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Entendendo os anos 80…

Um pouquinho de história da moda é sempre bom. Já é fato que os anos 80 são tendência e, com eles, volta a reinar (mesmo que de forma tímida) referências que já fizeram grande sucesso a algumas, não muitas, décadas atrás. Porque a gente sabe que a moda é cíclica, assim como tudo na vida. 


Os anos 80 ficaram conhecidos como a era dos contrastes, reunindo consumismo exagerado, total dedicação a profissão e vontade de viver a vida loucamente. Extremos: essa é a palavra que define melhor esse tempo onde a tecnologia japonesa avançava rapidamente e não haviam limites para novas descobertas – dos tecidos à bens de consumo. Bom, assim se pensava.

Tudo começa com os Baby Boomers que foram criados e educados numa nova perspectiva de vida. Work Hard, Play Hard. Trabalhe muito, mas se divirta mais ainda. Pairava a pergunta no ar: por que economizar?! As coisas vão bem. Então, gaste! Dressed for Success. Ou seja, havia toda um união de grande esforço com enorme merecimento; as pessoas se dedicavam intensamente  as suas profissões e até mesmo por isso compravam o divertimento e luxo como coisas do seu cotidiano. [Não combina com o perfil da atualidade?! Trabalhamos 12, 15 horas por dia para ter como comprar aquelas certas futilidades que não poderíamos ter de outras formas].

Como símbolo a década teve a figura do yuppie, leia-se young urban professional; veste-se em busca de poder e leva a vida com ambição e diversão. As mulheres abraçam de vez as calças e copiam ainda mais o look profissional dos homens, enquanto estes encontram os prazeres da vaidade. Para as ambiciosas garotas adultas, que querem seu lugar dentro do ambiente coorporativo, imagine ombros demarcados… enquanto isso os homens brincam com detalhes mais ousados, como é o caso do sapato bicolor. Percebe-se nesse ponto o motivo dos ombros salientados, valorizando a silhueta triângulo invertido; tal forma ressalta poder, autoridade, vontade de ser vista em condições iguais aos homens… buscando não apenas remuneração semelhante mas também o mesmo respeito dentro das empresas nas quais estão inseridas. Mas, o interessante, é que a mulher não esquece sua feminilidade e se mantêm firme a seu gênero. Leia-se Madonna que representa totalmente a figura feminina yuppie ‘Cause we’re living in a material world, and I am a material gir’.

Relacionamentos instáveis e o comprometimento apenas com o trabalho gera um novo panorama na sociedade americanas – que se reflete em todo o mundo.

Caminhando para a noite, que nunca acaba, figuras exageradas e enlouquecidas se aventuram nas formas godês, fofas, em silhueta balão e exagerada. Cores vivas, tecidos brilhantes, silhueta triângulo invertido de forma ainda mais arquitetônica, mas talvez não tão rígida. Vontade de curtir a vida, de aproveitar cada instante de um momento perfeito… com um corpo merecidamente perfeito. 

Abraçando os excessos característicos da época está a febre do fitness e body building com roupas de lycra e extrema vitalidade. A vaidade masculina encontra seu auge ao mesmo tempo em que as mulheres parecem estar ainda mais preocupadas com o físico. Mulheres se masculinizam e homens encontram a feminilidade. Algo assim.
Os estilistas passam as ser filhos do marketing, preocupando em transmitir uma imagem condizente com suas crenças. Entre exemplos de representantes dos yuppies imagine Giorgio Armani, Hugo Boss, Calvin Klein, Donna Karen e Ralph Lauren; já na onda do exagero Vivienne Westwood e Jean Paul Gaultier. Enquanto isso Azzedine Alaïa era ‘o rei do stretch’.  Ícones da Época?! Inúmeros e extremamente importantes para quem quer entender o que se passava. Na músicaMichael Jackson, Madonna, Prince e o enorme sucesso das séries televisivas como Dallas e MiamiVice, além de StarWars e vários outros filmes que marcaram não apenas a época mas também a moda… FlashDance, Dirty Dancing e Fame. Musicais e mais musicais. Essa década, mais do que as outras, precisa de trilha sonora. 

Além do yuppies fala-se do black movement dos anos 60 que ressurge como Black is Beautiful – principalmente na música e na dança. Imagine o break dance misturado a roupas de ginástica, nos estilo Adidas dos pés a cabeça (tendo também Reebok, Nike e tudo mais). Disso a onda caminha até a house music, mantendo o gosto pelo ritmo e pelo culto ao corpo. Não há como negar que durante a década o corpo ganhou muito mais vida, não apenas como cabide de vestimentas mas também como poderosa forma de expressão silenciosa (leia-se dança e moda)

Em meados da década de 80 a empolgação se quebra um pouco devido a doenças que se espalham… sem contar Chernobyl e o crescimento estrondoso do buraco na camada de ozono. No final da década, é o fim do luxo e da ostentação com o colapso da bolsa em 1987 (black monday). As pessoas deixam de ser tão egoístas e passam a se preocupar realmente com o futuro do planeta. Começa a guerra contra o uso de peles e também a necessidade de ajudar o outro… os chamados desconhecidos desamparados. Para tal, lembre do Live Aid

Com tudo isso, com esse enorme volume de informação que não chega nem a ser um pouquinho do que aconteceu (afinal é difícil resumir uma década, seja ela movimen
tada ou não) dá para sentir de onde surgem essas inspirações que não estão apenas nas passarelas das semanas de moda que fervilham por ai… estão também, e já, nas ruas. Mulheres e homens cultuam seus corpos e se preocupam exageradamente com o visual; nós, mulheres, buscamos nos igualar aos homens trilhando um caminho muito mais longo do que se imaginava a três décadas atrás. O luxo está em todos os lugares e parece ser um mal necessário, disseminado por grandes grifes que vendem não apenas seus produtos mas também todo um estilo de vida que se faz mágico por entre as vitrines e editoriais. Cultuamos series televisivas e delas retiramos inspirações para vestir e portar. É claro, não se trata da volta dos anos 80 de forma literal… parece ser apenas uma nova onda que corresponde a um momento de certa forma semelhante ao vivido anteriormente. Ainda é muito cedo para prever o que vai acontecer, mas sabemos que a década de 80 não apareceu novamente de graça. Como sempre trata-se de uma resposta aos acontecimentos atuais. O que?! Os yuppies estão ai entre seus 40, 50, 60 anos vivendo seu melhor momento e loucos para influenciar mais uma era.