um primeiro momento, trata-se de luz que por vezes passa despercebida e serve como dúvida permanente sobre a razão ou motivação para nossas escolhas. Pelo desejo de pertencimento, buscamos o que realmente combina com nossa essência e com nossa personalidade, e somos permanentemente abalados (de forma positiva e negativa) por tal interação.

Você decide por um tecido tal, mas não sabe porque gosta dele. Talvez a textura, o peso, talvez a cor… a obrigação de vestir, já lembrada aqui, faz com que busquemos algo que nos complemente e que está de acordo com as regras básicas do mundo que vivemos. Essa associação de escolhas e decisões possui forte peso na nossa vida e pode ser fator de maior satisfação e felicidade quando sabemos exatamente que as ligações existente são as que queremos e que tudo o que estamos vivendo e sentindo é o que precisamos.

Quase sempre a busca por serviços de consultoria de estilo entra como uma ferramenta para alinhar estes desejos, descobrir detalhes que, por uma razão ou outra, ficaram perdidos no tempo e no espaço.

Assim, mostrar-se nu ao mundo não é uma escolha de vida. Desde o tempo em que deixamos de viver em tribos, e abandonamos a limpa e simples relação de total interdependência e ligação entre membros, passamos a agir segundo  novas normas que fizeram com que nossas expressões fossem caladas, silenciadas em prol de uma tal evolução coletiva. De repente, o corpo dizia muito mais do que deveria ser dito e cobrir a essência, em um jogo de crescente “falsidade”, passou a ser regra. No entanto, voltamos a interagir como em aldeias e estamos diretamente ligados pela facilidade da informação, que caminha rapidamente pela rede que faz de todo o mundo um só. Ainda assim, mesmo com nossa carência de dependência, exemplificada pela necessidade apresentada pelo homem de contar mais sobre sua vida, intimidade e privacidade, continuamos encontrando nas roupas e em todas as formas de adorno, e ostentação, uma maneira de burlar expressões que continuam sendo apresentadas com certa falsidade.

Se o complemento do corpo, como roupa, é tão poderoso, ele merece tal cuidado, mesmo para que a mensagem transmitida seja o mais pura possível, capaz de valorizar o que realmente somos, queremos e acreditamos ser capazes de ser. A roupa é uma extensão nossa; por sua vez o nosso grupo, nosso conjunto, é uma extensão de todos nós.

Hoje, na aldeia global em que vivemos, somos inspirados e afetados por referências diversas, com a facilidade de um clique. Ferramentas como Pinterest, Tumblr, além de blogs e twitter, nos bombardeiam constantemente com modelos de beleza e estilo que nos inspiram facilmente. São pessoas que nunca estiveram no nosso grupo direto, pessoas com as quais nunca iremos conversar (muito provavelmente), mas ainda assim elas estão perto de nós e, como num ciclo constante, nós estamos perto delas. Ligados pela rede, somos levados pela interação da modernidade que diminui distâncias culturais, quase que ao ponto de eliminar características puras de um determinado grupo. Bom, ou ruim, é o reflexo da atualidade que massifica e estimula a admiração por certos deuses, olimpianos da era digital que são assimilados como referência.

Então, você diz… e eu com isso? Seria ao menos útil, e por essa razão bom, ter noção do jogo no qual estamos envolvidos. Na brincadeira de consumo, tendência, compras e posses, ser, e fortalecer o seu estilo e a sua identidade (como ser único e como parte do grupo) é sair na frente, sem acabar como uma vítima de um jogo de interesses. Contar sua história, deixar seu recado, mostrar do que você é capaz de ser. Se revelar como mais do que uma roupa, lembrando que o corpo é a extensão dos adornos e estes trabalham para nós, não o contrário – ainda que fortemente poderosos e capazes de exercer sua profunda manipulação

As frases são de Marshall McLuhan, retiradas do livro “Os Meios de Comunicação – como extensões do homem”.